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Sexta-feira, 2 de outubro de 2026

Sistema Cantareira entra em faixa de atenção e mantém pressão reduzida

Com reservatórios recuperados após as chuvas de setembro, o sistema poderá captar mais água, mas a redução noturna da pressão continua por oito horas.

Por Laura Mendes 3 min de leitura
Reservatório do Sistema Cantareira com água acumulada e vegetação nas margens após as chuvas. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Reservatório do Sistema Cantareira com água acumulada e vegetação nas margens após as chuvas.
Resumo em 30 segundos

O Cantareira passou da faixa de alerta para a de atenção após as chuvas fortes de setembro, permitindo maior captação pela Sabesp. A redução noturna da pressão da água na Grande São Paulo continua das 22h às 6h. Para mudar a medida, o manancial ainda precisa entrar na faixa de normalidade do controle estadual.

O Sistema Cantareira, principal manancial de abastecimento da região metropolitana de São Paulo, passou nesta quinta-feira (1º) da faixa de alerta para a de atenção. A mudança permite que a Sabesp retire até 31 metros cúbicos de água por segundo, ante o limite de 27 metros cúbicos por segundo em setembro. A redução noturna da pressão na rede, porém, permanece por oito horas, das 22h às 6h.

Os reservatórios do Cantareira chegaram a 41,1% do volume útil no último dia de setembro, depois de encerrarem agosto com 33%. A Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) e a SP Águas autorizaram a mudança porque o volume útil está entre 40% e 60%. Apesar da melhora, os moradores da Grande São Paulo não devem perceber alteração imediata no fornecimento pelas torneiras.

A Gestão de Demanda Noturna (GDN), que reduz a pressão da água nas tubulações, é coordenada pelo Comitê de Integração das Agências para a Segurança Hídrica. O órgão estadual reúne a Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo (Arsesp) e a SP Águas. Para rever a medida, o Cantareira precisa alcançar a faixa de normalidade no controle estadual, assim como o Sistema Integrado Metropolitano (SIM).

O SIM, formado por sete sistemas de abastecimento, já opera na faixa de normalidade, com cerca de 55,2% do volume útil. O Cantareira, no entanto, ainda está na faixa 1 do controle estadual e precisa atingir 41,61% para chegar à normalidade. Esse patamar poderia ser alcançado nos próximos dias, segundo a matéria.

“Estamos cumprindo o previsto na Deliberação Arsesp, que tem o objetivo de proteger os reservatórios no médio e longo prazo, mantendo uma postura mais conservadora em relação ao relaxamento das medidas, mas sempre buscando o equilíbrio entre as medidas de segurança hídrica, com a preservação dos mananciais, e a prestação dos serviços à população”, afirmou Diego Domingues, diretor-presidente da Arsesp.

As chuvas de setembro ficaram muito acima das médias climatológicas nas áreas dos principais sistemas. No Cantareira, foram 282,5 milímetros, equivalentes a 358,3% da média de 78,8 milímetros. No SIM, o acumulado chegou a 353 milímetros, ou 397,1% da média; no Alto Tietê, foram 247,1 milímetros, 433,1% da média histórica para o período.

Os níveis também superaram os registrados no mesmo período do ano passado. Em 30 de setembro, o SIM tinha 55,27% do volume útil, ante 31,46% um ano antes. O Cantareira passou de 28,38% para 41,12%, enquanto o Alto Tietê subiu de 25,03% para 54,29%.

Desde o início da GDN, em agosto de 2025, a economia estimada é superior a 209 bilhões de litros, volume equivalente ao consumo de 36 milhões de pessoas, segundo a Arsesp. A previsão para outubro indica chuvas acima da média em todo o estado, sobretudo nas regiões sul, litorânea e central.

Camila Viana, diretora-presidente da SP Águas, afirmou que o período chuvoso começou antes do esperado e defendeu cautela no monitoramento e na proteção dos reservatórios. A agência atribuiu a antecipação, em parte, aos efeitos do El Niño e observou que também houve variações importantes de temperatura, com dias de calor intenso.

Quem é quem

Sistema Cantareira
Conjunto de reservatórios que abastece a região metropolitana de São Paulo. Seus níveis e regras de operação influenciam a quantidade de água que pode ser captada e as medidas de gestão do abastecimento.
Sabesp
Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo, responsável por serviços de abastecimento de água e saneamento. No caso do Cantareira, a companhia realiza a captação autorizada pelas agências responsáveis pela gestão hídrica.
SP Águas
Agência de Águas do Estado de São Paulo, integrante da gestão dos recursos hídricos paulistas. Atua com a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico na definição de regras de operação dos sistemas de reservatórios.

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