Polícia Civil faz operação contra facção de Viamão e prende suspeito
A Operação Olissipo cumpre 24 mandados de prisão e 16 de busca no RS e em SC; a investigação apura tráfico, armas e ameaças a moradores.
Resumo em 30 segundos
A Polícia Civil realizou a Operação Olissipo contra uma facção investigada por tráfico de drogas, negociação de armas e munições e ameaças a moradores de um condomínio popular em Viamão. A ação prevê 24 prisões preventivas e 16 buscas. Um suspeito apontado como coordenador do tráfico foi preso em Camboriú, em Santa Catarina.
A Polícia Civil realizou nesta quinta-feira (15) a Operação Olissipo contra uma facção investigada por tráfico de drogas, negociação de armas e munições e ameaças a moradores de um condomínio popular em Viamão, na Região Metropolitana de Porto Alegre. A ação cumpriu mandados em cidades do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina, incluindo a prisão, em Camboriú (SC), de Robson Juliano Benedick, apontado como responsável por coordenar o tráfico em Viamão.
A operação prevê o cumprimento de 24 mandados de prisão preventiva e 16 de busca e apreensão. Além de Viamão e Camboriú, houve ações em Porto Alegre, São Leopoldo e Balneário Pinhal. A companheira de Benedick também foi presa, e mandados relacionados a ele foram cumpridos em Viamão.
A investigação apura ainda a atuação de um advogado que mora em Cachoeirinha. Segundo o delegado Wesley Lopes, da 2ª Delegacia de Investigações do Narcotráfico, ele é suspeito de levar ordens de lideranças presas a integrantes da organização em liberdade. A polícia afirma que a comunicação ocorria pessoalmente e por meio de aparelhos e envolvia decisões sobre pontos de venda de drogas, arrecadação de dinheiro e conflitos internos.
O delegado afirmou que a suspeita é de que a atividade do advogado tenha ido além do exercício regular da profissão. A investigação busca identificar os integrantes e as funções de cada um na estrutura, que, segundo Lopes, era comandada também de dentro do sistema prisional. A polícia diz ter identificado 24 pessoas envolvidas no esquema.
A apuração começou há cerca de dois anos, a partir de informações sobre pontos de venda de drogas em Viamão. De acordo com a Polícia Civil, uma disputa entre facções pelo domínio de um condomínio de moradias populares levou o grupo investigado a assumir o controle do local em 2024. Depois, moradores teriam sido intimidados e expulsos quando não aceitavam as ordens ou eram considerados ligados a grupos rivais.
O diretor do Departamento Estadual de Investigações do Narcotráfico (Denarc), delegado Carlos Wendt, disse que a disputa territorial incluía ameaças de morte. A polícia afirma que a organização ainda exerce controle sobre o condomínio, usado para o tráfico e para manter domínio sobre a área.
A Operação Olissipo tem como objetivo atingir lideranças e responsáveis pela gerência da facção, além de interromper o abastecimento e a distribuição de drogas. A prisão preventiva é uma medida determinada pela Justiça durante a investigação; não equivale a uma condenação.