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Quinta-feira, 22 de outubro de 2026

Painel VoteLGBT registra 35 eleitos LGBTQIA+ em 2026

O levantamento identificou 516 candidatos LGBTQIA+; os 35 eleitos concorreram por partidos de esquerda, e nenhum de centro ou de direita venceu.

Por Redação Plantão Paulista 3 min de leitura
Imagem gerada por IA: Grupo diverso de pessoas LGBTQIA+ diante de um prédio legislativo. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Grupo diverso de pessoas LGBTQIA+ diante de um prédio legislativo.
Resumo em 30 segundos

O primeiro turno das eleições de 2026 elegeu 35 candidatos LGBTQIA+ para assembleias legislativas, Câmara e Senado, todos por partidos de esquerda. O painel VoteLGBT identificou 516 candidaturas. Entre os candidatos de centro ou direita, nenhum foi eleito, embora alguns tenham obtido votações expressivas. A posição política não definiu automaticamente o apoio no segundo turno.

O primeiro turno das eleições de 2026 terminou com 35 candidatos LGBTQIA+ eleitos para assembleias legislativas, a Câmara dos Deputados ou o Senado. Todos concorreram por partidos de esquerda, enquanto nenhum candidato LGBTQIA+ de centro, centro-direita ou direita conseguiu se eleger, segundo dados do painel VoteLGBT, organizado pelo Instituto Plena Cidadania.

O levantamento identificou 516 candidatos LGBTQIA+ nas eleições. Desses, 408 — 79% do total — estavam em partidos de esquerda; 64, ou 12,4%, concorreram por legendas de centro; e 44, equivalentes a 8,5%, eram de direita. A identificação combina a autodeclaração de orientação sexual ou identidade de gênero feita à Justiça Eleitoral com informações fornecidas pelos próprios candidatos a uma plataforma do instituto.

Entre os candidatos a deputado federal por partidos de centro ou direita, 26 disputaram as vagas. Apenas nove obtiveram mais de mil votos, e dois ultrapassaram os 10 mil. A votação mais alta entre os candidatos LGBTQIA+ de direita foi a de Sophia Barclay, do PL, em São Paulo: 24,2 mil votos. Ela ficou como quarta suplente da sigla.

No Ceará, Gabriel Carvalho, do Missão, recebeu 10,2 mil votos e foi o candidato mais votado do partido para a Câmara no estado. Empresário e gay, ele se define como político de direita e critica o que considera uma abordagem da esquerda que apresenta pessoas LGBTQIA+ como vítimas. Carvalho disse que a melhora de sua condição financeira e de vida reduziu o impacto que sentiu por ser gay.

Carvalho ainda não decidiu quem apoiará no segundo turno. Ele afirmou não se identificar com Lula, mas também não se sentir capaz de apoiar Flávio Bolsonaro, do PL, e disse não querer “entregar o nosso Brasil para a família Bolsonaro”. O posicionamento ilustra que a identificação com a direita não significa adesão automática ao senador entre candidatos LGBTQIA+.

Em Minas Gerais, Leonora Rosa, candidata a deputada federal pelo PP, recebeu 329 votos. Ela disse que não sabia que o partido era de centro-direita, mas que se sentiu acolhida. Rosa já votou em Lula e afirmou que o considera ligado à continuidade da existência de sua comunidade, mas questiona os avanços para pessoas trans durante a gestão do PT.

Sobre os dois candidatos à Presidência, Rosa resumiu suas dúvidas dizendo que “um promete, mas não faz, e o outro não promete nada”. Ela também contestou o argumento de que uma eventual vitória de Flávio significaria a perda de direitos e de segurança para pessoas trans, afirmando que a violência contra essa população já existe.

Entre os candidatos do PL, Lucas Pellegatta, da Bahia, declarou apoio a Flávio. Conhecido na campanha como “Lucas O Sincero”, ele disse que sua adesão à direita está ligada à oposição a políticas assistencialistas. O candidato também afirmou que o marido e familiares apoiam suas posições políticas.

Em São Paulo, João Pedro Sastre, do MDB, fez campanha como “gay de direita” e obteve 294 votos. Ele agora apoia Lula, mas disse que não mudou de espectro político: atribuiu sua decisão à decepção com Flávio e com eleitores de Bolsonaro e afirmou ter se sentido abandonado. Já William Callegaro, do PSD, recebeu 1,6 mil votos e não definiu apoio no segundo turno. Identificado com o centro, ele disse defender tanto direitos LGBTQIA+ quanto propostas que, em sua avaliação, não deveriam exigir alinhamento a um dos candidatos.

Sophia Barclay se aproximou do grupo de Flávio após uma disputa judicial. Ela havia afirmado em um podcast que o senador manteve relações sexuais com uma colega dela; posteriormente, declarou que mentiu e que se retratou publicamente. Barclay disse que conheceu Flávio durante uma audiência de conciliação do processo movido por ele e que os dois fizeram um acordo para encerrar o assunto.

Fontes: Folha de S.Paulo

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