Tesouro Direto registra alta nos prefixados e queda no IPCA+ 2050
Nesta quinta-feira, o Tesouro Prefixado 2029 paga 12,75% ao ano, enquanto o IPCA+ 2050 oferece 6,63% acima da inflação; veja os fatores do mercado.
Resumo em 30 segundos
As taxas dos títulos do Tesouro Direto tiveram direções diferentes nesta quinta-feira. Os prefixados subiram, enquanto o IPCA+ 2050 caiu para 6,63% acima da inflação, elevando o preço do papel. A disputa eleitoral, os juros futuros, o petróleo e os rendimentos dos títulos americanos influenciaram o mercado.
As taxas dos títulos do Tesouro Direto tiveram movimentos distintos nesta quinta-feira (22), três dias antes do segundo turno da eleição presidencial. O Tesouro Prefixado 2029 subiu de 12,66% para 12,75% ao ano, enquanto a taxa do Tesouro IPCA+ 2050 recuou de 6,71% para 6,63% acima da inflação medida pelo IPCA.
O Prefixado 2032 também avançou, de 12,85% para 12,94% ao ano. Entre os títulos corrigidos pela inflação, o IPCA+ 2032 passou de 6,78% para 6,81%, e o IPCA+ 2040 caiu de 6,71% para 6,69%.
As mudanças acompanham a curva de juros futuros no Brasil. Às 9h19, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2029 subia de 12,563% para 12,690%; o vencimento de janeiro de 2031 avançava de 12,602% para 12,735%. Na ponta mais curta, o DI para janeiro de 2027 passava de 13,479% para 13,500%.
A disputa eleitoral é um dos fatores observados pelo mercado. Pesquisa Indexa/Broadcast divulgada nesta quinta-feira apontou Flávio Bolsonaro (PL) com 45,2% das intenções de voto e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com 44,1%. A diferença está dentro da margem de erro, de 2,2 pontos percentuais. Nos votos válidos, os candidatos registraram 50,6% e 49,4%, respectivamente.
A incerteza sobre o resultado e a falta, até o momento, de planos fiscais detalhados para o próximo mandato contribuem para a manutenção de prêmios nos juros médios e longos. O economista-chefe do Barclays para o Brasil, Roberto Secemski, estima que a estabilização da dívida bruta exigiria um ajuste fiscal superior a 2,5 pontos percentuais do Produto Interno Bruto (PIB), equivalente a cerca de R$ 350 bilhões.
No cenário internacional, o petróleo Brent avançava mais de 2% e se aproximava de US$ 112 por barril, em meio ao aumento das tensões no Oriente Médio. A alta da commodity reforça preocupações com a inflação e pode limitar o espaço para cortes de juros no Brasil. Em sentido contrário, os rendimentos dos títulos públicos americanos caíam: o papel de dez anos recuava de 5,120% para 5,069%, e o de 30 anos, de 5,412% para 5,370%.
A queda da taxa do IPCA+ 2050 elevou o preço do título no mercado, que era negociado a R$ 1.044,46. Isso ocorre porque taxas e preços de títulos caminham em sentidos opostos. Quem mantém o papel até o vencimento recebe a remuneração contratada na compra; antes disso, o preço pode oscilar conforme as condições do mercado.