Receita apreende 135 toneladas na Operação Play Fake no Rio
A carga, importada da China, tinha indícios de fraude aduaneira e foi avaliada em R$ 63 milhões; em São Paulo, outra operação recolheu 52,5 mil itens.
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Na Operação Play Fake, a Receita Federal apreendeu nove contêineres com 135 toneladas de mercadorias irregulares no porto do Rio. A fiscalização encontrou brinquedos e outros produtos ocultos atrás de itens declarados como de baixo valor. Em São Paulo, uma ação policial recolheu 52,5 mil produtos em estabelecimentos comerciais.
A Receita Federal apreendeu nove contêineres com brinquedos e outros produtos irregulares no porto do Rio, entre o fim de setembro e o início de outubro. Batizada de Operação Play Fake, a fiscalização encontrou 135 toneladas de mercadorias, avaliadas em R$ 63 milhões, importadas da China e com indícios de fraude aduaneira. Em outra ação, a Polícia Civil de São Paulo recolheu 52,5 mil produtos em lojas da capital no dia 7.
A Receita informou que a operação no porto ocorreu em duas etapas, após uma análise de risco apontar inconsistências nas declarações de importação. Os documentos indicavam produtos de baixo valor, mas, na inspeção física, os fiscais verificaram que os itens declarados estavam apenas na parte da frente dos contêineres. No fundo, havia brinquedos, pelúcias, bonecos colecionáveis e cartas de jogos ligados a franquias conhecidas.
A irregularidade não se limita à falsificação de marcas. Brinquedos sem certificação do Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro), sem documentação, subfaturados ou contrabandeados também são considerados irregulares. A certificação é exigida para demonstrar que o produto passou por avaliações de conformidade e atende aos requisitos aplicáveis à comercialização no Brasil.
A Receita apreendeu brinquedos irregulares avaliados em R$ 48,7 milhões até setembro. O valor acumulado em nove meses ficou próximo do total de 2025, quando o órgão reteve R$ 51,7 milhões em mercadorias. Em 2024, o montante foi de R$ 31,1 milhões.
A fiscalização também ocorreu no comércio varejista. Na Operação Brinquedo Seguro, a Polícia Civil paulista recolheu quase 51 mil itens em um imóvel no centro histórico da capital e outros 1,7 mil em um estabelecimento no Canindé. Entre os produtos havia bonecos, miniaturas, pelúcias, brinquedos de montar, artigos de plástico e jogos infantis. Cinco pessoas que se identificaram como responsáveis pelos produtos serão investigadas.
Um dos alvos da operação foi o squishy, brinquedo macio e elástico. Segundo a polícia, unidades sem selo de homologação podem conter substâncias potencialmente cancerígenas e causar queimaduras. A ingestão também pode provocar obstrução intestinal ou das vias respiratórias, conforme comunicado do governo paulista.
O Instituto de Pesos e Medidas do Estado de São Paulo (Ipem-SP), órgão delegado do Inmetro, fiscalizou 171 mil mercadorias até setembro e apreendeu 5,7 mil. O total retido já supera o de todo o ano passado, quando foram recolhidos 4,2 mil itens entre 174 mil verificados. O selo do Inmetro permite identificar que o produto foi submetido aos procedimentos de avaliação exigidos; sem ele, não há essa comprovação.
Synésio Costa, presidente da Associação Brasileira dos Fabricantes de Brinquedos (Abrinq), relacionou o avanço dos produtos irregulares a mudanças na indústria chinesa. Segundo ele, o país tem direcionado sua política industrial a produtos de maior tecnologia, enquanto a capacidade de fabricar brinquedos mais simples continua disponível para abastecer outros mercados a preços baixos, inclusive por rotas ilegais. Costa também afirmou que a estrutura de fiscalização não alcança o volume de mercadorias que entra no Brasil e que há falsificação de selos.