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Quinta-feira, 15 de outubro de 2026

Shoppings veem custos maiores com o fim da escala 6x1

A proposta ainda não foi aprovada e prevê reduzir a jornada de 44 para 40 horas semanais em duas etapas, com início 60 dias após a promulgação.

Por Redação Plantão Paulista 2 min de leitura
Imagem gerada por IA: Funcionários em uma loja de shopping organizam produtos enquanto um gerente analisa uma escala de trabalho. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Funcionários em uma loja de shopping organizam produtos enquanto um gerente analisa uma escala de trabalho.
Resumo em 30 segundos

Representantes de shopping centers afirmam que o fim da escala 6x1 pode elevar custos, sobretudo para pequenos lojistas, e aumentar a disputa por turnos de fim de semana e comissões. Estudo encomendado pelo setor projeta queda no faturamento e no número de empregos diretos. A proposta ainda depende de aprovação legislativa.

Representantes de shopping centers afirmam que o fim da escala 6x1 pode elevar os custos das lojas e intensificar a disputa entre vendedores por comissões. A mudança ainda não foi aprovada: a proposta descrita pelo setor prevê reduzir a jornada semanal de 44 para 42 horas e, depois, para 40 horas, com início 60 dias após a promulgação e a publicação da emenda.

A escala 6x1 organiza o trabalho em seis dias seguidos, com um dia de descanso. Com a alteração prevista, trabalhadores teriam mais tempo de descanso semanal, enquanto empresas que funcionam todos os dias precisariam reorganizar turnos e equipes. A proposta não entraria em vigor de uma só vez: a jornada cairia para 42 horas na primeira etapa e chegaria a 40 horas depois de 12 meses.

Glauco Humai, presidente da Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce), afirma que o efeito tende a ser mais significativo para pequenos lojistas, que costumam ter equipes reduzidas. Segundo ele, quase 60% dos lojistas de shopping têm de três a cinco funcionários. Para manter a operação com jornadas menores, algumas lojas precisariam contratar mais um ou dois trabalhadores.

Humai estima que os custos adicionais poderiam comprometer de 30% a 40% do resultado de uma loja pequena, considerando os encargos trabalhistas atuais. Ele diz não se opor à mudança, mas defende que a implementação seja escalonada conforme o setor e o porte das empresas, com um período de adaptação.

Um estudo da Tendências Consultoria encomendado pelo setor projeta que o faturamento anual dos shoppings poderia cair de R$ 200,9 bilhões para R$ 186,2 bilhões no primeiro ano após a implementação. O levantamento também estima que o número de empregos diretos, que chegou a quase 1,1 milhão em 2025, poderia recuar para cerca de 950 mil. O estudo aponta ainda risco de crescimento da informalidade.

Nabil Sahyoun, presidente da Alshop, entidade que representa lojistas de shopping centers, critica a proposta e a classifica como “eleitoreira”. Ele defende uma alternativa atribuída ao senador Rogério Marinho (PL-RN), baseada na contratação por horas trabalhadas, e afirma que esse modelo daria mais flexibilidade ao trabalhador.

Sahyoun também prevê que a redução da jornada aumentaria a concorrência por turnos de sábado e domingo, quando, segundo ele, vendedores podem receber comissões maiores. Para o dirigente, a mudança poderia afetar a renda de quem depende dessas parcelas variáveis. Ele também questiona os efeitos de um dia adicional de descanso sobre a saúde mental, embora não apresente dados para sustentar essa avaliação.

As declarações refletem preocupações de representantes do setor, enquanto a mudança depende de tramitação e aprovação legislativa. Caso a proposta descrita seja promulgada, as regras começariam a valer 60 dias depois da publicação, com a redução inicial da jornada semanal para 42 horas.

Para entender

Escala 6x1
Modelo de jornada em que a pessoa trabalha seis dias consecutivos e tem um dia de descanso. A discussão sobre seu fim envolve mudanças na duração semanal do trabalho e na organização de turnos, especialmente em atividades que funcionam todos os dias.

Fontes: Folha de S.Paulo

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