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Terça-feira, 3 de novembro de 2026

Netflix compra conto de Nicholas Binge por US$ 1 milhão para série

O conto acompanha um ator que descobre uma conspiração após entrar em um drama policial coreano; a adaptação reflete a busca de Hollywood por histórias curtas.

Por Redação Plantão Paulista 2 min de leitura
Imagem gerada por IA: Ator segura um roteiro em um cenário escuro de drama policial. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Ator segura um roteiro em um cenário escuro de drama policial.
Resumo em 30 segundos

A Netflix comprou por US$ 1 milhão os direitos de “Understudy”, conto de Nicholas Binge que acompanha um ator envolvido em uma conspiração antiga. O acordo integra uma tendência de estúdios e plataformas que procuram histórias curtas com tramas fortes para adaptar. Outros contos também renderam projetos milionários em Hollywood.

O conto “Understudy”, do romancista Nicholas Binge, foi vendido à Netflix por US$ 1 milhão, equivalente a R$ 5,4 milhões, para virar uma série. A trama acompanha um ator que, após aceitar um papel em um drama policial coreano, descobre uma conspiração antiga. O acordo faz parte do interesse crescente de estúdios e plataformas por histórias curtas com potencial de adaptação.

Binge escreveu o conto especialmente para o mercado de cinema e televisão, em vez de tentar publicá-lo primeiro em uma revista ou coletânea. Ele afirmou que voltou a escrever narrativas curtas porque autores costumam enfrentar muitas rejeições ao buscar publicação nesse formato. Seus romances “Ascension” e “Dissolution” foram bem recebidos pela crítica, e “White Smoke”, escrito sob pseudônimo, também despertou interesse em Hollywood.

A negociação de “Understudy” provocou uma disputa entre estúdios, segundo Addison Duffy, agente da United Talent Agency que participou do acordo. Ela disse que agentes estão promovendo contos com intensidade. Para produtores, o formato conciso pode ser mais fácil de avaliar em meio à grande quantidade de roteiros e também evita a negociação dos direitos de adaptação de um romance já publicado.

Outras vendas recentes mostram a movimentação do setor. A Universal Studios comprou “Long Lost”, do roteirista Colin Bannon, em 2024, e Steven Spielberg foi escalado para produzir o projeto. No ano passado, Harrison Query vendeu “Code Black” à Amazon MGM Studios. Os dois acordos tiveram valores na casa dos sete dígitos, segundo o Deadline. Um conto de Ursula Wills também serviu de base para “A pescadora solitária”, filme estrelado por Olivia Colman e Alexander Skarsgard.

A adaptação de contos para o cinema não é novidade. “O Segredo de Brokeback Mountain” veio de uma história de Annie Proulx, enquanto “Em chamas” (“Burning”) se inspirou em um conto de Haruki Murakami. “Os pássaros”, “O vingador do futuro” e “Menina de ouro” também têm origem em narrativas curtas. O interesse recente, porém, contrasta com o mercado editorial: coletâneas representaram, em média, 5,5% dos contratos de ficção adulta por ano desde 2000, segundo a historiadora literária Laura B. McGrath.

Agentes dizem que Hollywood busca histórias breves com trama forte e ritmo dinâmico, não apenas textos literários bem escritos. Nicole Weinroth, da William Morris Endeavor, afirmou que projetos atraentes podem situar-se em um mundo parecido com o nosso, mas incluir um elemento inesperado. “A chegada” (“Arrival”), baseado em conto de Ted Chiang, e “Amnésia” (“Memento”), adaptado de uma história de Jonathan Nolan, são exemplos desse tipo de premissa.

A procura também tem aberto espaço para autores sem trajetória consolidada na indústria. Joe Cote, professor em Massachusetts, publicou no Reddit “I Pretended to Be a Missing Girl”, conto policial que viralizou e levou a um contrato para um filme. Sydney Sweeney foi escalada para o papel principal. Cote contou que, ao receber em 2024 uma mensagem de um produtor, pensou que fosse golpe; só se convenceu depois de conversar com ele por vídeo.

Fontes: O Globo

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