Reino Unido descarta indenizações pela escravidão e discute desculpas
Na cúpula da Commonwealth, o governo britânico abriu diálogo com países-membros sobre um possível pedido oficial de desculpas, mas rejeitou reparações financeiras.
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O ministro britânico Ed Miliband afirmou que o Reino Unido não pretende pagar indenizações pelo papel do país na escravidão, embora aceite discutir um pedido de desculpas. A proposta de diálogo foi lançada pelo primeiro-ministro Andy Burnham na cúpula da Commonwealth, em Antígua e Barbuda, e pode avançar até o G20 de 2027, em Manchester.
O ministro das Relações Exteriores do Reino Unido, Ed Miliband, afirmou que o governo não considera viável pagar indenizações pelo papel britânico na escravidão. A declaração foi feita durante a cúpula da Commonwealth, realizada nos últimos dias em Antígua e Barbuda, após o primeiro-ministro Andy Burnham propor um diálogo com países-membros sobre o tema e abrir a possibilidade de um pedido oficial de desculpas.
Miliband disse que o governo está disposto a discutir desculpas, mas não pretende rever sua posição contrária a reparações financeiras. Para ele, uma compensação desse tipo seria impossível de implementar. As indenizações são reivindicadas por algumas ex-colônias britânicas em razão do tráfico transatlântico de escravizados e do colonialismo.
Burnham anunciou a abertura do diálogo durante a reunião de líderes da Commonwealth, associação de países em grande parte ligados historicamente ao antigo Império Britânico. Miliband sugeriu que as conversas poderiam levar a um pedido de desculpas na cúpula do G20 prevista para o fim de novembro de 2027, em Manchester, quando o Reino Unido estará na presidência do grupo.
A possibilidade de desculpas recebeu críticas da líder conservadora Kemi Badenoch. Em entrevista à Sky News no domingo, ela afirmou que a iniciativa poderia abrir caminho para reivindicações financeiras. Já o presidente de Gana, John Dramani Mahama, elogiou a proposta de diálogo e disse, na terça-feira, que ela é um primeiro passo para continuar trabalhando e buscar deixar para trás a questão do tráfico e do colonialismo.
Na abertura da cúpula, também na terça-feira, o rei Charles III manifestou horror diante da escravidão e a classificou como uma injustiça monstruosa. Ele ressaltou, porém, o papel da Marinha Real britânica no combate ao tráfico, ao interceptar navios negreiros.
O comércio e o transporte de pessoas escravizadas foram proibidos pelo Reino Unido em 1807. A escravidão foi abolida em 1833 pelo Parlamento britânico na maior parte do Império, mas as discussões atuais tratam das consequências históricas do tráfico e do domínio colonial, além de possíveis formas de reconhecimento e reparação.
Charles III encerra nesta quarta-feira uma viagem de nove dias pelo Caribe e pela Guiana. A cúpula da Commonwealth reuniu líderes dos países da organização em Antígua e Barbuda, onde Burnham lançou a proposta de diálogo que pode seguir até o encontro do G20 em Manchester.
Para entender
- Commonwealth
- Associação de países independentes, muitos deles com vínculos históricos com o Império Britânico. Seus membros cooperam em áreas como desenvolvimento, educação e governança, e se reúnem periodicamente em cúpulas de líderes.