Unesco registra 189 jornalistas mortos em 2024 e 2025
Dois terços das mortes ocorreram em zonas de conflito, e a impunidade global subiu para 86%, primeira alta desde 2012.
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A Unesco contabilizou 189 jornalistas, profissionais da imprensa e criadores de conteúdo assassinados em 2024 e 2025, o biênio mais letal da última década. Dois terços das mortes ocorreram em zonas de conflito. A taxa global de impunidade chegou a 86%, e drones foram responsáveis por 26% dos homicídios registrados.
A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) registrou 189 jornalistas, profissionais da imprensa e criadores de conteúdo assassinados em 2024 e 2025. Dois terços dos casos ocorreram em zonas de conflito, e a entidade apontou aumento da impunidade pela primeira vez desde 2012, conforme relatório divulgado nesta segunda-feira (2), no Dia Internacional pelo Fim da Impunidade dos Crimes contra Jornalistas.
A taxa global de impunidade chegou a 86%, um ponto percentual acima do índice anterior. O indicador inclui homicídios cujas investigações não foram concluídas ou ainda estão em andamento. Em outras palavras, seis em cada sete autores dos assassinatos escapam da Justiça, segundo a Unesco.
O número havia caído de 95%, patamar recorde, para 85% em 2024, em uma trajetória de redução iniciada em 2012. A vice-diretora-geral de Comunicação e Informação da entidade, Mariya Gabriel, afirmou que investigações e processos judiciais relacionados à morte de jornalistas em áreas de guerra continuam insuficientes. Ela disse que, embora a Unesco não seja um tribunal, a organização pressiona para que os crimes sejam esclarecidos e julgados.
O total de 189 mortes faz de 2024 e 2025 o biênio mais letal para jornalistas na última década, de acordo com o documento. Entre as vítimas, 14 eram mulheres. Territórios Palestinos, Iêmen e Ucrânia estão entre as zonas de conflito mencionadas no relatório; a Unesco considera que a concentração de mortes nesses locais representa uma mudança no panorama dos riscos enfrentados pela categoria.
O Estado da Palestina teve o maior número de casos em 2025, com pelo menos 32 jornalistas mortos. A entidade também apontou a expansão do uso de drones: veículos aéreos não tripulados foram responsáveis por 26% dos homicídios registrados no biênio. Jornalistas, segundo o relatório, continuam sendo mortos dentro de casa ou mesmo quando usam coletes que identificam sua profissão.
Desde 2006, quando começou a contabilizar esses casos, a Unesco registrou 1.641 jornalistas assassinados no mundo, uma média de uma morte a cada quatro dias. Os números podem divergir dos levantamentos do Comitê para a Proteção dos Jornalistas e da organização Repórteres Sem Fronteiras. A Unesco atribui diferenças à dificuldade de determinar as circunstâncias de algumas mortes em conflitos que seguem em evolução.