TV Globo cancela debate presidencial após desistências de Lula e Flávio
A TV Globo cancelou o debate presidencial previsto para quinta-feira, 1º de outubro, após desistências de Lula e Flávio Bolsonaro e decisões judiciais sobre as regras.
Resumo em 30 segundos
A TV Globo cancelou o debate presidencial de quinta-feira (1º), após Lula e Flávio Bolsonaro desistirem de participar. Decisões do TSE e do STF haviam alterado a lista de convidados e as regras do confronto, incluindo a participação de Renan Santos e a proibição de exibir púlpitos vazios. Especialistas apontaram possível insegurança jurídica na reta final da campanha.
A TV Globo cancelou na quinta-feira (1º) o debate entre candidatos à Presidência, previsto para a noite, depois que Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) desistiram de participar. A emissora tomou a decisão pouco antes do início do programa, após uma série de determinações do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e do Supremo Tribunal Federal (STF) alterar os convites e as regras do encontro.
O debate seria o último confronto entre os candidatos antes do primeiro turno, marcado para domingo (4). Com a ausência de Lula e Flávio, a eleição de 2026 se tornou a primeira desde 2006 em que um dos candidatos mais bem colocados nas pesquisas não participa de nenhum debate televisionado no primeiro turno.
A emissora havia convidado inicialmente Lula, Flávio, Ronaldo Caiado (PSD) e Augusto Cury (Avante). Na terça-feira (29), o presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, determinou que Romeu Zema (Novo), ex-governador de Minas Gerais, também fosse chamado. A decisão atendeu a pedido do partido, que sustentou que a representação parlamentar deveria considerar a composição atual da Câmara, e não apenas o resultado da última eleição. O Novo elegeu três deputados, mas tinha cinco parlamentares filiados em exercício até 20 de julho, início das convenções partidárias.
Na quarta-feira, Lula informou que não compareceria. A avaliação apresentada foi que ele poderia se tornar alvo dos demais participantes e teria tempo limitado para responder. No horário do debate, o presidente concedeu entrevista ao podcast Flow.
O partido Missão também recorreu à Justiça para tentar garantir a presença de seu candidato, Renan Santos. A legenda alegou que ele havia participado de outros eventos da Globo e que o convite para essas atividades criava expectativa de participação no debate. Kassio Nunes Marques negou o pedido, afirmando que a emissora não era obrigada a convidar Renan porque o partido não alcançava o mínimo de cinco parlamentares. A ministra Cármen Lúcia, do STF, também rejeitou uma ação, sem examinar o mérito, por considerar inadequado o uso da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) naquele caso.
No início da noite de quinta-feira, porém, o ministro do STF Gilmar Mendes autorizou a participação de Renan, em resposta a um pedido do Solidariedade. Em outra decisão, a ministra do TSE Estela Aranha determinou que a emissora não exibisse o púlpito de candidatos ausentes. Ela afirmou que a regra sobre a exibição poderia pressionar candidatos a comparecer, embora a participação em debates seja facultativa.
Depois dessas decisões, Flávio comunicou que não iria ao debate. O senador atribuiu a desistência ao que chamou de censura imposta ao evento pelo TSE. A ausência de Lula e a possível participação de Renan haviam alterado a expectativa sobre o confronto: Renan poderia fazer críticas a Flávio, enquanto o púlpito vazio de Lula poderia ser usado para destacar a ausência do presidente.
Em nota, a TV Globo afirmou que a decisão sobre os púlpitos invalidava parte das regras do programa, assinadas pelos partidos, inclusive o PT. A emissora também contestou a autorização para Renan participar, dizendo que ela contrariava a lei que estabelece os critérios para convites a debates televisionados.
Especialistas avaliaram que decisões sucessivas e aparentemente conflitantes do TSE e do STF podem gerar insegurança jurídica na reta final da campanha. Eles também apontaram que a Justiça Eleitoral pode corrigir violações mesmo nos últimos dias antes da votação.
Quem é quem
- Tribunal Superior Eleitoral (TSE)
- Órgão máximo da Justiça Eleitoral brasileira. Entre suas atribuições estão organizar e supervisionar eleições nacionais e julgar questões eleitorais, conforme as competências previstas na legislação.
- Supremo Tribunal Federal (STF)
- Instância mais alta do Poder Judiciário brasileiro. O tribunal é responsável por interpretar a Constituição e julgar determinadas ações e recursos previstos no ordenamento jurídico.
- TV Globo
- Emissora brasileira de televisão aberta. Produz programas jornalísticos e cobertura eleitoral, incluindo debates entre candidatos em períodos de campanha.