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Segunda-feira, 2 de novembro de 2026

Republicanos intensificam ataques pessoais na reta final das midterms

As acusações atingem disputas pelo Senado no Kansas, no Texas e em Michigan; a votação das eleições de meio de mandato está marcada para terça-feira (3).

Por Redação Plantão Paulista 4 min de leitura
Imagem gerada por IA: Candidato discursa em um comício político nos Estados Unidos diante de uma plateia. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Candidato discursa em um comício político nos Estados Unidos diante de uma plateia.
Resumo em 30 segundos

Na reta final das eleições de meio de mandato dos Estados Unidos, candidatos e aliados republicanos intensificaram ataques pessoais contra democratas em disputas pelo Senado no Kansas, no Texas e em Michigan. As declarações abordaram crianças, identidade de gênero, alimentação e religião. Analistas avaliam que a estratégia pode afastar moderados e mobilizar a base republicana.

Na terça-feira (3), eleitores dos Estados Unidos vão escolher representantes para o Congresso nas eleições de meio de mandato, conhecidas como midterms. Na reta final da campanha, candidatos republicanos têm feito ataques pessoais contra adversários democratas em disputas pelo Senado no Kansas, no Texas e em Michigan, com acusações e insinuações sobre crianças, identidade de gênero, alimentação e religião.

Os episódios ocorrem em um cenário de queda de popularidade do presidente Donald Trump, líder do Partido Republicano, e de insatisfação com a alta dos preços. Analistas políticos afirmam que mensagens agressivas podem afastar eleitores moderados, mas também mobilizar a base republicana. Democratas dizem temer que as acusações influenciem parte do eleitorado em disputas importantes para o controle do Senado.

No Kansas, o senador republicano Roger Marshall, que enfrenta uma disputa apertada, insinuou, sem apresentar fundamento, que o democrata Adam Hamilton “provavelmente está aliciando crianças”. Um porta-voz de Hamilton, Tyson Brody, afirmou que Marshall recorria a “difamações cada vez mais desequilibradas e inexplicáveis”. O episódio não provocou críticas republicanas significativas, segundo a matéria.

No Texas, republicanos tentam apresentar James Talarico, candidato democrata ao Senado, como extremista. O vice-presidente JD Vance sugeriu em um comício que Talarico era gay e afirmou que ele era “obcecado e concentrado em crianças transgênero”, em referência a declarações anteriores do democrata em apoio a jovens trans. Talarico tem namorada, disse que não é vegano e afirmou que sua campanha “funciona à base de churrasco”.

A campanha republicana também explorou a alimentação de Talarico: a porta-voz do Comitê Nacional Republicano do Senado, Bernadette Breslin, afirmou em comunicado que, “se Talarico não queria ser chamado de inimigo da carne, não deveria ter anunciado que sua campanha se tornaria vegana”. Trump passou a chamá-lo de “Talafreako”, um trocadilho que pode ser traduzido como “Talaestranho”.

Em Michigan, o candidato democrata Abdul El-Sayed tem sido alvo de ataques relacionados à sua fé muçulmana. Trump o descreveu como “um jihadista cruel e violento”. Em um comício do republicano Mike Rogers em Plainwell, na quinta-feira (29), o senador Tim Sheehy, de Montana, disse que os eleitores deveriam ter medo de apoiar El-Sayed e o chamou de “islamista radical que odeia este país”.

Questionado sobre as declarações de Sheehy, Rogers disse: “Vocês não me ouviram dizer nenhuma dessas coisas”. El-Sayed respondeu que a campanha de Rogers se concentra em seu nome e em sua fé. “Meu nome e minha fé não são o motivo pelo qual vocês não conseguem pagar pela gasolina. Meu nome e minha fé não são o motivo pelo qual vocês não conseguem comprar mantimentos”, afirmou em um comício no domingo.

Breslin também acusou El-Sayed de ter “prometido apoio” a um regime terrorista. O democrata afirmou ser leal à Constituição dos Estados Unidos. Ataques islamofóbicos já apareceram em campanhas americanas, mas, em ocasiões anteriores, candidatos dos dois partidos procuraram rejeitá-los. Em 2008, o republicano John McCain defendeu Barack Obama após uma eleitora questionar a lealdade de Obama por ser árabe.

O ex-senador republicano Jeff Flake, crítico de Trump, classificou a escalada da retórica como “terrível”. Ele disse que os republicanos se tornaram “cada vez mais grosseiros, rudes e vulgares” e avaliou que o partido chegou a “um novo patamar”. A cientista política Christina Greer, professora da Universidade Fordham, considerou esta a pior temporada eleitoral e atribuiu o tom à disputa por atenção nas redes sociais e à imitação do estilo de Trump.

Os democratas também recorreram a ataques pessoais, inclusive acusações de corrupção contra republicanos. Na Califórnia, mensagens publicadas neste ano pelo gabinete do governador Gavin Newsom sugeriram que conservadores eram gays. Ainda assim, os ataques republicanos se destacam pela intensidade nesta campanha, segundo a avaliação apresentada por Greer.

Em Ohio, uma propaganda da campanha do republicano Vivek Ramaswamy, candidato a governador, provocou críticas por expor a relação da adversária democrata Amy Acton com a mãe. Acton já havia dito que não fala com ela desde os 12 anos, quando seu padrasto foi acusado de estuprá-la. O governador republicano Mike DeWine classificou o anúncio como “profundamente, profundamente perturbador”; Trump e Vance o defenderam. Em um comício no estado, o ex-presidente Barack Obama disse estar perplexo com a queda dos padrões de comportamento político.

As eleições de meio de mandato ocorrem no meio do mandato presidencial e renovam cadeiras do Congresso. O resultado pode alterar o equilíbrio de poder entre republicanos e democratas no Legislativo. A votação está marcada para terça-feira (3), e as campanhas têm concentrado esforços nos últimos dias para convencer eleitores antes da abertura das urnas.

Para entender

Midterms
São eleições realizadas no meio do mandato presidencial nos Estados Unidos. Elas renovam cadeiras do Congresso e podem alterar o equilíbrio de poder entre os partidos no Legislativo, influenciando a capacidade do presidente de aprovar sua agenda.

Fontes: Folha de S.Paulo

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