Pular para o conteúdo
Terça-feira, 27 de outubro de 2026

Move Brasil financia 65,8 mil carros para motoristas e taxistas

Até 26 de outubro, a linha aprovou e contratou R$ 6,9 bilhões, mas ainda está abaixo da projeção de ao menos 200 mil veículos.

Por Redação Plantão Paulista 3 min de leitura
Imagem gerada por IA: Motorista de aplicativo ao lado de um carro, consultando o celular. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Motorista de aplicativo ao lado de um carro, consultando o celular.
Resumo em 30 segundos

O Move Brasil financiou 65,8 mil carros desde o lançamento, cerca de um terço da projeção inicial do governo. O crédito aprovado e contratado soma R$ 6,9 bilhões, de um total de R$ 30 bilhões. A aprovação depende da análise de cada instituição financeira, e o programa também tem uma modalidade para motos.

O programa Move Brasil financiou 65,8 mil carros até segunda-feira (26), cerca de um terço dos ao menos 200 mil veículos que o governo estimou vender com a iniciativa. Lançada em maio para facilitar a compra de veículos por motoristas de aplicativo e taxistas, a linha soma R$ 6,9 bilhões em crédito aprovado e contratado, diante dos R$ 30 bilhões inicialmente disponíveis.

O programa é operado com recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que divulga os dados. Em maio, durante o lançamento, o presidente do banco, Aloizio Mercadante, projetou que a iniciativa viabilizaria a venda de ao menos 200 mil veículos.

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços considera os resultados positivos. A pasta afirma que o volume financiado supera em mais de três vezes o que seria vendido em quatro meses no ritmo habitual entre taxistas e motoristas de aplicativo, estimado pela Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave) em 4.400 unidades por mês.

A contratação, porém, não é automática para quem se enquadra nos critérios do programa. O motorista precisa passar pelo cadastro e, depois, solicitar o financiamento a uma instituição financeira, que analisa o histórico de crédito e a capacidade de pagamento. Assim, ter direito às condições do Move Brasil não garante a aprovação do empréstimo.

As condições foram ampliadas durante a implantação. Em agosto, o valor máximo dos carros elegíveis subiu de R$ 150 mil para R$ 200 mil, o prazo de pagamento passou a chegar a 84 meses e foram incluídos veículos híbridos, que combinam motor elétrico com combustíveis como álcool ou gasolina. As taxas máximas previstas são de 12,6% ao ano para homens e 11,5% para mulheres. O governo afirma que são inferiores às praticadas no mercado para esse tipo de financiamento.

O Banco do Brasil é o maior participante da linha para carros. A instituição informa que movimentou mais de R$ 3 bilhões e atendeu mais de 28 mil clientes desde o início do programa. Na categoria de táxis e aplicativos, 54% do financiamento concedido pelo banco foi destinado a veículos elétricos. O BB afirma que as linhas para carros e motos serão incorporadas de forma permanente ao seu portfólio.

Há também uma modalidade para motociclistas e entregadores. O Fundo de Garantia de Operações (FGO) registra 21.790 empréstimos contratados nessa frente, no total de R$ 474 milhões; o número considera apenas operações cobertas pela garantia do fundo. No Move Motos, o Banco do Brasil soma R$ 57 milhões em 2.510 contratos. Entre os quatro financiadores citados, Yamaha, Honda e Caixa têm participação maior que a do BB, nessa ordem.

Para trabalhadores de aplicativo, comprar um carro pode reduzir gastos com aluguel, mas transfere ao proprietário despesas com manutenção, seguro e documentação. Rogério Rodrigues da Silva, 44, motorista há três anos, trocou o veículo alugado por um financiado pelo programa. Ele diz que passou a trabalhar em uma categoria mais cara dos aplicativos e deixou de pagar aluguel, mas avalia que a economia mensal não é necessariamente maior. Para ele, a vantagem é terminar o financiamento com um bem que poderá usar na compra de outro carro.

Já Júnior Santana, 50, prefere alugar. Ele paga cerca de R$ 3.600 por mês e roda aproximadamente 300 quilômetros por dia, podendo chegar a 500 ou 600 quilômetros em viagens ao interior. Santana afirma que a locação transfere para a empresa despesas como revisão, pneus e suspensão. “Eu só coloco combustível”, diz.

O custo total e a aprovação do crédito pesam na decisão. Dário de Abreu, 52, trabalha com aplicativos há dois anos e não tentou pedir financiamento porque está com o nome negativado e acredita que não seria aprovado. Segundo levantamento da plataforma GigU, 74,6% dos motoristas de aplicativo já usam veículo próprio, quitado ou financiado; os demais 25,4% recorrem a carros alugados, por locadoras ou acordos particulares.

As operações de crédito para carros somam cerca de 23% dos R$ 30 bilhões disponibilizados inicialmente. Em agosto, o BNDES havia informado que R$ 3,44 bilhões tinham sido liberados em empréstimos, equivalentes a 11,3% do total previsto. O programa, portanto, ampliou o volume de crédito contratado desde aquele balanço, mas ainda não alcançou a projeção de vendas anunciada no lançamento.

Fontes: Folha de S.Paulo

Este texto foi produzido com apoio de inteligência artificial a partir de informações públicas, com checagens automáticas de fatos e de originalidade. Encontrou um erro? Avise-nos.

Leia também