Pepe Vargas define prioridades e fará oposição ao governo Zucco
Reeleito para a Assembleia gaúcha, o deputado pretende fiscalizar a gestão e apoiar propostas do novo governo que considerar adequadas.
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Pepe Vargas diz que fará oposição ao governo de Luciano Zucco, mas não rejeitará propostas por princípio. Para o mandato que começa em fevereiro de 2027, aponta saúde, educação, infraestrutura e desenvolvimento sustentável como prioridades. Entre as pautas, estão a cobrança de recursos para a saúde e a fiscalização de concessões rodoviárias.
O deputado estadual Pepe Vargas (PT) diz que fará oposição ao governo de Luciano Zucco (PL), eleito governador do Rio Grande do Sul, e pretende fiscalizar a gestão sem rejeitar propostas por princípio. Reeleito neste ano para um terceiro mandato consecutivo na Assembleia Legislativa, ele assume em fevereiro de 2027 e aponta saúde, educação, infraestrutura e desenvolvimento sustentável entre suas prioridades.
Vargas recebeu 58.532 votos no Estado, 11.417 a menos que em 2022, quando somou 69.949. Em Caxias do Sul, sua principal base eleitoral, teve 38.779 votos e foi o candidato mais votado para deputado estadual. O parlamentar atribuiu a redução no total à disputa mais concorrida no município, com mais candidaturas competitivas.
“Diminuí 11 mil votos em Caxias e aumentei dois mil fora, aproximadamente”, afirmou. Segundo ele, candidatos com atuação política local disputaram parcelas do eleitorado que também costumam apoiá-lo. Quatro deputados estaduais foram eleitos por Caxias, além de outros concorrentes que tiveram votações expressivas, mas não conquistaram uma vaga.
Na próxima legislatura, o Partido Liberal (PL) terá a maior bancada da Assembleia, com 12 deputados, enquanto o PT contará com nove. Vargas afirmou que apoiará iniciativas do novo governo que considerar adequadas e votará contra aquelas com as quais discordar. “A gente não faz oposição por oposição”, disse.
O deputado também afirmou que respeitará a orientação política de Zucco, mesmo que discorde de uma eventual defesa de medidas neoliberais. Para Vargas, a atuação parlamentar deve preservar o respeito às instituições democráticas e a quem tem posições diferentes. Ele foi oposição nos dois ciclos anteriores, durante os governos de Eduardo Leite (PSD).
Na saúde, Vargas pretende cobrar o cumprimento do mínimo constitucional de 12% da receita corrente líquida estadual para a área. Ele afirmou que, durante os oito anos de gestão Leite, o Estado deixou de aplicar mais de R$ 9 bilhões em saúde por não alcançar o percentual. Na avaliação do deputado, o investimento é necessário para enfrentar as filas por atendimento.
A Constituição determina que os Estados destinem pelo menos 12% de sua receita a ações e serviços públicos de saúde. Vargas relaciona o cumprimento dessa obrigação à capacidade de ampliar os atendimentos e reduzir a espera. Ele diz que levará a cobrança ao futuro governo.
Para a educação, o parlamentar vê possibilidade de ampliar os recursos se o Rio Grande do Sul aderir ao Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag), criado pelo governo federal. O programa permite refinanciar débitos estaduais com a União e prevê juros zero, com atualização monetária. No caso gaúcho, a adesão está em discussão durante a transição entre as administrações Leite e Zucco.
Vargas defende que a economia com juros seja direcionada a investimentos no Estado, especialmente na educação profissional e tecnológica. A adesão ao programa, porém, depende de decisão do governo estadual. O deputado afirmou que acompanhará o tema e cobrará que os recursos sejam usados para ampliar os investimentos.
Na área de infraestrutura, ele quer fiscalizar as concessões de rodovias e defender contratos com tarifas menores e regras transparentes sobre os investimentos. Para os contratos já em vigor, propõe avaliar o equilíbrio econômico-financeiro levando em conta os interesses dos usuários. Esse tipo de revisão considera a relação entre obrigações, receitas e custos previstos no contrato.
Outra pauta que pretende levar ao mandato é o projeto de lei 134/2026, apresentado por ele e ainda em tramitação. A proposta estabelece diretrizes para uma política estadual de desenvolvimento sustentável e resiliência climática. Se aprovado, o texto orientará políticas públicas ligadas ao crescimento econômico, ao desenvolvimento social e à proteção ambiental.
Vargas presidiu a Assembleia em 2025 e, nesse período, conduziu debates e seminários sobre desenvolvimento sustentável no âmbito do Fórum Democrático Regional. Ele afirmou que quer trabalhar pela aprovação do projeto no próximo mandato e defende que crescimento econômico e equilíbrio ambiental podem avançar juntos.
Médico formado pela Universidade de Caxias do Sul (UCS), Vargas nasceu em Nova Petrópolis e mudou-se ainda criança para Caxias do Sul. Filiado ao PT desde 1981, foi vereador, deputado estadual e federal, prefeito de Caxias por dois mandatos, entre 1997 e 2004, e ministro no governo Dilma Rousseff. Em 2025, presidiu a Assembleia Legislativa; a partir de fevereiro de 2027, iniciará seu terceiro mandato estadual consecutivo.
O parlamentar foi autor ou coautor de 14 projetos apresentados na legislatura de 2023 a 2026. Três propostas foram aprovadas e sancionadas: uma garante às mulheres o direito a acompanhante em procedimentos de saúde; outra institui uma data estadual em homenagem às vítimas da Covid-19; e a terceira inclui a Feira Maesa Cultural no calendário oficial de eventos do Estado.