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Quarta-feira, 14 de outubro de 2026

Senado vota PEC que acaba com escala 6x1 e prevê jornada de 40 horas

A proposta ainda precisa de 49 votos em dois turnos; um calendário especial pode permitir que o Senado conclua a votação nesta quarta-feira.

Por Redação Plantão Paulista 3 min de leitura
Imagem gerada por IA: Plenário do Senado durante sessão de votação da PEC que prevê o fim da escala 6x1. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Plenário do Senado durante sessão de votação da PEC que prevê o fim da escala 6x1.
Resumo em 30 segundos

O Senado iniciou a votação da PEC que acaba com a escala 6x1 e reduz a jornada semanal de 44 para 40 horas, sem corte salarial. Para votar os dois turnos nesta quarta-feira, os senadores precisam aprovar um calendário especial. A proposta prevê duas folgas semanais e uma transição gradual para a nova jornada.

O Senado iniciou nesta quarta-feira (14) a votação da proposta de emenda à Constituição (PEC) que extingue a escala 6x1, em que o trabalhador atua por seis dias e folga um. O texto prevê reduzir a jornada semanal de 44 para 40 horas, com duas folgas por semana e sem diminuição de salário; a votação em dois turnos no mesmo dia depende da aprovação de um calendário especial.

A PEC precisa receber ao menos 49 votos favoráveis em cada turno. Pela tramitação regular, as duas votações teriam de ocorrer com intervalo de cinco dias úteis e três sessões de discussão. Um requerimento apresentado pela líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), pede que o intervalo seja dispensado. O pedido reuniu assinaturas de bancadas que representam 56 senadores, acima das 54 necessárias para apresentá-lo.

A expectativa é que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), coloque o requerimento em votação após o primeiro turno. Se aprovado, o plenário poderá votar a PEC novamente ainda nesta quarta-feira. O início da votação não significa que a proposta já tenha sido aprovada: o texto precisa alcançar o mínimo de votos nos dois turnos.

A mudança prevê uma transição em duas etapas: a jornada cairia primeiro para 42 horas semanais, 60 dias após a promulgação, e depois chegaria a 40 horas, um ano mais tarde. O texto também estabelece duas folgas semanais, uma delas preferencialmente aos domingos. A proposta foi aprovada pela Câmara e, no Senado, o relator Omar Aziz (PSD-AM) rejeitou as emendas e manteve a versão dos deputados.

Se os senadores aprovarem o texto sem alterações, ele não precisará de sanção presidencial. Como se trata de uma PEC, a mudança constitucional passa a valer após a promulgação pelas Mesas da Câmara e do Senado e a publicação da emenda. Se o conteúdo for modificado, a proposta terá de voltar à Câmara para nova análise.

A votação ocorre a 11 dias do segundo turno da eleição presidencial, marcado para 25 de outubro. O tema é uma das bandeiras do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), enquanto a oposição vinha tentando evitar a conclusão da tramitação antes da eleição. No domingo (11), Lula afirmou que havia acertado com Alcolumbre a votação antes do segundo turno.

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência, anunciou na terça-feira que votará a favor da PEC. “A maioria dos trabalhadores brasileiros querem o fim da 6x1, então vou votar a favor”, disse. Ele também defende uma alternativa que permita ao trabalhador negociar jornadas flexíveis e receber por hora; essa proposta é associada ao senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador de sua campanha.

Ainda há incerteza sobre a posição dos demais senadores do PL. Flávio não está no plenário, mas pode votar remotamente, porque a sessão é semipresencial. O partido e outros grupos da oposição haviam buscado adiar a votação, mas a proposta também recebeu apoio de oposicionistas durante a tramitação na Câmara.

A escala 6x1 é uma organização semanal de trabalho com seis dias de atividade para um de descanso. Com a mudança prevista na PEC, a jornada passaria a cinco dias de trabalho e dois de folga, sem redução da remuneração. A proposta foi aprovada pela Câmara e teve apoio amplo na Comissão de Constituição e Justiça do Senado, antes de chegar à votação em plenário.

Para entender

Escala 6x1
É uma organização da jornada em que a pessoa trabalha seis dias consecutivos e tem um dia de descanso. A PEC em votação prevê substituir esse modelo por cinco dias de trabalho e dois de folga por semana, sem redução da remuneração.
Proposta de emenda à Constituição
Uma PEC altera o texto da Constituição e precisa ser aprovada em dois turnos por pelo menos três quintos dos parlamentares de cada Casa do Congresso. Diferentemente de um projeto de lei, depois da aprovação não depende de sanção presidencial: é promulgada pelo Legislativo.

Fontes: Folha de S.Paulo, O Globo

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