A Bola Preta estreia nos cinemas dos EUA antes de chegar ao Brasil
Dirigido pelos Los Javis, o filme espanhol estreia nesta sexta-feira em salas selecionadas e terá 46 dias de exibição exclusiva nos cinemas antes do streaming.
Resumo em 30 segundos
“A Bola Preta”, filme espanhol de Javier Ambrossi e Javier Calvo, estreia em salas selecionadas dos Estados Unidos em 16 de outubro e chega ao Brasil em 21 de janeiro de 2027. A Netflix reservou ao longa uma janela exclusiva de 46 dias nos cinemas. A produção acompanha três homens gays em diferentes períodos históricos e é cotada para a temporada do Oscar.
O filme espanhol “La Bola Negra”, conhecido em português como “A Bola Preta”, chega a salas de cinema selecionadas dos Estados Unidos nesta sexta-feira, 16, antes de estrear no Brasil em 21 de janeiro de 2027. Dirigido por Javier Ambrossi e Javier Calvo, a dupla conhecida como Los Javis, o longa acompanha três homens gays em diferentes momentos históricos e tornou-se um dos títulos cotados para a disputa do Oscar de melhor filme.
A estreia nos cinemas norte-americanos será seguida por uma janela exclusiva de 46 dias nas salas, a mais longa já concedida pela Netflix, que adquiriu os direitos após uma disputa entre plataformas. A empresa também lançará o filme em seu serviço de streaming, mas a data para essa etapa não foi informada. A estratégia busca levar a produção ao público e aos votantes do Oscar depois da passagem pelas salas.
Com orçamento de US$ 15 milhões, o longa teve sua estreia mundial no Festival de Cannes, no início deste ano. Ambrossi e Calvo dividiram o prêmio de melhor direção com Pawel Pawlikowski, cineasta de “Fatherland”. Em setembro, o filme conquistou o Prêmio do Público do Festival Internacional de Cinema de Toronto. A produção também já teve bom desempenho de bilheteria na Espanha, onde quebrou recordes para um filme independente.
A história atravessa o começo do século 20, a Guerra Civil Espanhola e os dias atuais. O ponto de partida é Sebastián, músico interpretado pelo cantor e compositor Guitarricadelafuente em sua estreia no cinema. Depois que sua cidade é bombardeada, ele se junta ao exército nacionalista e conhece Rafael, um combatente pela liberdade preso e internado em um hospital militar. O personagem é vivido por Miguel Bernardeau.
A relação de Rafael com o poeta Federico García Lorca se conecta à luta de homens gays para preservar seus afetos e sua dignidade em um contexto militar hostil. O filme também aborda a tentativa de manter viva uma obra de Lorca ligada à identidade gay, à sobrevivência e à dignidade. O poeta começou a escrevê-la antes de ser assassinado pelas forças nacionalistas, em 1936.
Calvo afirmou que a produção procura homenagear gerações mais velhas de pessoas LGBTQ+. “Eles lutaram por nós. Morreram por nós”, disse. Ambrossi observou que, embora os acontecimentos pareçam distantes, sua avó tem 90 anos e viveu naquele período. Para os diretores, o filme aproxima a memória histórica de questões ainda presentes nas relações familiares e na forma como cada geração vive seus desejos.
A recepção em Cannes chamou a atenção para o estilo lírico e a dimensão emocional do longa. Ambrossi disse que algumas pessoas se surpreendem ao chorar durante a sessão e associou essa reação ao modo como o público pode se conectar com histórias poéticas. Calvo afirmou que cada geração precisa de filmes que falem de seus desejos e afetos. Segundo ele, uma ideia central da obra é não adiar as escolhas pessoais.
A produção reúne ainda Penélope Cruz e Glenn Close, e tem Pedro Almodóvar como produtor. Antes de se dedicarem à direção, Ambrossi e Calvo começaram como atores. Na Espanha, os dois também são conhecidos por trabalhos na televisão: foram jurados da edição espanhola de “RuPaul’s Drag Race”, participaram de outros programas e apresentaram cerimônias de premiação. Seus filmes e séries ajudaram a consolidar uma ampla audiência no país.
Além da trajetória profissional, a relação entre os diretores também mudou durante a produção. Eles foram um casal por anos, mas terminaram o relacionamento amoroso enquanto finalizavam o filme e decidiram se separar profissionalmente. Depois, porém, voltaram atrás e mantiveram a parceria. Ambrossi afirmou que não sabe como seria dirigir sem Calvo; o colega disse que trabalhar juntos continua sendo natural para os dois.
Os Javis disseram que a produção exigiu uma colaboração próxima para alcançar uma escala visual ampla sem um orçamento maior. Enquanto um deles conduzia os ensaios, o outro podia planejar aspectos da direção de arte e dos dias seguintes de filmagem. A dupla também afirmou que a Netflix compreendeu que o longa foi concebido para a experiência nas salas de cinema, embora a distribuição da plataforma possa ampliar seu alcance.
A indicação ao Oscar ainda não está definida. O desempenho nos festivais e nas bilheterias, porém, colocou “A Bola Preta” entre os filmes que podem disputar espaço na temporada de premiações. Uma eventual vitória na categoria de melhor filme daria à Netflix seu primeiro Oscar nessa categoria.