SMAL11 supera BOVA11 em volume negociado na primeira quinzena
O ETF de small caps movimentou R$ 2,16 bilhões por dia, 44% acima do BOVA11; o levantamento da B3 considerou pregões até 13 de outubro.
Resumo em 30 segundos
Na primeira quinzena de outubro, o SMAL11 superou o BOVA11 em volume médio diário negociado. Investidores institucionais responderam por 56,2% das negociações do fundo de small caps, e estrangeiros, por 39,9%. O interesse cresceu em meio a expectativas de juros menores, mas analistas alertam para os riscos da estratégia.
O ETF SMAL11, que reúne ações de empresas de menor valor de mercado, superou o BOVA11, ligado ao Ibovespa, em volume médio diário negociado na primeira quinzena de outubro. O SMAL11 movimentou R$ 2,16 bilhões por dia, 44% a mais que os R$ 1,5 bilhão registrados pelo BOVA11 na Bolsa brasileira, segundo dados da B3.
A maior parte das negociações do SMAL11 foi feita por investidores institucionais, como fundos de pensão, responsáveis por 56,2% do volume. Investidores estrangeiros responderam por 39,9%. O levantamento considerou os pregões até 13 de outubro.
A diferença entre SMAL11 e BOVA11 está nos índices que cada fundo acompanha. O SMAL11 busca refletir o desempenho de empresas menores listadas na B3, enquanto o BOVA11 acompanha o Ibovespa, principal índice da Bolsa, composto por ações de empresas de grande relevância no mercado. Ao comprar uma cota de um ETF, o investidor adquire exposição a uma carteira de ativos sem precisar comprar cada ação individualmente.
A procura pelo fundo de small caps cresceu ao longo de setembro e outubro. No início de setembro, o SMAL11 representava de 10% a 23% do volume total negociado em ETFs na B3. No fim daquele mês, sua participação oscilava entre 30% e 35%. Depois de 7 de outubro, chegou perto de 60% e permaneceu acima da fatia do BOVA11 até o dia 13.
O movimento ocorreu após o resultado do primeiro turno das eleições presidenciais, em que Flávio Bolsonaro (PL) ficou à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Parte do mercado passou a considerar a possibilidade de uma mudança de governo e de uma política econômica mais comprometida com a redução dos gastos públicos. O segundo turno estava marcado para 25 de outubro.
A expectativa de contas públicas mais equilibradas alimentou apostas em juros menores no longo prazo. Com juros mais baixos, empresas tendem a pagar menos pelos empréstimos, o que pode favorecer investimentos e resultados. O efeito costuma ser mais relevante para companhias de menor capitalização, que dependem mais do crédito para financiar seu crescimento.
Leonardo Mendes, economista e consultor financeiro da Manchester Investimentos, afirmou que a redução dos juros poderia diminuir o custo de capital das empresas e contribuir para ganhos de produtividade e lucro. Para ele, o SMAL11 permite investir em um conjunto diversificado de empresas menores, sem que o investidor precise escolher individualmente entre centenas de ações.
Uma comparação pelo indicador Preço/Lucro (P/L), que relaciona o preço de uma ação ao lucro da empresa, também ajudou a sustentar o interesse. Desde meados de setembro, o P/L do Ibovespa estava em 9,5 vezes, ante média histórica de 10,5 vezes. O indicador das small caps era de 10,3 vezes, abaixo da média histórica de 13,1 vezes.
Com base nessa diferença, Christopher Galvão, sócio e analista de fundos da Nord Investimentos, estimou potencial de alta de cerca de 10% para o Ibovespa e de 27% para as small caps. Ele afirmou que as ações menores estavam mais baratas e poderiam se valorizar mais em um cenário de corte de juros. A avaliação, porém, depende de expectativas e não representa garantia de retorno.
Galvão também alertou para os riscos da estratégia. Se houver mudança de governo, o mercado deverá cobrar rapidamente a nova gestão, e uma falha em lidar com as contas públicas poderia levar à devolução dos ganhos recentes da Bolsa. Se o governo atual permanecer, acrescentou, as small caps poderiam cair mais que as empresas maiores do Ibovespa, por serem mais sensíveis ao risco.}