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Sexta-feira, 6 de novembro de 2026

Papa Leão XIV inicia visita ao Uruguai em viagem pela América do Sul

A agenda inclui encontro com o presidente Yamandú Orsi e atividades religiosas; a passagem pelo país é a primeira de um papa desde 1988.

Por Redação Plantão Paulista 2 min de leitura
Imagem gerada por IA: Papa Leão XIV chega ao aeroporto de Montevidéu para iniciar visita ao Uruguai. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Papa Leão XIV chega ao aeroporto de Montevidéu para iniciar visita ao Uruguai.
Resumo em 30 segundos

Leão XIV chegou a Montevidéu nesta sexta-feira para iniciar uma visita de três dias ao Uruguai, primeira etapa de uma viagem pela América do Sul. A agenda inclui encontros com autoridades e atividades religiosas. O país tem baixa identificação religiosa, e a visita reacendeu debates sobre laicidade e a presença do papa no Parlamento.

O papa Leão XIV chegou a Montevidéu nesta sexta-feira, 6 de novembro, para iniciar uma visita ao Uruguai, primeira etapa de uma viagem de 12 dias pela América do Sul que também inclui Argentina e Peru. Recebido no Aeroporto Internacional de Montevidéu, o pontífice deve seguir para a Praça da Independência, onde fará seu primeiro discurso no país. A última visita papal ao Uruguai havia sido a de João Paulo 2º, em 1988.

A agenda uruguaia prevê encontros com autoridades e atividades religiosas. Ainda nesta sexta, Leão deve se reunir com o presidente Yamandú Orsi e participar da cerimônia de boas-vindas na Praça da Independência. No sábado, estão previstas visitas a Paysandú e ao bairro Casavalle, em Montevidéu, além de uma missa, encontros com idosos, acadêmicos e jovens. No domingo, o papa deve celebrar uma missa no Santuário da Virgem dos Trinta e Três, na cidade de Florida, antes de seguir para a Argentina.

A chegada ocorre em um país com baixa identificação religiosa em comparação com o restante da América Latina. Pesquisa da consultora Cifra divulgada em agosto aponta que 32,5% dos uruguaios se declaram católicos, mas 23,7% desse total dizem não praticar a religião. Agnósticos e ateus somam 28,2%. O Uruguai é o único país da região sem maioria cristã, segundo o Pew Research Center.

A trajetória laica do país foi consolidada no início do século 20, durante os governos de José Batlle y Ordóñez, que presidiu o Uruguai entre 1903 e 1907 e entre 1911 e 1915. Entre as medidas daquele período estiveram a retirada de crucifixos de hospitais públicos e o fim do ensino religioso nas escolas. A Constituição de 1919 estabeleceu a liberdade de todos os cultos e determinou que o Estado não apoia nenhuma religião.

A relação entre instituições públicas e religião voltou ao debate em torno da visita. Em março, representantes de diferentes forças políticas convidaram o papa a discursar na Assembleia Geral, mas o Vaticano descartou a possibilidade. O cardeal Daniel Sturla afirmou, em setembro, que a Santa Sé não tem interesse em incluir visitas a parlamentos na agenda papal como prática habitual. A visita ao Uruguai é oficial, mas não de Estado; esse tipo de agenda não inclui compromissos com os Poderes Legislativo e Judiciário.

A proposta de iluminar o Parlamento com as cores do Vaticano também provocou manifestações divergentes. O presidente da Câmara de Representantes, Rodrigo Goñi Reyes, renovou o pedido em outubro. O deputado Fernando Amado criticou a iniciativa e disse que ela viola a laicidade. Em pesquisa da Cifra divulgada em agosto, 58% dos entrevistados apoiavam a possibilidade de o papa visitar os legisladores, enquanto 25% eram contrários.

Depois do Uruguai, Leão XIV seguirá para a Argentina e o Peru. A viagem, programada de 6 a 17 de novembro, reúne compromissos pastorais e encontros com autoridades. O pontífice, de 71 anos, viveu por quase duas décadas no Peru, onde foi bispo de Chiclayo entre 2015 e 2023.

Para entender

Laicidade do Estado
É o princípio segundo o qual o Estado não adota uma religião oficial e deve garantir liberdade de crença. No Uruguai, a separação entre instituições públicas e religião foi consolidada por reformas do início do século 20 e pela Constituição de 1919.

Fontes: Folha de S.Paulo, O Globo

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