Moro considera compreensível saída de Flávio Bolsonaro do Brasil
A declaração ocorre após o senador viajar aos EUA sem entregar os passaportes exigidos por Alexandre de Moraes; a Polícia Federal cancelou os documentos.
Resumo em 30 segundos
Sergio Moro afirmou que considera compreensível Flávio Bolsonaro deixar o Brasil, citando a falta de normalidade institucional. O senador viajou aos Estados Unidos com a família sem entregar os passaportes exigidos por Alexandre de Moraes. A Polícia Federal informou o descumprimento e cancelou os documentos. Não há confirmação de pedido de asilo político.
O senador Sergio Moro (PL), eleito governador do Paraná, afirmou nesta terça-feira (27) que a saída de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) do Brasil é “compreensível” diante do que classificou como falta de normalidade institucional. Flávio, derrotado no segundo turno da eleição presidencial, viajou aos Estados Unidos com a mulher e as duas filhas, apesar de uma ordem do Supremo Tribunal Federal (STF) para entregar os passaportes.
Em uma publicação nas redes sociais, Moro questionou a apreensão dos documentos de um candidato que, segundo ele, recebeu 59 milhões de votos. “O Brasil segue longe da normalidade institucional. No contexto, Flávio deixar o país é compreensível”, escreveu. Moro não mencionou as investigações que envolvem o senador.
Na segunda-feira (26), o ministro Alexandre de Moraes determinou que Flávio entregasse os passaportes brasileiro e italiano. A decisão atendeu a um pedido da Polícia Federal (PF), que apontou risco de o senador deixar o país. O prazo de 24 horas terminou na manhã de terça-feira, sem que ele apresentasse os documentos.
A PF comunicou a Moraes que a ordem não havia sido cumprida e cancelou os passaportes no sistema de controle. O senador, porém, não pode ser considerado foragido, pois não há mandado de prisão contra ele. Aliados disseram que Flávio deixou o Brasil rumo aos Estados Unidos; uma das informações divulgadas sobre o trajeto aponta que ele teria passado pela Argentina.
No pedido ao STF, a PF citou a saída do advogado Willer Tomaz como precedente. Tomaz, amigo de Flávio e investigado com ele em um inquérito sobre suspeita de lavagem de dinheiro, está fora do país desde 25 de agosto, sem registro de retorno, segundo a manifestação policial. A PF afirmou que ele deixou o Brasil mesmo após Moraes proibir sua saída e determinar o cancelamento de seus passaportes.
O Departamento de Estado dos Estados Unidos informou que concederá vistos a Flávio e aos familiares e permitirá a entrada deles no país. A autorização de entrada não equivale a uma concessão de asilo político. Esse tipo de proteção depende de um pedido formal e de uma decisão das autoridades do país que o recebe; não há confirmação de que o senador tenha solicitado asilo.
Moro apoiou a campanha de Flávio no segundo turno. Após o resultado, disse que a maioria dos eleitores do Paraná se posicionou contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas que a eleição presidencial não terminou como esperava. Lula foi reeleito com 64.256.232 votos, ante 59.826.041 de Flávio.
Para entender
- Asilo político
- Proteção que uma pessoa pode solicitar a outro país quando afirma sofrer perseguição. O pedido precisa ser analisado pelas autoridades do país que o recebe; a possibilidade de entrar no território ou obter um visto não significa que o asilo tenha sido concedido.