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Quinta-feira, 15 de outubro de 2026

Polícia Civil indicia nove por milícia em condomínio de Nova Iguaçu

Investigação aponta cobrança de R$ 70 a R$ 80 por apartamento e arrecadação mensal de até R$ 100 mil; dois suspeitos eram procurados na operação.

Por Redação Plantão Paulista 3 min de leitura
Imagem gerada por IA: Policiais fazem buscas na entrada de um grande condomínio residencial em Nova Iguaçu. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Policiais fazem buscas na entrada de um grande condomínio residencial em Nova Iguaçu.
Resumo em 30 segundos

Nove pessoas foram indiciadas sob suspeita de integrar uma milícia que cobrava taxas de moradores de um condomínio com mais de mil apartamentos em Jardim Guandu, Nova Iguaçu. A Polícia Civil fez buscas e tentava prender dois investigados. Um sargento da PM também é investigado, mas foi liberado após ser levado à delegacia. A polícia apura possível relação entre as extorsões e um homicídio ocorrido em 2025.

A Polícia Civil indiciou nove pessoas por suspeita de integrar uma milícia que cobrava taxas ilegais de moradores de um condomínio com mais de mil apartamentos em Jardim Guandu, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. O grupo, apontado como comandado por Gilson Ingrácio de Souza Junior, conhecido como Juninho Varão, arrecadaria entre R$ 80 mil e R$ 100 mil por mês, segundo a investigação da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas e Inquéritos Especiais (Draco/IE).

Nesta quarta-feira, agentes da Draco cumpriram mandados de busca e apreensão no condomínio e em endereços relacionados aos investigados. A operação também tinha como objetivo executar dois mandados de prisão, expedidos pela 3ª Vara Especializada em Organização Criminosa. Filipe Alves da Silva, conhecido como Filipinho, e Marcos Francisco dos Prazeres Junior eram procurados; ambos são apontados pela polícia como integrantes do esquema e estavam foragidos.

A polícia afirma que os moradores eram cobrados em R$ 70 a R$ 80 por unidade residencial. O valor poderia dobrar em caso de atraso. Quem não pagasse estaria sujeito a ameaças de expulsão e de morte, de acordo com a investigação. O condomínio tem dez blocos, e os investigadores dizem que a milícia teria escolhido pessoas para substituir os síndicos e organizar a cobrança em cada um deles.

Segundo a delegada Luciana Fonseca, da Draco, o dinheiro era repassado a Filipinho, apontado como um dos responsáveis pela cobrança e homem de confiança de Varão. Marcos Francisco dos Prazeres Junior seria encarregado de ir às casas dos moradores que se recusavam a pagar e pressioná-los com ameaças de violência física e expulsão, afirmou a delegada.

A apuração começou nos primeiros meses de 2026, após denúncias de moradores sobre extorsões. Na ocasião, três pessoas foram presas no local, e os agentes apreenderam armas e celulares. A análise dos telefones, segundo a delegada, ajudou a identificar a estrutura montada no condomínio, incluindo a participação de pessoas que atuariam como síndicos em nome do grupo.

Durante a operação desta quarta-feira, foram recolhidos computadores, celulares, cadernos com anotações, chaves de imóveis, um distintivo falso e um bastão de madeira. O objeto foi encontrado dentro de uma picape. O material apreendido será analisado no curso da investigação.

Um sargento da Polícia Militar, lotado no 7º Batalhão de Polícia Militar (BPM), em Alcântara, também é investigado. A polícia suspeita que ele interferia na administração do condomínio e participava da estrutura de intimidação. Segundo a delegada, o policial teria ajudado a organizar grupos de WhatsApp para controlar síndicos e porteiros e comparecido a reuniões sobre as cobranças.

O sargento foi alvo de busca e apreensão, realizada por agentes da Draco e da Corregedoria da Polícia Militar. Ele foi levado à delegacia, mas optou por permanecer em silêncio e não prestou depoimento. Depois, foi liberado. A investigação não informa que ele tenha sido preso.

A Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense apura se a extorsão no condomínio está relacionada à morte de Vitor Hugo Pereira Tomaz. O morador foi retirado de casa por homens armados e executado; seu corpo foi encontrado no Rio Guandu em 29 de setembro de 2025. A investigação da Draco considera que moradores que não pagavam eram ameaçados, mas a autoria e a motivação desse homicídio ainda são investigadas pela delegacia especializada.

Juninho Varão é apontado pela polícia como chefe de uma milícia com atuação em parte de Nova Iguaçu e na Zona Oeste do Rio. Ele tem seis mandados de prisão expedidos pela Justiça do Rio, conforme dados do Conselho Nacional de Justiça. A ordem mais recente citada foi emitida em 3 de fevereiro de 2026, em um caso no qual ele é suspeito de autorizar a execução de um homem ligado a uma milícia rival, em janeiro de 2025, em Santa Cruz.

Fontes: O Globo

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