Defesa Civil de SP inicia operação contra chuvas do El Niño
A ação prevê alertas com dados da Earth Networks, boletins diários de risco para três dias e monitoramento de eventos extremos até o fim de 2027.
Resumo em 30 segundos
A Operação SP Sempre Alerta – El Niño 2026/2027 começou em 15 de outubro, 45 dias antes do período habitual de prevenção às chuvas intensas. A Defesa Civil de São Paulo usará dados da Earth Networks para estimar a chegada e o deslocamento de tempestades e emitir alertas. O plano também prevê boletins diários, coordenação entre órgãos e medidas de preparação para impactos na saúde.
A Defesa Civil de São Paulo iniciou nesta quinta-feira, 15, a Operação SP Sempre Alerta – El Niño 2026/2027 e passou a usar dados da Earth Networks para estimar quando tempestades devem atingir cidades e regiões do Estado. A ferramenta também ajuda a identificar a intensidade potencial das nuvens carregadas e a direção do deslocamento das chuvas, com o objetivo de ampliar o tempo disponível para ações preventivas.
As informações da rede global de monitoramento meteorológico são incorporadas desde o mês passado ao Painel de Inteligência SP Sempre Alerta, sistema usado pela Defesa Civil para acompanhar ameaças e orientar respostas. Segundo o coordenador do órgão, coronel Rinaldo de Araújo Monteiro, os dados permitem observar a trajetória das chuvas, a presença de raios e o tempo estimado até a chegada do temporal a determinado local.
“Com a nova tecnologia, conseguimos uma antecedência que é crucial para as pessoas se protegerem até o evento passar, o que pode salvar vidas”, afirmou Monteiro. Quando o monitoramento identifica risco imediato, a equipe avalia a severidade e delimita em um mapa a área que pode ser atingida; os avisos são direcionados à população desse perímetro.
A operação começa 45 dias antes do período habitual da ação anual de prevenção às chuvas intensas, que normalmente vai de 1º de dezembro a 31 de março. A iniciativa poderá continuar depois de março, caso as condições meteorológicas exijam. O acompanhamento de eventos extremos, como temporais, ondas de calor, estiagens e incêndios florestais, foi estendido até o fim de 2027.
A Defesa Civil também prevê boletins meteorológicos diários, com classificação de risco para cada regional e horizonte de três dias. As regiões serão distribuídas em quatro níveis operacionais, conforme a gravidade do cenário e a necessidade de preparação, mobilização ou resposta. As informações devem ajudar as defesas civis municipais a planejar medidas antes da chegada de fenômenos severos.
Um gabinete especial reunirá representantes do governo estadual, concessionárias de água, energia e gás, polícias e Corpo de Bombeiros para coordenar as ações. O governo afirma que sua estratégia de adaptação climática prevê cerca de R$ 30 bilhões em investimentos até 2029, voltados à segurança hídrica, à prevenção de enchentes e ao reforço da infraestrutura.
A operação foi anunciada em meio à expectativa de efeitos de um El Niño forte. Monteiro disse que agências americanas apontam a possibilidade de um fenômeno intenso entre outubro e março e que São Paulo já observou reflexos no volume de chuva desde setembro. Ele citou temporais em Ribeirão Preto e inundações no Vale do Ribeira entre os eventos recentes que, segundo a Defesa Civil, reforçam a necessidade de preparação.
Desde dezembro passado, o Estado também usa o sistema cell broadcast para enviar alertas diretamente a celulares conectados a antenas com sinal 4G ou 5G. A tecnologia não exige internet nem a instalação de aplicativos. A combinação desse mecanismo com o monitoramento meteorológico permite avisar moradores de áreas delimitadas quando há risco próximo.
A Defesa Civil recomenda que, ao receber um alerta, as pessoas procurem abrigo seguro, permaneçam longe de janelas e árvores, desliguem aparelhos elétricos da tomada e não atravessem áreas alagadas. O órgão afirma que seguir essas orientações é importante: em Jaboticabal, um homem morreu após uma árvore cair sobre o carro em que estava no domingo de eleição, 4 de outubro, apesar de a região ter recebido um aviso.
Ao menos 18 pessoas morreram neste ano no Estado em ocorrências associadas a temporais, segundo a Defesa Civil. Onze mortes foram causadas por alagamentos e enxurradas, cinco por quedas de árvores e uma pela queda de um muro; a matéria também registra uma morte em deslizamento na Brasilândia, zona norte da capital, na quarta-feira. A chuva daquele dia provocou transtornos em diferentes partes da cidade.
O plano inclui ainda medidas para preparar a Saúde para os efeitos do El Niño, com vigilância epidemiológica 24 horas, reforço de medicamentos e vacinas e oferta de telessaúde a pacientes em áreas afetadas por alagamentos. Entre as preocupações estão doenças transmitidas por mosquitos, como dengue, chikungunya, zika e febre amarela, além de leptospirose, hepatite A e doenças diarreicas associadas à água contaminada.
Para entender
- Earth Networks
- Empresa de monitoramento meteorológico que opera uma rede global de observação. Seus dados podem ajudar a acompanhar tempestades, raios e o deslocamento de sistemas de chuva, informações usadas pela Defesa Civil paulista para estimar riscos e orientar alertas.
- Cell broadcast
- Tecnologia de envio de mensagens de alerta para celulares conectados a antenas de telefonia em uma área delimitada. Diferentemente de aplicativos de mensagens, pode funcionar sem internet e não exige que o usuário instale um aplicativo.