Professora Ana Nickel relata como protegeu crianças em invasão
Treze alunos de 3 e 4 anos ficaram sob ameaça por cerca de três horas no CMEI São Braz, em Curitiba; o invasor foi morto pela polícia.
Resumo em 30 segundos
Ana Nickel protegeu 13 crianças durante a invasão de um homem ao CMEI São Braz, em Curitiba. O episódio durou cerca de três horas e terminou com a entrada da polícia, que matou o invasor. As crianças foram resgatadas sem ferimentos graves. A professora relata dificuldades para retomar a rotina após o ataque.
A professora Ana Nickel, de 23 anos, protegeu 13 crianças de 3 e 4 anos durante uma invasão ao Centro Municipal de Educação Infantil (CMEI) São Braz, em Curitiba, na sexta-feira (9). O homem que entrou na unidade manteve a educadora e os alunos sob ameaça por cerca de três horas, até ser morto a tiros por policiais; as crianças foram resgatadas sem ferimentos graves.
A turma voltava do refeitório após um piquenique quando o invasor, que havia pulado o muro da escola, abordou Ana na porta da sala. Naquele momento, 13 dos 20 alunos já tinham retornado. Segundo a professora, ele mostrou uma arma e a obrigou a entrar com as crianças, enquanto gritava e ameaçava matá-las.
Ana mandou os alunos se deitarem no tapete, conforme o protocolo da creche, e tentou acalmá-los. Ela disse que os tranquilizou afirmando que a situação era uma brincadeira e que as mães chegariam em breve. O homem também tinha uma faca e ordenou que as cortinas fossem fechadas, embora, segundo ela, já estivessem cobertas.
Em determinado momento, ele encostou a arma no pescoço da professora e a retirou da sala, onde permaneceu trancado com as crianças por mais duas horas. A educadora relatou que o invasor falava em um acerto de contas, sem explicar a que se referia, e chegou a ameaçar incendiar a escola. Depois de tentativas de negociação, a polícia entrou na sala e atirou no homem. A arma foi posteriormente identificada como falsa, e a identidade dele não foi divulgada.
A Polícia Civil do Paraná abriu inquérito para investigar suspeitas de lesão corporal, ameaça, sequestro e cárcere privado, além de posse ou porte ilegal de arma de fogo de uso restrito. Dispositivos eletrônicos do suspeito foram apreendidos e encaminhados para perícia. A investigação ainda busca esclarecer a motivação da invasão.
Ana afirma que segue em estado de alerta, com o coração acelerado e dificuldade para sair de casa. Ela voltou às aulas duas semanas antes do ataque, após afastamento por síndrome de burnout, e disse que precisou iniciar uma nova medicação. A professora, que cursa psicologia, não sabe se conseguirá voltar a lecionar.
A unidade atende 57 crianças e tem 15 profissionais. De acordo com a Secretaria de Educação de Curitiba, a maioria dos alunos retornou às atividades na quarta-feira (14), após uma reforma e a instalação de medidas de segurança, como câmeras, botão de pânico e reforço da Patrulha Escolar.
A prefeitura também oferece apoio psicológico gratuito a alunos, familiares e professoras. A secretaria informou que os profissionais recebem orientações para situações de risco por meio do protocolo Conhecer para Prevenir. Ana afirmou que professores precisam de atenção à saúde mental e de segurança, porque também sentem medo e dor diante de episódios como o vivido na creche.