Prefeitura de São Paulo exige reconhecimento facial no Smart Sampa
A exigência também valerá para promotores do Ministério Público; a prefeitura adotou autenticação em dois fatores após vazamento que expôs o acesso a 58 mil câmeras.
Resumo em 30 segundos
Servidores municipais e promotores do Ministério Público de São Paulo terão de usar reconhecimento facial para acessar as câmeras do Smart Sampa. A mudança foi anunciada uma semana após o vazamento de dados sigilosos. A prefeitura também adotou autenticação em dois fatores e afirma que um agente autorizado divulgou as informações ilegalmente.
A Prefeitura de São Paulo passará a exigir reconhecimento facial dos servidores que acessam o sistema de câmeras do Smart Sampa. O prefeito Ricardo Nunes (MDB) anunciou a medida nesta terça-feira, 27, uma semana depois de um vazamento expor dados sigilosos e permitir acesso a mais de 58 mil câmeras da plataforma.
O reconhecimento facial será exigido também de promotores do Ministério Público de São Paulo, que tem um acordo de cooperação com a prefeitura para consultar o sistema. As imagens são usadas pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e poderão ajudar a identificar agressores domésticos que ainda não tenham sido notificados pela Justiça sobre medidas protetivas.
A prefeitura confirmou que houve vazamento e informou que retirou do ar o repositório com os dados. A gestão municipal negou falha de segurança e afirmou que as informações foram divulgadas ilegalmente por um agente que tinha autorização para acessar o sistema. Segundo Nunes, o servidor é concursado, entrou na prefeitura em 2023 e está afastado enquanto é investigado. O prefeito disse que o processo pode levar à demissão do funcionário.
O caso também levou à adoção de autenticação em dois fatores, recurso que exige uma segunda confirmação de identidade além da senha. Especialistas em cibersegurança haviam criticado a ausência dessa proteção. Nunes voltou a negar que tenha ocorrido invasão ao sistema.
O Smart Sampa reúne mais de 50 mil câmeras públicas e de parceiros privados espalhadas pela capital. A plataforma usa inteligência artificial para analisar imagens e identificar ocorrências. Quando detecta um suspeito ou um crime, o sistema considera a localização das viaturas para indicar a equipe mais próxima e encaminhar a ela as imagens.
A prefeitura afirma que o programa contribuiu para capturar 3.628 foragidos e localizar 284 pessoas desaparecidas. A operação custa até R$ 10 milhões por mês, segundo a administração municipal. O sistema é uma das principais iniciativas da gestão de Nunes na área de segurança pública.
Especialistas defendem o uso de tecnologia no policiamento, mas apontam a necessidade de fiscalização e regras para o acesso e a utilização das imagens. Entre os riscos associados ao reconhecimento facial estão identificações imprecisas, abordagens indevidas e violações de privacidade. Cidades dos Estados Unidos, como Baltimore e San Francisco, já aboliram o uso da tecnologia por órgãos públicos.