Pular para o conteúdo
Terça-feira, 20 de outubro de 2026

Medalha Tiradentes a Adriano da Nóbrega volta ao debate

A homenagem concedida por Flávio Bolsonaro em 2005 voltou à discussão após Lula chamar o senador de “miliciano” no debate presidencial de domingo.

Por Redação Plantão Paulista 4 min de leitura
Imagem gerada por IA: Medalha cerimonial sobre uma mesa de madeira em uma sala legislativa vazia. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Medalha cerimonial sobre uma mesa de madeira em uma sala legislativa vazia.
Resumo em 30 segundos

Flávio Bolsonaro propôs conceder a Medalha Tiradentes ao ex-capitão Adriano da Nóbrega, que recebeu a honraria na prisão. A homenagem voltou ao debate eleitoral após Lula criticar o senador. O caso também envolve declarações de Flávio sobre Adriano e a contratação de familiares dele para trabalhar em seu gabinete.

Em junho de 2005, o então deputado estadual Flávio Bolsonaro propôs conceder a Medalha Tiradentes ao ex-capitão do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) Adriano Magalhães da Nóbrega. A honraria, considerada a maior da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, foi entregue pelo parlamentar a Adriano na prisão, onde ele estava sob acusação de matar um guardador de carros.

A proposta justificou a homenagem com a atuação de Adriano em uma operação no Morro da Coroa, quatro anos antes. O texto mencionava a prisão de 12 pessoas e a apreensão de armas, munições, uma granada, uma faca e drogas. O ex-capitão foi absolvido em 2007 no processo relacionado à morte do guardador, depois de ter sido inicialmente condenado.

Adriano viria a ser apontado como um dos líderes de uma milícia do Rio e do grupo de extermínio conhecido como Escritório do Crime. Foragido em 2019, foi localizado no ano seguinte em uma área rural da Bahia e morreu durante uma operação policial. Após a morte, Jair Bolsonaro afirmou que havia orientado o filho a conceder a medalha e disse que Adriano era, naquele momento, “um herói da Polícia Militar”.

A Medalha Tiradentes é uma distinção concedida pela Assembleia Legislativa fluminense para homenagear pessoas por serviços ou ações considerados relevantes. No caso de Adriano, a justificativa apresentada por Flávio destacou a operação policial e a apreensão de material. A homenagem voltou a ser tema de debate durante a campanha presidencial, em meio a críticas de Lula à relação do senador com pessoas associadas a milícias.

No debate da Band realizado no domingo (18), Lula respondeu a um convite de Flávio para se aproximar dizendo: “Quero distância de miliciano”. Em ato de campanha em São Gonçalo, no Rio de Janeiro, o presidente também afirmou que “no Palácio do Planalto não cabe a representação de miliciano”. Nesta segunda-feira (19), Lula voltou a criticar o adversário em um vídeo nas redes sociais e o chamou de “miliciano”.

Flávio tem minimizado a homenagem. Em uma sabatina realizada em agosto, afirmou que ela foi concedida “há mais de 20 anos” e que Adriano era então “um policial reconhecido”. Em depoimento ao Ministério Público do Rio, em 2020, o senador disse que conheceu o ex-capitão no Bope, onde Adriano lhe dava instrução de tiro. Segundo o relato de Flávio, o encontro ocorreu por intermédio de Fabrício Queiroz, que havia servido com Adriano no batalhão.

O senador também declarou que visitou várias vezes o Batalhão Especial Prisional para “ouvir PMs presos injustamente”. Ao falar sobre a prisão de Adriano pela acusação de homicídio, Flávio disse que ele havia sido falsamente acusado e que o caso teria sido uma troca de tiros com traficantes. A perícia não comprovou essa versão, embora a defesa a tenha sustentado no processo.

A ligação de Flávio com Adriano também entrou no debate por causa da contratação da mãe e da ex-esposa do ex-capitão para trabalhar no gabinete do então deputado na Assembleia. Raimunda Veras Magalhães e Danielle Mendonça da Costa foram exoneradas em novembro de 2018. Queiroz intermediou as contratações; a suspeita era que as duas fossem funcionárias fantasmas e repassassem parte dos salários a ele, em um possível esquema de “rachadinha”.

Flávio não foi absolvido nem declarado inocente nesse caso. Em 2021, a Justiça anulou as quebras de sigilo bancário e fiscal, consideradas provas centrais da investigação, e a denúncia foi derrubada. A anulação de provas e o encerramento da denúncia não equivalem a uma decisão judicial que declare inocência.

Outro episódio citado na discussão envolve uma emenda parlamentar de R$ 200 mil destinada a um projeto de futebol de um instituto na Taquara, na zona oeste do Rio. A negociação passou por uma assessora de Flávio e por Robson Calixto da Silva, conhecido como Peixe, investigado sob suspeita de intermediar a compra da arma usada no assassinato da vereadora Marielle Franco. Peixe assessorava Chiquinho e Domingos Brazão, condenados como mandantes do crime.

Em 2008, Flávio votou a favor da instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre milícias na Assembleia do Rio, mas declarou publicamente ser contrário à investigação. A comissão foi criada depois que uma equipe do jornal O Dia infiltrada na favela do Batan foi capturada, mantida em cárcere privado e torturada por mais de sete horas. Flávio disse que votou a favor do inquérito por respeito à imprensa.

O senador rejeita as críticas sobre suas relações e costuma defender medidas mais duras na área de segurança. Ele propõe classificar facções e milícias como grupos narcoterroristas. Em um fórum, afirmou que criminosos que imponham medo coletivo e adotem práticas do Comando Vermelho e do Primeiro Comando da Capital devem ser enquadrados como terroristas, incluindo milicianos.

Fontes: Folha de S.Paulo, Gazeta do Povo

Este texto foi produzido com apoio de inteligência artificial a partir de informações públicas, com checagens automáticas de fatos e de originalidade. Encontrou um erro? Avise-nos.

Leia também