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Quarta-feira, 21 de outubro de 2026

Monica Thomas relata demora para diagnóstico de líquen escleroso

A britânica diz que foi examinada 28 vezes em seis meses antes de receber o diagnóstico; a doença pode causar coceira, dor e lesões na pele genital.

Por Redação Plantão Paulista 3 min de leitura
Imagem gerada por IA: Paciente conversa com uma profissional de saúde durante uma consulta médica. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Paciente conversa com uma profissional de saúde durante uma consulta médica.
Resumo em 30 segundos

Monica Thomas recebeu o diagnóstico de líquen escleroso aos 34 anos, após anos de sintomas e consultas em que o quadro foi tratado como candidíase. A condição inflamatória pode afetar pessoas de diferentes idades e sexos. O tratamento costuma incluir corticoides prescritos e acompanhamento médico.

A britânica Monica Thomas recebeu o diagnóstico de líquen escleroso aos 34 anos, depois de anos com coceira e dor na região genital e de consultas em que os sintomas foram tratados como candidíase. A doença inflamatória crônica pode causar manchas brancas, fissuras, bolhas e feridas na pele, além de dor ao urinar ou durante relações sexuais. Não é contagiosa e pode afetar pessoas de diferentes idades e sexos.

Thomas, moradora de Suffolk, na Inglaterra, afirma que foi examinada 28 vezes em seis meses antes de os médicos oferecerem uma biópsia. Com o agravamento do quadro, ela ficou acamada por um período porque não conseguia andar. A britânica também relata que, durante a adolescência, sentia coceira e dor sem entender o que ocorria e era repreendida por coçar a região.

O líquen escleroso atinge principalmente a pele dos genitais, mas pode aparecer em outras partes do corpo. É mais comum em mulheres com mais de 50 anos, embora também possa ocorrer em mulheres mais jovens e na infância. Nos homens, pode afetar a pele do pênis, inclusive a glande. Os sintomas variam e podem incluir placas esbranquiçadas, coceira persistente, dor, fissuras e áreas frágeis ou lesionadas.

A causa exata é desconhecida. Uma hipótese é que o sistema imunológico ataque por engano a pele, provocando inflamação e danos. A condição não é causada por infecção nem por falta de higiene; atrito ou lesões na pele podem desencadear ou piorar os sintomas. Embora não seja uma infecção sexualmente transmissível, pode ser confundida com herpes ou outras doenças por causa das feridas e do desconforto.

Thomas diz que a demora e os diagnósticos incorretos afetaram sua saúde mental. Ela conta que se sentiu sozinha por não obter respostas e que uma dermatologista chegou a pedir exames de sangue para HIV. Segundo Thomas, profissionais chegaram a considerar que ela era jovem demais para ter líquen escleroso. Ela afirma que ainda enfrenta dificuldades para receber acompanhamento e controla os sintomas com um creme esteroide.

O tratamento costuma buscar reduzir a inflamação e aliviar os sintomas. Cremes ou pomadas com corticoide são usados sob orientação médica; o acompanhamento também é importante para avaliar a resposta e observar mudanças na pele. A condição pode deixar cicatrizes e alterações permanentes, especialmente quando não é tratada. Há ainda um pequeno aumento do risco de câncer de vulva, por isso mudanças persistentes ou feridas que não cicatrizam precisam de avaliação clínica.

A estimativa de quantas pessoas têm a doença é limitada. Uma análise da Universidade de Bristol com moradores de West Midlands e Warwickshire, na Inglaterra, calculou que cerca de 1% das mulheres têm líquen escleroso vulvar. Sophie Rees, pesquisadora que participou do estudo, afirmou que o número provavelmente é menor que a realidade, devido à demora para diagnosticar e à possibilidade de algumas pessoas nunca receberem um diagnóstico. Ela também apontou que a vergonha e o desconhecimento, inclusive entre profissionais de saúde, dificultam a busca por atendimento.

Thomas recomenda que as pessoas observem mudanças no próprio corpo e anotem os sintomas para conversar com profissionais de saúde. Se a coceira, a dor ou as lesões persistirem, uma avaliação médica pode ajudar a diferenciar o líquen escleroso de outras condições e definir o cuidado adequado. Ela também aconselha quem não se sente ouvido a buscar outra opinião e continuar procurando respostas.

Fontes: Folha de S.Paulo

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