Relapse amplia usos do PS5 desbloqueado e expõe riscos
Compatível com firmwares de 7.00 a 14.10, o jailbreak permite emuladores e apps não oficiais, mas não confirma que GTA 6 rode no console modificado.
Resumo em 30 segundos
O Relapse permite executar programas não oficiais em alguns modelos de PS5, abrindo espaço para emuladores como o PS5SX2 e ferramentas de outras plataformas. O desbloqueio precisa ser reativado após cada reinicialização e envolve riscos de segurança, compatibilidade e acesso à PSN. Não há confirmação de que GTA 6 funcione em consoles modificados.
O desbloqueio Relapse abriu novas possibilidades para alguns modelos do PlayStation 5 (PS5), incluindo a execução de programas não oficiais e emuladores. Divulgado no fim de setembro de 2026, o método funciona em consoles com versões do sistema entre 7.00 e 14.10, mas não é permanente: é preciso reativá-lo após cada reinicialização.
O Relapse explora vulnerabilidades do sistema para permitir a execução de códigos não autorizados pela Sony. Isso dá acesso a ferramentas criadas pela comunidade, chamadas de homebrew, que podem obter permissões avançadas no console. O desbloqueio está disponível tanto para o PS5 convencional quanto para o PS5 Pro, desde que o aparelho use um firmware compatível.
Uma das iniciativas que aproveitam o desbloqueio é o PS5SX2, uma adaptação do emulador PCSX2 para rodar jogos de PlayStation 2 (PS2) diretamente no console. Emulação é a reprodução, por software, do funcionamento de outro sistema. Atualizações do projeto incluem opções de resolução e melhorias visuais; em algumas configurações, jogos podem alcançar 60 ou 120 quadros por segundo. No PS5 Pro, há também escalonamento de resolução em até oito vezes, conforme o título e os ajustes usados.
O PS5SX2 passou a oferecer suporte experimental para reconhecer discos físicos de PS2, copiar os dados para o armazenamento do console e iniciar os jogos pelo emulador. O recurso, porém, não equivale à retrocompatibilidade oficial: depende do desbloqueio e de configurações específicas, e a compatibilidade varia entre os títulos. Melhorias gráficas e de desempenho também podem ter limitações.
Outra ferramenta que ganhou atenção é o Overdrive, uma loja digital não oficial criada para consoles desbloqueados. O catálogo reúne mais de mil jogos de PS4 e PS5 sem cobrança, embora os títulos não tenham sido disponibilizados gratuitamente por suas produtoras. A distribuição ocorre sem autorização dos titulares dos direitos autorais, o que levanta questões de pirataria. Após a remoção do projeto original do GitHub, cópias e versões clonadas apareceram.
O uso de aplicativos não oficiais também pode expor o console a arquivos adulterados e falhas de segurança. A Sony pode tomar medidas contra contas ou aparelhos que violem as regras de uso da PlayStation Network (PSN), embora a ativação do Relapse não signifique banimento automático. Não há garantia de que uma conta ou console ficará livre de consequências. Ferramentas de desbloqueio ainda podem comprometer o acesso a serviços online, e manter um firmware antigo impede o recebimento de atualizações de segurança e correções oficiais.
O PS5CEMU-HAR reúne emuladores de outras plataformas para funcionar no console modificado. Entre eles estão o Cemu, voltado a jogos de Wii U; o Azahar, para títulos de Nintendo 3DS; e o melonDS, para jogos de Nintendo DS. Um exemplo que chamou atenção foi The Legend of Zelda: Breath of the Wild, executado pela versão de Wii U do jogo, não pela edição de Nintendo Switch. No PS5 desbloqueado, o título apareceu em resolução 4K e a cerca de 30 quadros por segundo, com uso do controle DualSense.
Em sentido contrário, o AnyPS5 tenta fazer jogos desenvolvidos para o console rodarem em computadores com Windows ou Linux. O projeto recompila executáveis e implementa funções necessárias ao funcionamento no PC, em vez de reproduzir todo o console por meio de um emulador tradicional. Ainda está em desenvolvimento: God of War: Sons of Sparta e Ghost of Yotei foram executados, mas não estão completos.
A repercussão dos projetos também alimentou dúvidas sobre GTA 6, mas não há confirmação de que o jogo funcionará em um PS5 desbloqueado. Um console mantido em firmware antigo para preservar o jailbreak pode não ter os componentes de sistema exigidos por um lançamento recente. A compatibilidade dependerá das exigências do jogo e de avanços técnicos; mesmo uma eventual execução em ambiente não oficial não garantiria atualizações, suporte ou acesso a serviços online.
Assim, o Relapse não elimina as limitações do console nem oferece uma forma comprovada de jogar GTA 6. Quem pretende usar o videogame modificado precisa considerar os riscos para a segurança, a compatibilidade e o acesso à PSN, além da possibilidade de perder funções disponíveis no sistema oficial.