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Quarta-feira, 14 de outubro de 2026

Naufrágio mais antigo do mundo é encontrado perto da Turquia

A embarcação mercante tem entre 4.400 e 4.700 anos; ânforas recuperadas ainda guardavam resíduos que podem revelar o que era transportado.

Por Redação Plantão Paulista 3 min de leitura
Imagem gerada por IA: Ânforas de cerâmica e âncoras de pedra espalhadas em uma encosta submarina no Mediterrâneo. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Ânforas de cerâmica e âncoras de pedra espalhadas em uma encosta submarina no Mediterrâneo.
Resumo em 30 segundos

Arqueólogos encontraram perto da ilha de Kekova, na Turquia, um naufrágio datado do início da Idade do Bronze, com cerca de 4.400 a 4.700 anos. A estrutura de madeira desapareceu, mas foram recuperadas âncoras de pedra e mais de 30 ânforas, algumas com resíduos ainda sob análise. A descoberta supera o naufrágio de Dokos, na Grécia, antes considerado o mais antigo conhecido.

Arqueólogos encontraram perto da ilha de Kekova, na província turca de Antália, um naufrágio datado de 4.400 a 4.700 anos, considerado o mais antigo já identificado. A embarcação mercante, com cerca de dez metros de comprimento, afundou no Mediterrâneo no início da Idade do Bronze, período que coincide aproximadamente com a construção da Grande Pirâmide do Egito.

Os restos estão em uma encosta submarina a cerca de 30 metros de profundidade. A estrutura de madeira desapareceu, mas a equipe recuperou três âncoras de pedra e mais de 30 recipientes de cerâmica chamados ânforas, usados para armazenar e transportar produtos. Alguns vasos ainda preservavam resíduos em seu interior.

A datação foi feita pela análise do formato e da decoração das ânforas, já que a ausência de madeira impediu o uso do radiocarbono, método que estima a idade de materiais orgânicos pela quantidade de carbono radioativo que permanece neles. Segundo Hakan Öniz, professor da Universidade Akdeniz e líder da expedição da Associação de Arqueologia do Mediterrâneo, os recipientes têm características semelhantes às de peças encontradas no Egito e no Oriente Médio, datadas do mesmo período.

As ânforas de Kekova têm duas alças, uma saliência central e base plana. Os estilos de cerâmica mudaram ao longo do tempo, o que permite aos arqueólogos comparar objetos e situá-los em períodos históricos. “Comparando as técnicas de decoração, podemos afirmar com certeza que nosso naufrágio é do início da Idade do Bronze. Isso é 100% certo”, afirmou Öniz.

A arqueóloga Karin Sowada, da Universidade Macquarie, na Austrália, examinou os vasos depois que foram trazidos à superfície. Ela relatou que alguns estavam intactos e continham uma substância viscosa e brilhante em quantidade visível. A equipe ainda investiga o conteúdo; entre as possibilidades estão azeite, vinho ou resinas de árvores.

Sowada também levantou a hipótese de que os recipientes tenham sido reutilizados. Como eram grandes e valiosos, poderiam ter sido esvaziados no destino e empregados novamente em outras viagens, o que dificulta determinar se os resíduos encontrados correspondem à carga original.

Os pesquisadores acreditam que a embarcação partiu de algum ponto do Mediterrâneo oriental. A carga poderia ter como destino Troia, no atual noroeste da Turquia, ou os minoicos, povo que habitava Creta. As fortes correntes e os ventos em torno de Kekova tornavam a navegação perigosa; a área tem centenas de naufrágios.

A descoberta amplia o conhecimento sobre as rotas comerciais marítimas do mundo antigo e sobre os objetos transportados entre comunidades do Mediterrâneo. Antes do achado turco, o naufrágio mais antigo conhecido era o de Dokos, na Grécia, com cerca de 4.200 anos. Já o naufrágio intacto mais antigo conhecido, com madeira preservada, fica no Mar Negro, próximo à costa da Bulgária, e tem aproximadamente 2.400 anos.

O naufrágio e sua carga pertencem ao Ministério da Cultura da Turquia. O ministro Mehmet Nuri Ersoy afirmou que os artefatos recuperados serão apresentados no novo Museu de Arqueologia Subaquática do Mediterrâneo, em Antália, quando o espaço for inaugurado nos próximos meses. Até lá, os objetos passam por conservação para reduzir os danos causados por milhares de anos submersos.

Para Öniz, o sítio arqueológico também representa uma ligação direta com as pessoas envolvidas na viagem. “Somos os primeiros humanos a tocar nesses objetos depois de 5.000 anos”, disse. O arqueólogo afirmou que, ao mergulhar no local, pensa nos marinheiros, nos produtores dos recipientes e nas famílias que aguardavam o retorno da tripulação.

Para entender

Ânforas
Recipientes de cerâmica usados na Antiguidade para armazenar e transportar produtos. O formato e a decoração das peças ajudam arqueólogos a comparar objetos e estimar a época em que foram produzidos.
Idade do Bronze
Período da Pré-História em que sociedades passaram a produzir e usar bronze, uma liga metálica. A época e sua duração variam conforme a região; no Mediterrâneo, é estudada por meio de vestígios como cerâmicas, ferramentas e assentamentos.

Fontes: Folha de S.Paulo

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