Trump usa piadas sobre Jon Husted para mobilizar republicanos
Às vésperas das eleições de meio de mandato, o presidente mistura ataques pessoais e temas paralelos enquanto o custo de vida preocupa eleitores.
Resumo em 30 segundos
Donald Trump tem recorrido a provocações sobre a aparência de candidatos e a assuntos fora da economia em comícios republicanos. Em Ohio, fez piadas sobre Jon Husted, candidato ao Senado que está atrás na disputa. A estratégia busca mobilizar a base antes das eleições de meio de mandato, enquanto a inflação segue entre as principais preocupações dos americanos.
Donald Trump tem usado comentários sobre a aparência de candidatos, provocações a adversários e temas fora da economia em comícios republicanos nos Estados Unidos, enquanto tenta mobilizar eleitores para as eleições de meio de mandato da próxima semana. A estratégia ocorre num momento em que a inflação e o custo de vida preocupam os americanos, e Jon Husted, candidato republicano ao Senado por Ohio, virou alvo de brincadeiras do presidente sobre seu corpo.
Em um ato de campanha, Trump descreveu o traseiro de Husted como “um monte de músculos” e seus dedos como “salsichas”. Antes da visita presidencial, o candidato ironizou a atenção dedicada à sua aparência: disse que havia passado a manhã na academia. Husted disputa uma cadeira no Senado e está atrás na corrida, segundo a matéria.
A atuação de Trump busca manter o entusiasmo de sua base republicana, mesmo quando seus discursos se afastam da mensagem econômica. Em comícios, ele tem alternado declarações sobre indicadores, como emprego, renda e crescimento, com ataques a democratas e comentários sobre assuntos sem relação direta com os preços. Também elogiou a aparência de outros candidatos republicanos, entre eles Tim Sheehy, de Montana, e Mike Collins, da Geórgia.
O calendário eleitoral aumenta a importância do debate econômico. Os eleitores votarão na próxima semana nas eleições de meio de mandato, que renovam cadeiras do Congresso e ocorrem no meio do período presidencial. Pesquisas citadas no material apontam que a economia, especialmente o custo de vida, está entre as principais preocupações dos americanos.
Trump foi eleito há dois anos com a promessa de reduzir os preços, em meio à insatisfação com a inflação durante o governo de Joe Biden. Agora, enfrenta reclamações semelhantes sobre o custo de vida. Uma pesquisa do Financial Times indicou que 56% dos entrevistados afirmaram estar em situação financeira pior desde que Trump voltou ao poder, em janeiro de 2025.
Os dados econômicos apresentam sinais distintos. O produto interno bruto (PIB), que mede o valor dos bens e serviços produzidos no país, cresceu a um ritmo anualizado de 3,4%, impulsionado por investimentos em inteligência artificial e pela resistência dos gastos dos consumidores, segundo números oficiais divulgados naquela semana. Já o índice de Despesas de Consumo Pessoal, indicador de inflação acompanhado pelo governo, subiu 3,6% nos 12 meses encerrados em setembro. Antes de Trump assumir, a taxa era de 2,6%.
O porta-voz da Casa Branca Matthew Middleton afirmou que a agenda do presidente estimulou o crescimento, os investimentos e a criação de empregos. Ele também disse que as medidas do governo ajudaram a reduzir os efeitos da crise inflacionária do governo Biden, que classificou como a maior em 40 anos. Trump tem citado a alta da bolsa e o crescimento econômico como sinais de avanço, além de atribuir a Biden a responsabilidade pelos preços elevados.
A diferença entre os indicadores e a experiência cotidiana ajuda a explicar, na avaliação de estrategistas citados, por que os discursos incluem assuntos que rendem repercussão. Ron Bonjean, estrategista republicano, afirmou que os eleitores não sentem necessariamente os benefícios dos números apresentados pelo presidente. Para ele, Trump procura manter a base do movimento Make America Great Again (Maga) mobilizada para comparecer às urnas.
Outro estrategista republicano, John Feehery, disse que o objetivo é tornar os comícios atraentes e gerar cobertura. A presença de Trump pode dar visibilidade aos candidatos locais, mas também causa desconforto entre republicanos que preferem uma mensagem mais disciplinada e concentrada nos preços. Susan Del Percio, estrategista republicana, afirmou que o presidente deveria falar mais sobre as preocupações dos eleitores e menos sobre projetos e temas paralelos.
Algumas declarações do presidente provocaram críticas por atingirem candidatos democratas de forma pessoal. Trump zombou de James Talarico, do Texas, e atacou Abdul El-Sayed, de Michigan, com comentários sobre sua religião. O democrata Anthony Coley, ex-integrante do governo Biden, afirmou que a presença do presidente nos palanques recorda aos eleitores promessas de redução de preços que, segundo ele, não foram cumpridas.
A comunicação do governo também tem variado. O vice-presidente J. D. Vance reconheceu que os combustíveis estão caros e pediu mais tempo para corrigir o problema. Outros integrantes da administração, entre eles o secretário do Tesouro, Scott Bessent, e Kevin Hassett, do Conselho Econômico Nacional da Presidência, minimizaram as preocupações com a inflação. Em contrapartida, alguns republicanos tentam se afastar de medidas impopulares, como tarifas e a guerra comercial com o Canadá.
A inflação é a alta generalizada dos preços e reduz o poder de compra quando a renda não acompanha o aumento. Por isso, mesmo com crescimento econômico e valorização da bolsa, os preços de itens essenciais podem continuar sendo o aspecto mais perceptível da economia para as famílias. No caso de Husted, as piadas sobre sua aparência trouxeram atenção ao candidato, mas também ilustram a aposta de Trump em comentários pessoais e temas de entretenimento para manter a energia dos comícios durante a reta final da campanha.
Para entender
- Eleições de meio de mandato
- Nos Estados Unidos, são eleições realizadas no meio do mandato presidencial. Os eleitores escolhem representantes para o Congresso, incluindo cadeiras da Câmara e do Senado, além de disputas estaduais e locais.