Naufrágio de 4.700 anos na Turquia pode ser o mais antigo do mundo
Encontrado perto da ilha de Kekova, o barco estava a 30 metros de profundidade e levava mais de 30 recipientes de cerâmica e três âncoras.
Resumo em 30 segundos
Arqueólogos localizaram perto da ilha de Kekova, na Turquia, vestígios de um naufrágio estimado em 4.400 a 4.700 anos. A carga inclui mais de 30 recipientes de cerâmica e três âncoras de pedra. A análise das peças sugere ligações comerciais no Mediterrâneo oriental, mas a rota do navio ainda não foi confirmada.
Um naufrágio com cerca de 4.700 anos foi localizado perto da ilha de Kekova, na costa sul da Turquia, a aproximadamente 30 metros de profundidade no mar Mediterrâneo. Anunciada na quarta-feira (14), a descoberta pode ser a mais antiga já identificada no mundo e remonta à Idade do Bronze.
A estrutura de madeira da embarcação não resistiu ao tempo, mas arqueólogos encontraram no fundo do mar mais de 30 recipientes de cerâmica e três âncoras de pedra. As peças foram estimadas em 4.400 a 4.700 anos e serviram para determinar a provável época do naufrágio. Autoridades turcas afirmam que os recipientes podem ter transportado azeite ou vinho.
O local foi identificado há cerca de quatro anos por pesquisadores da Universidade Akdeniz, durante levantamentos submarinos. Na ocasião, a equipe avaliou que os recipientes pareciam mais recentes. A estimativa mudou após os arqueólogos compararem as peças com exemplares encontrados em sítios do Egito, incluindo objetos associados às pirâmides de Gizé.
As escavações começaram neste ano, sob a direção do Museu de Antália e com autorização do Ministério da Cultura e do Turismo da Turquia. O trabalho é liderado pelo arqueólogo subaquático Hakan Öniz, professor associado da Universidade Akdeniz.
As análises apontam que a cerâmica pode ter sido produzida em oficinas do vale do Jordão. Peças semelhantes foram encontradas em sítios do Egito, de Troia e de Creta, o que sugere que a carga fazia parte de uma rede comercial no Mediterrâneo oriental. Os pesquisadores levantam a hipótese de que o navio tenha partido de um porto do Levante, região do atual Oriente Médio, rumo a Troia, na atual Turquia, ou a Creta, na Grécia. O trajeto ainda depende da interpretação dos vestígios.
Uma peça tem nove marcas e dois orifícios. Os pesquisadores consideram que ela talvez servisse para bater leite e produzir manteiga ou queijo, mas a interpretação ainda precisa ser confirmada. O objeto pode ajudar a compreender como alimentos eram preparados e armazenados a bordo em viagens longas.
A descoberta pode ampliar o conhecimento sobre as rotas de comércio, o transporte de mercadorias e o cotidiano das tripulações na Antiguidade. A Idade do Bronze foi um período em que sociedades do Mediterrâneo oriental mantinham contatos comerciais por mar, e a carga do naufrágio oferece vestígios materiais dessas conexões.
O achado está na Turquia, não no Brasil. Por isso, ele não responde qual é o naufrágio mais antigo encontrado em território brasileiro; os dados divulgados sobre esta descoberta não tratam de embarcações naufragadas no país.
Para entender
- Idade do Bronze
- Período da Antiguidade em que sociedades passaram a produzir e usar amplamente ferramentas e objetos de bronze. No Mediterrâneo oriental, comunidades mantinham contatos e trocas por mar, deixando vestígios arqueológicos de suas rotas comerciais.