Nanotyrannus Jodi é vendido por US$ 47,3 milhões em leilão
Encontrado em Montana, o fóssil reacende o debate sobre se o Nanotyrannus é uma espécie própria ou um T. rex juvenil.
Resumo em 30 segundos
O esqueleto de Jodi, um Nanotyrannus encontrado em Montana, foi vendido por US$ 47,3 milhões em leilão nos Estados Unidos. O valor superou a estimativa inicial, mas ficou abaixo do pago por outro fóssil de T. rex em junho. Cientistas ainda discutem se o Nanotyrannus é uma espécie distinta ou um T. rex jovem.
O esqueleto de um Nanotyrannus chamado Jodi foi vendido por US$ 47,3 milhões (R$ 252 milhões) em um leilão realizado na terça-feira (27), nos Estados Unidos. Encontrado em Montana, o fóssil pertence a um grupo de tiranossauros cuja classificação científica ainda é debatida: seriam uma espécie própria ou exemplares jovens de Tyrannosaurus rex?
O valor superou a estimativa inicial da casa de leilões Sotheby’s, que previa uma venda entre US$ 6 milhões e US$ 9 milhões. O comprador não foi identificado. Apesar do resultado, o preço ficou abaixo dos US$ 50,1 milhões pagos em junho por outro fóssil de T. rex.
Jodi mede seis metros de comprimento e 2,9 metros de altura. A proprietária rural Jodi Pierson encontrou o esqueleto em 2019, em suas terras no estado de Montana, na Formação Hell Creek, uma região conhecida por fósseis. A escavação foi registrada em 2020 no programa “Dino Hunters”, do Discovery Channel.
A disputa sobre o Nanotyrannus dura quase meio século. Em 1942, uma equipe do Museu de História Natural de Cleveland encontrou um crânio que foi considerado de um T. rex jovem. Em 1988, novos estudos propuseram que ele pertencia a um parente distinto, hipótese que levou à identificação do Nanotyrannus.
Um estudo publicado no ano passado na revista Nature fortaleceu a tese de que o Nanotyrannus é uma espécie separada. Os pesquisadores analisaram um tiranossauro encontrado junto a um Triceratops em fósseis conhecidos como “dinossauros duelistas”. O conjunto foi exposto em um museu da Carolina do Norte, e as evidências levaram os cientistas a classificar o tiranossauro como Nanotyrannus lancensis.
Jodi também foi identificada como N. lancensis. Ainda existe debate sobre se essa espécie é distinta de outra, chamada Nanotyrannus lethaeus. A identificação é difícil porque há poucos fósseis disponíveis para comparação e nem sempre é possível determinar a idade do animal quando morreu.
Linda Ivany, professora de paleoecologia evolutiva da Universidade de Syracuse, afirmou que grandes predadores são raros em um ecossistema e seus vestígios costumam estar fragmentados. Essas limitações ajudam a explicar por que a questão central permanece: se os fósseis atribuídos ao Nanotyrannus são de adultos de outra espécie ou de T. rex juvenis.