Steve Witkoff pede a Putin a retomada de negociações de paz
O enviado americano levou propostas para discutir um possível acordo com Ucrânia e Rússia; Stephen Hubbard, preso no país, foi libertado durante a reunião.
Resumo em 30 segundos
Steve Witkoff pediu a Vladimir Putin que considere retomar negociações trilaterais entre Rússia, Ucrânia e Estados Unidos. O enviado levou propostas após conversas com Volodymyr Zelensky e representantes europeus em Oslo. Durante a reunião em São Petersburgo, Moscou anunciou a libertação do americano Stephen Hubbard, condenado por mercenarismo.
O enviado especial dos Estados Unidos, Steve Witkoff, pediu nesta quarta-feira (21), em São Petersburgo, que o presidente russo, Vladimir Putin, considere retomar as negociações trilaterais de paz entre Rússia, Ucrânia e Estados Unidos. Witkoff também entregou ideias para um possível acordo, após conversas realizadas um dia antes com o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, e representantes europeus.
O encontro aconteceu no Palácio de Constantino, na cidade natal de Putin, e foi a nona reunião presencial entre os dois. O enviado de Putin para investimentos, Kirill Dmitriev, também participou. A libertação do professor americano aposentado Stephen Hubbard foi anunciada durante a reunião, em um gesto apresentado como sinal de boa vontade por Moscou.
“Uma coisa que espero conseguir hoje é ter uma boa conversa entre nós sobre a possível retomada das negociações trilaterais entre Ucrânia, Rússia e EUA”, disse Witkoff a Putin. Ele afirmou que, mesmo sem um acordo imediato, discutir possíveis próximos passos seria importante. As conversas de paz mediadas pelos Estados Unidos mais recentes haviam ocorrido em fevereiro, antes de Washington e Israel iniciarem uma guerra contra o Irã.
Witkoff disse ter levado documentos com propostas para Putin analisar e afirmou que Jared Kushner, genro do presidente Donald Trump, também queria apresentar sugestões. Kushner participaria da reunião por telefone. O enviado americano descreveu como produtivas as conversas em Oslo, na Noruega, com Zelensky, os líderes finlandês e norueguês e representantes europeus e da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).
Uma autoridade americana afirmou que a Ucrânia apresentou novas ideias em Oslo e que houve avanços para coordenar o diálogo com Moscou. Entre os temas discutidos estavam garantias de segurança para Kiev, a recuperação econômica depois da guerra e uma estrutura mais ampla de segurança europeia. Zelensky disse esperar tratar de questões fundamentais sobre o fim do conflito em uma eventual reunião trilateral com Putin e Trump.
As posições de Moscou e Kiev continuam distantes. Putin tem mantido como objetivos o controle total da região de Donetsk, no leste da Ucrânia, e impedir que o país entre na Otan. O Kremlin afirma que qualquer encontro entre Putin e Zelensky precisa ser preparado previamente por assessores. Trump, por sua vez, aumentou a pressão sobre Kiev para aceitar algum tipo de acordo e disse na terça-feira que a Ucrânia deveria encerrar a guerra ou enfrentar “algo muito ruim”.
A reunião também ocorreu em meio a preocupações ucranianas com a redução do apoio americano. Kiev relatou interrupções no compartilhamento de informações de inteligência sobre ataques russos e no acesso ao sistema de comunicação por satélite Starshield, usado pelas forças ucranianas. Zelensky afirmou que as conversas em Oslo resultaram em um acordo para resolver esses problemas. O secretário de Estado americano, Marco Rubio, disse nesta quarta-feira que Washington não restringiu o acesso da Ucrânia ao Starlink, serviço da SpaceX.
Uma informação divulgada nesta quarta-feira sobre uma suposta redução na velocidade de uma versão militar do Starlink não havia sido verificada de forma independente. Elon Musk afirmou que decisões desse tipo cabem às Forças Armadas americanas ou ao presidente; Trump negou responsabilidade. A discussão envolve serviços de comunicação por satélite utilizados para transmitir dados e apoiar operações militares, inclusive o rastreamento de ataques.
Putin também ofereceu ajudar Trump a lidar com o Irã, alegando que a Rússia mantém uma relação de décadas com Teerã e poderia usar essa interlocução diante das preocupações americanas com o programa nuclear iraniano. O presidente russo ainda disse que Moscou poderia fornecer fertilizantes aos Estados Unidos. Ele manifestou interesse em discutir um possível encontro com Trump na China no próximo mês; o Kremlin sugeriu que o presidente chinês, Xi Jinping, também poderia participar, durante a cúpula da Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (Apec).
Stephen Hubbard, de 74 anos, foi condenado na Rússia a seis anos e dez meses de prisão por mercenarismo, sob a acusação de ter combatido ao lado das forças ucranianas. Moscou afirma que ele se juntou a uma unidade de defesa territorial em fevereiro de 2022; pessoas que conheciam o caso contestaram essa versão. Hubbard vivia em Izium, na Ucrânia, e foi detido em abril de 2022, segundo informações divulgadas por autoridades russas. Os detalhes de sua libertação, seu destino e seu estado de saúde não foram divulgados.
Trump havia prometido durante a campanha eleitoral encerrar a guerra em 24 horas. A aproximação recente entre Washington e Moscou, incluindo um acordo de exportação de diesel russo anunciado neste mês, agravou as preocupações em Kiev sobre o compromisso americano com a Ucrânia. O encontro de Witkoff com Putin busca reabrir um canal de negociação, mas as divergências sobre território, segurança e a posição da Ucrânia em relação à Otan permanecem centrais.