Surto de Ebola no Congo é marcado por ataque fatal a enfermeiro
Em Tshopo, profissionais se abrigam sob proteção policial; o país registra 9.964 casos confirmados da cepa Bundibugyo desde maio.
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Um enfermeiro que atendia pacientes com Ebola foi morto por jovens em Bafwasende, na província congolesa de Tshopo. Um colega sobreviveu, e outros profissionais estão abrigados no hospital sob proteção policial. O surto da cepa Bundibugyo já atingiu oito províncias, enquanto ataques e desinformação dificultam a resposta à doença.
Um enfermeiro que atendia pacientes com Ebola foi morto por jovens na sexta-feira (23), na cidade de Bafwasende, na província de Tshopo, no leste da República Democrática do Congo (RDC). O ataque ocorreu em meio a um surto da doença e a uma série de agressões contra profissionais de saúde motivadas por desinformação, segundo autoridades locais.
O enfermeiro trabalhava no hospital geral da cidade e também orientava moradores sobre como se proteger do vírus. Um colega que estava com ele sobreviveu ao ataque e se recuperava no hospital, de acordo com uma autoridade local de saúde.
Outros profissionais da unidade estão abrigados no hospital sob proteção policial e temem voltar para casa. A mesma autoridade afirmou que nenhum dos enfermeiros estava dormindo em casa. O Exército também foi mobilizado temporariamente na região.
Tshopo está entre as oito províncias congolesas atingidas pelo surto da cepa Bundibugyo do Ebola. O instituto de saúde pública do país informou na sexta-feira que havia 9.964 casos confirmados desde que o surto foi declarado, em maio. A taxa de letalidade era de cerca de 48,6%.
Os ataques têm atingido hospitais, veículos e equipes envolvidas na resposta à epidemia, dificultando o trabalho de prevenção e atendimento. Uma autoridade de saúde disse que jovens da região já haviam atacado outro profissional e incendiado sua casa, mas não informou quando o episódio ocorreu.
A violência contra equipes de saúde também foi registrada antes da atual disseminação do Ebola. Profissionais em Tshopo foram mortos após serem acusados de espalhar uma doença imaginária que causaria atrofia dos órgãos genitais masculinos, em meio à circulação de informações falsas.
Julien Harneis, coordenador sênior das Nações Unidas para o Ebola, afirmou em uma publicação no X, no domingo (25), que a morte do enfermeiro em Bafwasende representa uma perda para a resposta ao surto e para os pacientes. A declaração foi feita após o ataque.
A cepa Bundibugyo é uma das variantes do vírus Ebola. A doença pode causar febre, fraqueza, dores e hemorragias, e é transmitida por contato direto com sangue ou outros fluidos corporais de pessoas infectadas. A proteção dos profissionais e a confiança das comunidades são importantes para que equipes possam localizar casos, orientar a população e prestar atendimento.