Escritório de Flávio Bolsonaro emite R$ 13,7 milhões em notas fiscais
Os documentos abrangem o período de janeiro de 2023 a julho de 2026; clientes citados confirmaram contratações privadas e afirmaram que os serviços foram realizados.
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O escritório de advocacia de Flávio Bolsonaro emitiu notas fiscais de pelo menos R$ 13,7 milhões entre janeiro de 2023 e julho de 2026. Entre os clientes estão bancas de advocacia e um empresário ligado ao setor de energia. Eles afirmaram que contrataram serviços privados e que os trabalhos foram realizados.
O escritório de advocacia de Flávio Bolsonaro emitiu notas fiscais que somam pelo menos R$ 13,7 milhões entre janeiro de 2023 e julho de 2026, período em que o senador também exercia mandato. Clientes da banca afirmaram que contrataram serviços jurídicos privados e disseram que os trabalhos foram realizados.
O maior volume apontado nas notas, R$ 4 milhões, corresponde a pagamentos do escritório Nilo de Almeida, do qual é sócio o advogado Edvaldo Nilo de Almeida. Ele foi indicado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro para o Conselho de Ética da Presidência da República. A banca afirmou que os serviços foram prestados em conjunto para clientes privados, sem participação de órgãos públicos ou uso de dinheiro público.
O escritório de Otto Medeiros confirmou a contratação de Flávio para consultoria jurídica privada. Segundo a banca, a escolha levou em conta a experiência profissional e a competência do escritório do senador. As notas fiscais ligadas a esse cliente totalizam R$ 2,1 milhões no período.
Já o escritório Leonardo Amarante Advogados Associados informou que contratou a banca de Flávio para elaborar pareceres jurídicos. De acordo com a empresa, os documentos foram entregues e pagos mediante nota fiscal, dentro da prática usual entre escritórios de advocacia. As notas identificadas somam R$ 239 mil.
Marcos Antônio Grecco, ligado ao grupo de energia GNPW, também aparece entre os clientes, com notas de R$ 2,36 milhões. Ele afirmou ter contratado Flávio em 2024 para atuar em um processo judicial no qual era parte, com procuração registrada nos autos. Grecco declarou que o caso não tinha relação com leilões de energia nem com a GNPW e criticou a divulgação dos dados, que classificou como resultado de uma quebra não autorizada de sigilo fiscal e bancário. Disse que tomaria providências.
A Constituição e o Estatuto da Advocacia permitem que senadores exerçam a profissão, conforme os dispositivos citados por Grecco, desde que não integrem a Mesa Diretora do Senado. A regra estabelece limites para a atuação profissional de parlamentares, especialmente em casos que envolvam órgãos públicos.
As notas foram emitidas pelo escritório Flávio Bolsonaro Sociedade Individual de Advocacia, registrado em nome do senador. Os documentos indicam que os pagamentos foram encaminhados a contas no Santander e no BRB. Uma das contas do Santander aparece, segundo a Polícia Federal, em vínculos atribuídos a Flávio e ao advogado Willer Tomaz; os dois negam ter compartilhado uma conta bancária.
Flávio e Tomaz também atuam juntos em um processo no Superior Tribunal de Justiça envolvendo o controle de uma fábrica de balas e pirulitos no Rio Grande do Norte. Eles representam um dos sócios da empresa, que tenta impedir a execução de R$ 159 milhões em bens e contas, determinada em disputa com um familiar que deixou o negócio. O conflito judicial se estende há mais de 20 anos.
Tomaz e Flávio são investigados em um inquérito sobre suspeitas de lavagem de dinheiro por meio de plataformas de apostas. A investigação não equivale a uma condenação, e ambos negam ter compartilhado a conta bancária mencionada nos documentos.