PUC-Rio investiga denúncia de racismo contra memória de Marielle Franco
Luyara Franco relatou que uma pessoa chamou a mãe de “macaca” em um grupo de WhatsApp; a universidade não informou prazo para concluir a apuração.
Resumo em 30 segundos
A PUC-Rio abriu uma investigação interna após receber denúncias de comentários racistas sobre Marielle Franco, ex-aluna da instituição. A filha da ex-vereadora, Luyara Franco, relatou que a ofensa foi feita em um grupo de WhatsApp. A universidade diz que apura o caso e poderá adotar medidas administrativas e legais.
A Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) abriu uma investigação interna para apurar uma denúncia de racismo contra a memória de Marielle Franco, ex-vereadora do Rio assassinada em 2018. A universidade informou na sexta-feira, 30, que recebeu relatos de que um aluno teria feito comentários racistas sobre a ex-aluna, formada em Ciências Sociais pela instituição.
A denúncia foi divulgada por Luyara Franco, filha de Marielle, em uma publicação nas redes sociais. Segundo ela, em um grupo de WhatsApp, uma pessoa chamou sua mãe de “macaca” e questionou como ela teria conseguido pagar a faculdade.
Luyara afirmou que os ataques à memória da mãe provocam dor e revolta, mas não vão silenciar a família. “Racismo é crime! Exigimos respeito, apuração e posicionamento da PUC-Rio”, escreveu. Ela também destacou a trajetória de Marielle como uma mulher negra que chegou à universidade por meio de seu trabalho e de seu compromisso com a transformação social.
A PUC-Rio informou que abriu o procedimento depois de receber denúncias pela ouvidoria e por um canal externo. A apuração ocorre no âmbito do Programa de Integridade da instituição, que reúne mecanismos internos para investigar relatos de irregularidades e orientar medidas administrativas. A universidade afirmou que está adotando as providências cabíveis, inclusive legais.
Em nota assinada pela reitoria, a instituição declarou que repudia atos discriminatórios cometidos por integrantes de sua comunidade e reafirmou seu compromisso com a justiça e a dignidade das pessoas. Também afirmou que racismo e injúria racial são crimes que devem ser apurados pelas autoridades competentes, conforme a lei.
A universidade citou Marielle e a professora Lélia Gonzalez como referências que passaram pela instituição e contribuíram para o debate sobre raça e gênero no país. A PUC-Rio não detalhou quais palavras foram atribuídas ao aluno nem informou o andamento ou o prazo da investigação.
A busca por informações sobre Luyara Franco está relacionada à sua atuação pública como filha de Marielle e às manifestações após o episódio. Ela foi quem relatou a ofensa atribuída ao integrante da comunidade universitária. A investigação interna deverá apurar as circunstâncias do caso e avaliar as medidas administrativas aplicáveis; eventuais responsabilidades criminais cabem às autoridades competentes.