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Quarta-feira, 4 de novembro de 2026

Tinto Brass morre aos 93 anos e deixa legado de “Calígula”

O diretor italiano também assina “Calígula: O Corte Final”, versão restaurada do filme de 1979 que chega ao Filmelier+ nesta quinta-feira (5).

Por Redação Plantão Paulista 2 min de leitura
Imagem gerada por IA: Retrato do cineasta italiano Tinto Brass em um estúdio de cinema. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Retrato do cineasta italiano Tinto Brass em um estúdio de cinema.
Resumo em 30 segundos

Tinto Brass morreu aos 93 anos nesta quarta-feira. O cineasta italiano dirigiu “Calígula”, filme de 1979 que teve exibição censurada no Brasil e provocou controvérsia por cenas explícitas acrescentadas após as filmagens. Uma versão restaurada, apresentada em Cannes em 2023, chega ao Filmelier+ nesta quinta-feira (5).

O cineasta italiano Tinto Brass morreu nesta quarta-feira, aos 93 anos. Diretor de “Calígula”, filme de 1979 sobre o imperador romano, ele ficou associado a uma produção que enfrentou censura em vários países e teve sua exibição na televisão brasileira barrada parcialmente em 1992.

Com Malcolm McDowell no papel-título, o longa também reúne Helen Mirren e Peter O’Toole. O roteiro é de Gore Vidal, e a trama apresenta o governo de Calígula como uma mistura de poder, luxo e sexo. A produção foi conduzida por Bob Guccione, fundador da revista Penthouse, que decidiu acrescentar cenas explícitas depois das filmagens principais.

No Brasil, o filme foi censurado durante a ditadura militar e acabou liberado em 1982, após uma decisão do juiz federal Laurindo Minhoto Neto. Em 1992, a rede Organizações Martinez anunciou a exibição da obra na programação “Tensão Total”, mas a Justiça impediu que a segunda parte fosse ao ar. A emissora havia dividido em duas partes o longa, que tem quase três horas.

A decisão ocorreu depois que a primeira parte alcançou 16 pontos de audiência, segundo a medição da época. Uma versão editada, com cenas de sexo oral e penetração, circulou em fitas clandestinas e DVDs. Cópias também foram apreendidas no Reino Unido, nos Estados Unidos e na Itália, no início dos anos 1980.

Brass e Vidal retiraram seus nomes dos créditos quando o filme foi lançado. A obra se tornou controversa também entre seus realizadores e atores, em parte pela inclusão das cenas explícitas após o fim das filmagens principais.

“Calígula: O Corte Final” foi apresentado no Festival de Cannes em 2023 e chega ao streaming Filmelier+ nesta quinta-feira (5). A versão restaurada foi produzida ao longo de três anos, com base em 96 horas de negativos originais, e ganhou uma nova introdução animada por Dave McKean.

O corte final é menos explícito do que a fama construída em torno do filme, mas mantém o tom extravagante e cômico. McDowell interpreta um imperador sem escrúpulos, enquanto Mirren, então com 34 anos, vive Cesônia, esposa de Calígula, e O’Toole interpreta Tibério.

A produção usa cenários grandiosos e artificiais para criar uma Roma de aparência teatral. Entre as cenas estão bacanais, um bordel imperial instalado em um navio cenográfico e estátuas eróticas reunidas por Tibério. O filme também inclui episódios de humor grotesco e situações que satirizam o poder e a decadência do Império Romano.

A versão restaurada reorganiza a obra a partir dos materiais originais e busca apresentar o filme sem o acréscimo explícito feito por Guccione. O lançamento nos cinemas ou em outras plataformas, além da chegada ao Filmelier+, não foi informado.

Fontes: Folha de S.Paulo

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