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Quinta-feira, 15 de outubro de 2026

Japão avalia estudar submarinos nucleares em estratégia de defesa

O país não tem submarinos de propulsão nuclear; a revisão de três documentos de segurança pode manter a possibilidade em análise, sem aprovar a compra.

Por Redação Plantão Paulista 3 min de leitura
Imagem gerada por IA: Submarino convencional navegando perto da costa japonesa. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Submarino convencional navegando perto da costa japonesa.
Resumo em 30 segundos

O governo japonês considera incluir na próxima estratégia de defesa uma referência à pesquisa sobre submarinos de propulsão nuclear. A decisão não significa que a compra foi aprovada. O Japão revisa três documentos de segurança, enquanto enfrenta obstáculos legais, custos elevados, falta de pessoal qualificado e dúvidas sobre a aceitação internacional.

O Japão avalia incluir em sua próxima estratégia de defesa uma proposta para estudar a possibilidade de adquirir submarinos de propulsão nuclear. A decisão ainda não foi tomada: o governo pretende concluir até o fim deste ano a revisão de três documentos de segurança, que atualmente não mencionam essas embarcações.

A primeira-ministra Sanae Takaichi afirmou na quarta-feira, no Parlamento, que quer aprofundar a análise de opções para proteger as rotas marítimas, incluindo a eventual introdução de submarinos nucleares. O ministro da Defesa, Shinjiro Koizumi, disse na sexta-feira que acredita que a população compreende a necessidade de debater o tema.

A inclusão de termos como “investigação” ou “pesquisa” nos documentos permitiria manter a possibilidade em análise, sem determinar que o país avance com a compra. Uma fonte próxima ao governo afirmou que essa redação daria mais tempo para avaliar se a aquisição é viável. O painel de especialistas responsável pela revisão já fez quatro reuniões, mas não deve recomendar uma diretriz específica sobre submarinos nucleares.

O Japão não possui submarinos de propulsão nuclear. As embarcações que a Força de Autodefesa Marítima opera atualmente usam propulsão convencional, e os documentos de segurança em vigor não preveem a adoção de modelos nucleares. A discussão, portanto, trata de uma possível mudança futura, não de uma compra já aprovada.

A propulsão nuclear permite que um submarino permaneça submerso por períodos mais longos e percorra distâncias maiores do que um modelo convencional a diesel. Isso pode ampliar o tempo de operação em áreas afastadas e a flexibilidade para atuar em rotas marítimas estratégicas. Um argumento favorável à tecnologia é que ela poderia oferecer uma plataforma adequada para sistemas de lançamento vertical de mísseis, que o Japão prevê desenvolver e instalar em submarinos.

Um comentário publicado em dezembro de 2025 pelo pesquisador Brent Sadler, da Heritage Foundation, estimou que um submarino nuclear baseado em Yokosuka poderia operar no Mar do Sul da China por 79 dias. Esse período seria 4,6 vezes o de um submarino convencional a diesel. No Mar das Filipinas e no Estreito de Taiwan, a autonomia projetada seria, respectivamente, 2,4 e 2,5 vezes maior.

A aquisição, porém, teria obstáculos legais, financeiros e de pessoal. As leis japonesas limitam o uso da energia nuclear a fins pacíficos, e a operação dessas embarcações exigiria profissionais qualificados, justamente quando as Forças de Autodefesa enfrentam escassez de pessoal. Também há preocupação com a aceitação internacional do programa.

O custo estimado para construir um submarino nuclear no Japão supera 1 trilhão de ienes, ou US$ 6,29 bilhões, segundo os valores apresentados na discussão. Em comparação, cada um dos submarinos mais avançados da Força de Autodefesa Marítima custa cerca de 70 bilhões de ienes. Nos Estados Unidos, a construção de uma unidade é estimada em mais de US$ 4 bilhões.

A proposta também divide setores políticos. O Partido da Inovação do Japão, parceiro de coalizão do Partido Liberal Democrata (PLD), defendeu em junho que o país adquirisse submarinos nucleares “prontamente”. Uma proposta do PLD divulgada por volta do mesmo período não mencionou essas embarcações. Um representante da comissão de pesquisa sobre segurança ligada ao partido manifestou cautela, citando os custos e a dificuldade de obter aceitação internacional.

Os três documentos em revisão são a Estratégia de Segurança Nacional, a Estratégia de Defesa Nacional e o Programa de Fortalecimento da Defesa, atualizados pela última vez em 2022. A discussão ocorre enquanto outros países da região também consideram essa tecnologia: a Austrália planeja formar uma frota por meio da parceria Aukus, com Estados Unidos e Reino Unido, e a Coreia do Sul firmou um acordo com o governo dos Estados Unidos para adquirir submarinos nucleares.

Fontes: Valor Econômico

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