Papa Leão XIV elogia católicos chineses por manter comunhão com Roma
Em mensagem de vídeo no centenário da consagração dos primeiros bispos chineses, o pontífice defendeu a união com o papa e os demais bispos.
Resumo em 30 segundos
Leão XIV elogiou os católicos chineses por manterem a comunhão com Roma durante uma conferência na Pontifícia Universidade Urbaniana. O encontro também debateu o acordo provisório entre China e Vaticano para a escolha de bispos, firmado em 2018 e contestado por críticos. Autoridades religiosas divergiram sobre a política de sinização do catolicismo.
O papa Leão XIV elogiou nesta quinta-feira, 5 de novembro, os católicos chineses por manterem a comunhão com Roma, durante uma mensagem em vídeo enviada a uma conferência na Pontifícia Universidade Urbaniana, em Roma. O encontro marcou o centenário da consagração dos primeiros bispos chineses e debateu a situação da Igreja Católica na China e o acordo entre Pequim e o Vaticano para a escolha de bispos.
Na mensagem, Leão afirmou que os bispos não podem reivindicar para si a missão da Igreja: recebem-na e a exercem em comunhão com o sucessor de Pedro, referência ao papa, e com os demais bispos. Ele citou o papa Bento XVI, que disse que os católicos chineses tiveram pastores legítimos que preservaram a sucessão apostólica — a continuidade da autoridade dos bispos desde os apóstolos.
O pontífice também recordou os seis sacerdotes chineses que viajaram de Xangai a Roma em 1926 para serem consagrados pelo papa Pio XI. Segundo Leão, a viagem testemunhou a comunhão fundada na fé dos apóstolos. Ele citou ainda o papa Bento XV para afirmar que a missão religiosa não deve ser confundida com colonização, mas está ligada ao testemunho cristão por meio da caridade.
A conferência ocorreu em meio ao debate sobre o acordo provisório entre China e Santa Sé, firmado em 2018 e cujo conteúdo não foi divulgado. O entendimento trata da seleção de bispos, mas é contestado por críticos que apontam riscos de interferência do Partido Comunista Chinês (PCC) e de restrições à Igreja. China e Vaticano não mantêm relações diplomáticas oficiais desde 1951.
O secretário de Estado do Vaticano, cardeal Pietro Parolin, disse que o acordo tem imperfeições, mas defendeu a continuidade das negociações. “Todos os acordos são imperfeitos, incluindo o da China”, afirmou. “No entanto, o caminho está aberto. Então seguimos em frente tentando aperfeiçoar o que é imperfeito.”
O cardeal Stephen Chow, bispo de Hong Kong, disse que católicos chineses ainda são vistos com desconfiança por causa do temor de que a religião sirva como instrumento de influência estrangeira. Já Joseph Li Shan, bispo de Pequim, defendeu a “sinização” do catolicismo, política promovida pelo Estado para aproximar instituições religiosas das diretrizes do partido. Para ele, a medida não representa afastamento da tradição católica.
Ignazio Ding Zuyao, bispo de Haimen nomeado em outubro sob o acordo entre Pequim e o Vaticano, também apoiou a sinização. Ele afirmou que ela não rompe a comunhão com a fé católica universal e citou o ensinamento de dar a César o que é de César e a Deus o que é de Deus.
Para entender
- Sinização
- Na China, o termo se refere a uma política estatal que busca aproximar práticas e instituições religiosas das características culturais chinesas e das diretrizes do Partido Comunista. Sua aplicação às religiões é controversa, inclusive entre católicos, por causa de preocupações com a autonomia religiosa.