Polícia aponta que grupo de Rabicó movimentou R$ 453 milhões
A investigação atribui a movimentação a um esquema de lavagem ligado ao tráfico em São Gonçalo; Rabicó e outros suspeitos seguem foragidos.
Resumo em 30 segundos
A Polícia Civil afirma que o grupo atribuído a Antônio Ilário Ferreira, o Rabicó, movimentou R$ 453 milhões entre 2020 e 2024. A investigação aponta uso de empresas de reciclagem, um ferro-velho e operadores financeiros para lavar recursos. Rabicó e outros suspeitos estão foragidos; as acusações ainda dependem de análise judicial.
A Polícia Civil afirma que o grupo atribuído a Antônio Ilário Ferreira, conhecido como Rabicó ou Coroa, movimentou R$ 453 milhões entre 2020 e 2024. Apontado como chefe do tráfico no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo, e integrante da cúpula do Comando Vermelho (CV), ele é investigado por suspeita de comandar um esquema de lavagem de dinheiro ligado a crimes como tráfico de drogas, extorsão, roubo e comércio ilegal de armas. Rabicó está foragido.
A investigação reuniu dados de sigilos bancário, fiscal e telemático, além de relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). Segundo a polícia, o dinheiro teria sido movimentado por meio de um ferro-velho, empresas de reciclagem consideradas de fachada e operadores financeiros. A apuração também aponta uma tentativa de misturar recursos do tráfico com valores associados à comercialização ilícita de materiais recicláveis.
Entre os suspeitos está Alex Sandro Ferreira de Araújo, conhecido como Tek, de 44 anos, apontado como compadre de Rabicó e principal operador financeiro do grupo. Embora declarasse ser pescador e recebesse renda mensal de R$ 984,84, ele teria movimentado mais de R$ 73 milhões entre agosto de 2020 e setembro de 2024. A polícia também atribui a Tek R$ 16 milhões em transferências e 136 depósitos fracionados em diferentes cidades do estado do Rio.
De acordo com a investigação, Tek controlaria duas empresas de reciclagem sem atividade comercial regular e teria recebido ordens de Rabicó por mensagens de áudio para realizar pagamentos. O delegado Moysés Santana, da Delegacia de Repressão a Entorpecentes da capital, afirmou que o operador pagava despesas do chefe do tráfico e financiava atividades criminosas com a compra de armas e drogas.
A Justiça decretou a prisão de 55 pessoas em 11 de maio, a pedido da investigação. Nove obtiveram o benefício da prisão domiciliar, enquanto pelo menos 18 continuavam foragidas, incluindo Rabicó e Tek, conforme os dados do caso. A operação deflagrada naquele dia tinha 24 mandados de prisão contra o chefe do grupo e parte de seus comparsas.
A polícia também identificou movimentações de pessoas apontadas como intermediárias. Uma mulher que se declarava cabeleireira, recebia R$ 1.500 por mês e era beneficiária de programas assistenciais teria movimentado quase R$ 3 milhões entre janeiro e julho de 2024. Segundo os investigadores, ela usava uma conta de passagem para conectar operadores financeiros a destinatários com histórico criminal e recebeu mais de R$ 125 mil atribuídos a Tek.
Outra pessoa investigada recebeu R$ 105.296 em 14 transferências via Pix feitas por essa mulher. O homem é apontado como elo entre o esquema financeiro e ações armadas da quadrilha e tem seis registros policiais por suspeitas de tráfico de drogas, roubo e porte de arma. A apuração também indica que um suposto laranja comprou dois carros de luxo para pessoas ligadas a Rabicó.
Um dos veículos seria uma Fiat Toro usada por uma mulher de 26 anos, apontada como companheira de Rabicó e beneficiária do esquema. Ela foi presa preventivamente em maio, mas a Justiça converteu a medida em prisão domiciliar após recurso da defesa. A investigação não equivale a uma condenação: os citados são suspeitos, e as acusações ainda dependem de análise judicial.
Rabicó, de 62 anos, tem seis mandados de prisão expedidos pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, segundo dados do Conselho Nacional de Justiça. Ele foi preso em Pernambuco em 2008, condenado a 27 anos de prisão e cumpriu 11 anos em uma penitenciária federal em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul. Após decisões judiciais, foi solto em 2019.
Em janeiro deste ano, a Polícia Civil informou que indiciou Rabicó e outros sete integrantes da cúpula do CV por suspeita de envolvimento em uma onda de roubos de veículos ocorrida entre 2 e 30 de janeiro de 2025. A defesa das pessoas citadas não foi localizada.