Opep+ mantém metas de produção de petróleo estáveis em novembro
A decisão ocorre em meio à guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã, que reduz as exportações do Golfo Pérsico e limita a oferta efetiva.
Resumo em 30 segundos
A Opep+ concordou em princípio em manter estáveis as metas de produção de petróleo para novembro. A guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã tem interrompido exportações no Golfo Pérsico, e a produção dos principais membros segue abaixo do nível anterior ao conflito. A revisão das capacidades produtivas foi adiada, com mudanças nas cotas consideradas improváveis antes de 2027.
A Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados, grupo conhecido como Opep+, concordou em princípio em manter estáveis as metas de produção de petróleo para novembro. A decisão foi acertada antes de uma reunião prevista para este domingo, em meio às interrupções nas exportações provocadas pela guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã.
Apesar de ter elevado as metas de produção durante boa parte de 2026, após anos de cortes, o grupo não conseguiu transformar integralmente os aumentos previstos em oferta efetiva. Produtores do Golfo Pérsico extraem volumes abaixo das cotas porque a guerra afeta o transporte e as exportações de petróleo.
Nos últimos meses, as exportações da região ficaram entre 60% e 80% dos níveis normais, segundo fontes próximas às negociações. Em agosto, os sete principais membros da Opep+ produziram 25 milhões de barris por dia, 630 mil a mais que em julho, mas cerca de 5 milhões de barris diários abaixo do nível registrado antes da guerra, em fevereiro.
O grupo ainda mantém aproximadamente 2 milhões de barris por dia em cortes de produção, que abrangem a maioria dos integrantes. As metas definem os volumes que os países podem produzir, mas não garantem que todo o petróleo previsto chegue ao mercado: conflitos, limitações de infraestrutura e dificuldades para exportar podem reduzir a oferta real.
A guerra também adiou uma revisão da capacidade produtiva dos países do grupo. Essa avaliação é importante porque serve de base para distribuir cotas e definir possíveis aumentos de produção para 2027. Fontes da indústria afirmaram que o conflito trouxe incerteza às estimativas sobre quanto cada país poderá produzir no futuro; mudanças efetivas nas cotas são consideradas improváveis antes de 2027.
A reunião deste domingo reúne Arábia Saudita, Rússia, Iraque, Kuwait, Argélia, Cazaquistão e Omã. Um órgão separado, o Comitê Ministerial Conjunto de Monitoramento (JMMC), também se reúne, mas sua função é acompanhar o cumprimento das decisões e não definir a política de produção.
A perspectiva de oferta é acompanhada por governos, empresas e consumidores porque o petróleo é negociado em um mercado internacional. Interrupções nas exportações podem reduzir a quantidade disponível e influenciar os preços, embora o impacto dependa também de fatores como demanda, estoques e produção de outros países. A manutenção das metas para novembro, por si só, não elimina os efeitos do conflito sobre o fluxo de petróleo.
Para entender
- Opep+
- Aliança formada pela Organização dos Países Exportadores de Petróleo e outros países produtores, entre eles a Rússia. O grupo coordena metas de produção de seus integrantes, que podem diferir dos volumes efetivamente extraídos ou exportados.
- JMMC
- O Comitê Ministerial Conjunto de Monitoramento é um órgão da Opep+ que acompanha o cumprimento das decisões do grupo. Não define a política de produção nem estabelece as metas dos países.