Zelensky discute sistemas Patriot em ligação com enviados dos EUA
Steve Witkoff e Jared Kushner falaram por telefone com o presidente ucraniano em meio à tensão com Donald Trump sobre a guerra e os ataques a refinarias russas.
Resumo em 30 segundos
Volodymyr Zelensky conversou por telefone com os enviados americanos Steve Witkoff e Jared Kushner e disse ter tratado do fornecimento de sistemas Patriot. A ligação ocorreu em meio a críticas de Donald Trump à estratégia ucraniana e a novos ataques contra instalações de energia na Rússia e na Ucrânia.
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, conversou por telefone neste domingo com Steve Witkoff e Jared Kushner, enviados dos Estados Unidos, em meio a uma nova tensão entre Kiev e Washington. Ele disse que tratou do fornecimento de sistemas Patriot, usados na defesa antiaérea, enquanto os dois países trocavam ataques contra instalações de energia. A conversa ocorreu após o presidente americano, Donald Trump, criticar Zelensky e a estratégia ucraniana contra alvos russos.
“Nossas equipes continuam trocando informações e estão em contato todos os dias”, afirmou Zelensky ao anunciar a ligação. Ele também disse que “muito depende” dos Estados Unidos e que a guerra precisa terminar. Os sistemas Patriot são baterias de defesa antiaérea capazes de interceptar mísseis; a Ucrânia depende do apoio militar americano para reforçar a proteção contra ataques russos.
Trump afirmou na rede Truth Social que Zelensky “não quer pôr fim” à guerra. O presidente americano também acusou a Ucrânia de atacar refinarias russas para afetar os preços mundiais do diesel e prejudicar o Partido Republicano nas eleições de novembro. Segundo Trump, as ofensivas ucranianas contra instalações de petróleo têm impacto nos mercados, inclusive nos Estados Unidos.
Zelensky havia dito, em entrevista à emissora NBC, que seria “um erro histórico” os Estados Unidos apoiarem formalmente a Rússia e que esperava que Trump “mude suas decisões”. Ao mesmo tempo, declarou estar grato pela retomada do compartilhamento de informações de inteligência pelos americanos, suspenso anteriormente. A interrupção, segundo o presidente ucraniano, deixou o país mais vulnerável a ataques russos com mísseis balísticos.
As relações entre os governos também foram tensionadas por queixas de Kiev sobre restrições ao serviço de internet via satélite da SpaceX, usado pela Ucrânia no campo de batalha. O governo Trump negou envolvimento em uma eventual redução do serviço. O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, criticou Zelensky por fazer essa acusação e disse à NBC que a considerava “uma grande imprudência”.
A crise diplomática ocorre após Trump bloquear novas sanções contra a Rússia e fechar um acordo com Moscou sobre diesel, segundo as informações divulgadas. O presidente americano critica os ataques ucranianos a refinarias russas, enquanto Kiev sustenta que suas ações respondem aos bombardeios que, desde 2022, atingem o sistema energético ucraniano. O governo de Zelensky também afirma que pretende reduzir as receitas de hidrocarbonetos usadas para financiar a guerra russa.
Na madrugada de domingo, um ataque de drones ucranianos provocou um grande incêndio em um terminal petrolífero de São Petersburgo. O governador Alexander Beglov informou que uma pessoa morreu e cinco ficaram feridas. O governador regional Aleksandr Drozdenko afirmou que a defesa antiaérea derrubou 145 drones sobre a cidade e arredores e que cerca de 20 mil pessoas ficaram sem eletricidade.
O Ministério da Defesa russo declarou que 1.015 drones ucranianos foram neutralizados entre a noite de sábado e a madrugada de domingo em cerca de 15 regiões do sul e do oeste da Rússia, incluindo a região de Moscou. O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, classificou o ataque como um “sinal de agonia” e disse que a resistência ucraniana não mudaria o curso dos acontecimentos.
Na Ucrânia, Zelensky relatou bombardeios russos a instalações elétricas nas regiões de Vinnytsia, Zhytomyr, Khmelnytskyi e Odessa. Ele disse que dezenas de milhares de famílias estavam sem energia e que os trabalhos de restabelecimento continuavam. Segundo o presidente, ao menos duas pessoas morreram e 12 ficaram feridas, incluindo duas crianças. Nas últimas três semanas, os ataques russos voltaram a atingir a infraestrutura energética, provocando cortes e preocupação com o acesso à calefação durante o inverno.