Pular para o conteúdo
Quarta-feira, 4 de novembro de 2026

Represa Guarapiranga recua após cheia e registra nível de 89,8%

O reservatório atingiu 97,7% em 26 de outubro após chuvas acima da média; o Parque da Barragem e a Praia do Sol seguem fechados.

Por Redação Plantão Paulista 3 min de leitura
Imagem gerada por IA: Água da represa Guarapiranga cobre parte de um parque e a margem próxima à vegetação. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Água da represa Guarapiranga cobre parte de um parque e a margem próxima à vegetação.
Resumo em 30 segundos

A Guarapiranga chegou a 97,7% da capacidade em outubro, após chuvas muito acima da média, e recuou para 89,8% em 4 de novembro. A cheia alagou áreas de lazer, manteve parques e praias fechados e levou capivaras a buscar áreas secas. A operação libera água de forma controlada para o rio Pinheiros.

A represa de Guarapiranga, na Zona Sul de São Paulo, chegou a 97,7% da capacidade em 26 de outubro, o segundo maior nível da série histórica, em meio a chuvas acima da média. A cheia alagou áreas de lazer e campos de futebol, manteve o Parque da Barragem fechado por mais de um mês e levou animais a buscar áreas secas perto da Avenida Atlântica. Nesta quarta-feira, 4 de novembro, o reservatório estava em 89,8%, o menor índice em quase dois meses.

O nível máximo recente foi registrado em 23 de setembro, quando a represa alcançou 97,9%. Antes disso, os maiores índices citados na série haviam sido 96%, em 1983, e 94%, em 2009. Na mesma data de hoje, há dois anos, o nível era de 40%.

A chuva é apontada como principal causa da elevação. Em outubro, foram registrados 232 milímetros de precipitação, mais que o dobro da média histórica do mês, de 114 milímetros. Em setembro, choveu 342 milímetros, ante uma média de 75 milímetros. Os dois meses costumam ser períodos de seca, quando o reservatório geralmente atinge seus níveis mais baixos.

A Empresa Metropolitana de Águas e Energia (Emae), responsável pela operação do reservatório, informou que a Guarapiranga permanece dentro dos níveis de segurança operacional. Desde 26 de outubro, a empresa libera água de forma controlada para o rio Pinheiros, como medida preventiva contra cheias. A companhia afirmou que monitora continuamente o reservatório e as condições meteorológicas.

A SP Águas, vinculada à Secretaria do Meio Ambiente, disse que acompanha as manobras da Emae por meio de uma sala de situação, com monitoramento dos níveis, das vazões e dos volumes armazenados. A liberação controlada é uma operação para reduzir o volume retido no reservatório, enquanto as equipes observam as condições para evitar riscos associados ao excesso de água.

O Parque da Barragem, administrado pela prefeitura, está fechado há mais de um mês. A pista de caminhada e os bancos ficaram submersos, enquanto um campo de futebol próximo foi quase alcançado pela água. Em outro campo, pertencente a um clube particular, o gramado estava alagado e coberto por algas. A Praia do Sol, a mais conhecida das 18 praias regulamentadas pela prefeitura no entorno da represa, também permanecia fechada, com a faixa de areia tomada pela água.

Marinas da região passaram várias semanas com água acima dos tornozelos. Na Ilha dos Amores, ponto de lazer que costuma receber visitantes em embarcações nos fins de semana, árvores ficaram submersas e restou pouca área seca. Outras pequenas praias do entorno também estavam alagadas, interrompendo atividades de lazer.

A cheia afetou ainda a fauna. Um casal de capivaras foi visto na semana passada no canteiro central da Avenida Atlântica. O ambientalista Cesar Pegoraro, da Fundação SOS Mata Atlântica, afirmou que os animais procuram capim em áreas mais altas quando as margens ficam inundadas. Segundo ele, a vegetação de que se alimentam não cresce submersa.

Pegoraro também relacionou a situação a mudanças no uso do solo e ao assoreamento, processo em que sedimentos se acumulam no fundo e tornam o reservatório mais raso. Ele citou a expansão de moradias irregulares na região, muitas sem tratamento de esgoto, e a ocupação de áreas de preservação em municípios como Itapecerica da Serra e Embu. Na avaliação do ambientalista, a água drenada dessas áreas pode chegar à represa carregando sedimentos e esgoto.

A Guarapiranga é o segundo maior reservatório da Região Metropolitana de São Paulo e produz água para cerca de 5 milhões de pessoas. Inaugurada em 1908 para atender à usina hidrelétrica de Parnahyba, hoje Edgard de Souza, passou a ser usada para abastecimento em 1924. Com 27 quilômetros quadrados de área alagada, tem capacidade para armazenar mais de 170 bilhões de litros e também é utilizada para esportes náuticos e lazer. O entorno reúne cinco parques, quatro deles lineares, e abriga ao longo do ano pelo menos 261 espécies de aves, segundo relatório publicado neste ano na Revista do Instituto Florestal.

Fontes: O Globo

Este texto foi produzido com apoio de inteligência artificial a partir de informações públicas, com checagens automáticas de fatos e de originalidade. Encontrou um erro? Avise-nos.

Leia também