Sotheby’s vende fóssil de Nanotyrannus por US$ 47,255 milhões
O fóssil Jodi superou em mais de cinco vezes a estimativa inicial, mas não bateu o recorde de US$ 50,1 milhões pago por um T. rex.
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O fóssil de Nanotyrannus chamado Jodi foi vendido por US$ 47,255 milhões em leilão da Sotheby’s, em Nova York. Encontrado em Montana em 2019, o esqueleto tem cerca de seis metros e crânio quase completo. A venda reacende o debate sobre o acesso de cientistas a fósseis comprados por colecionadores privados.
Um fóssil de Nanotyrannus chamado Jodi foi vendido por US$ 47,255 milhões — cerca de R$ 252,7 milhões — em um leilão realizado na terça-feira (27) pela Sotheby’s, em Manhattan, nos Estados Unidos. O valor superou em mais de cinco vezes a estimativa inicial, de US$ 6 milhões a US$ 9 milhões, mas ficou abaixo do recorde de US$ 50,1 milhões pago por um esqueleto de Tyrannosaurus rex em junho, também em uma venda da casa.
O comprador e o vendedor não foram identificados. Antes do leilão, o fóssil ficou exposto na sede da Sotheby’s. A venda se tornou uma das mais valiosas já registradas no mercado comercial de fósseis, em meio a discussões sobre o acesso de pesquisadores a exemplares adquiridos por colecionadores privados.
Jodi foi encontrado em 2019 pela pecuarista Jodi Pierson, em uma propriedade particular na região de Hell Creek, no estado de Montana. O esqueleto foi escavado no mesmo ano e recebeu o nome da descobridora. O achado veio da Formação Hell Creek, uma camada rochosa conhecida por preservar fósseis. A descoberta também foi documentada no programa “Dino Hunters”, do Discovery Channel.
O animal media cerca de seis metros do focinho à cauda. A descrição do fóssil feita pela casa de leilões aponta um crânio quase completo, com 53 ossos e aproximadamente 35 dentes. O exemplar também conserva um fêmur de cerca de 85 centímetros e um úmero, osso da parte superior do braço, com aproximadamente 37 centímetros.
O Nanotyrannus era menor que um T. rex adulto, mas tinha braços relativamente mais longos, garras maiores e dentes mais estreitos. A classificação do animal foi debatida por décadas: pesquisadores discutiram se fósseis atribuídos ao Nanotyrannus pertenciam a indivíduos jovens de T. rex ou a uma espécie distinta. Um estudo divulgado em 2025 concluiu que o Nanotyrannus era um gênero próprio, composto por adultos que viveram no mesmo período que o T. rex.
A diferença entre adultos de uma espécie e juvenis de outra é difícil de estabelecer apenas com fósseis, já que a idade de um animal no momento da morte pode ser incerta. A identificação do Nanotyrannus como gênero distinto se apoia em características anatômicas, como as proporções dos membros e o formato dos dentes. Os animais viveram na América do Norte durante o período Cretáceo, há cerca de 67 milhões de anos.
A venda reacende a discussão sobre o destino de fósseis importantes. Defensores dos leilões afirmam que escavadores privados ajudam a localizar e preservar exemplares. Já críticos, incluindo a Sociedade de Paleontologia de Vertebrados, defendem que peças relevantes permaneçam em museus e instituições públicas, onde possam ser estudadas por cientistas e vistas pelo público.