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Segunda-feira, 2 de novembro de 2026

Graphcoa prevê investir até R$ 800 milhões em mina de grafite

Projeto em Jordânia, no Vale do Jequitinhonha, prevê produzir 54 mil toneladas anuais e iniciar a operação no fim de 2029, se obtiver licença ambiental.

Por Redação Plantão Paulista 3 min de leitura
Imagem gerada por IA: Área de um projeto de mineração de grafite em meio a colinas verdes. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Área de um projeto de mineração de grafite em meio a colinas verdes.
Resumo em 30 segundos

A Graphcoa planeja investir entre R$ 700 milhões e R$ 800 milhões em uma mina de grafite em Jordânia, no nordeste de Minas Gerais. O projeto prevê produzir 54 mil toneladas de concentrado por ano, com obras a partir de meados de 2027 e operação no fim de 2029, condicionada à licença ambiental.

A Graphcoa prepara um projeto de mineração de grafite em Jordânia, no Vale do Jequitinhonha, nordeste de Minas Gerais, com investimento estimado entre R$ 700 milhões e R$ 800 milhões. A empresa prevê produzir 54 mil toneladas anuais de concentrado do mineral, iniciar as obras em meados de 2027 e começar a operação no último trimestre de 2029, se obtiver a licença ambiental esperada até o fim deste ano.

O empreendimento está na etapa final dos estudos de viabilidade econômica e do processo de licenciamento. A Graphcoa, subsidiária da Appian Capital Brazil, detém concessões de exploração e mineração na região. Jordânia fica na divisa de Minas Gerais com a Bahia, a cerca de 820 quilômetros de Belo Horizonte.

O concentrado será destinado principalmente a fabricantes de veículos elétricos da América do Norte e da Europa. A empresa considera utilizar portos de Salvador e Ilhéus, na Bahia, ou de Vitória, no Espírito Santo, para exportar a produção. A tonelada de grafite de alta pureza, própria para baterias, é negociada atualmente por cerca de US$ 4 mil, equivalente a R$ 20 mil, segundo Ricardo Alves, diretor-geral e de operações da Graphcoa. No auge, o preço chegou a US$ 12 mil.

O grafite é usado no ânodo de baterias de íon-lítio, componente que participa das reações eletroquímicas responsáveis por armazenar e liberar energia. O mineral também tem aplicações em metalurgia, materiais refratários, peças industriais e lubrificantes. Sua capacidade de conduzir eletricidade e calor e sua resistência a altas temperaturas ajudam a explicar o interesse de setores ligados à eletrificação e à transição energética.

A concentração da cadeia produtiva na China é um dos fatores que favorecem a busca por fornecedores em outros países. O país asiático responde por cerca de 80% da produção mundial de concentrado de grafite e por 90% do grafite esférico purificado revestido, conhecido pela sigla em inglês CSPG. Esse material é o principal componente ativo dos ânodos de baterias de íon-lítio. A China também domina 95% da produção do material químico relacionado ao setor.

O Brasil tem a segunda maior reserva de grafite do mundo, com 27% do total medido, atrás apenas da China. No ano passado, a produção chinesa de grafite natural foi de aproximadamente 1,4 milhão de toneladas métricas, quase 80% da oferta global. Moçambique, Madagascar e Índia também estão entre os principais produtores. O consumo mundial de produtos de grafite é estimado em 1,7 milhão de toneladas.

Alves afirmou que o projeto de Jordânia pode estar entre os primeiros empreendimentos ocidentais do setor a entrar em operação. Uma unidade da empresa na mina Boa Sorte, em Itagimirim, na Bahia, foi usada como planta de demonstração para o projeto mineiro. A Graphcoa mantém outras reservas no estado e poderá desenvolver Boa Sorte como um empreendimento futuro.

A Appian já atua no país por meio da Atlantic Nickel, que extrai e beneficia minério de níquel sulfetado na Bahia, associado a cobre e cobalto. Até o ano passado, o grupo também era dono da Mineração Vale Verde, produtora de cobre, ouro e prata em Alagoas; a empresa foi vendida à chinesa Baiyin Nonferrous.

A capacidade brasileira de produção de grafite natural cristalino é de 70 mil toneladas por ano, com quase todo o volume beneficiado concentrado em Minas Gerais. A Nacional Grafite, produtora fundada em 1939, opera minas em Itapecerica, Pedra Azul e Salto da Divisa. Outros projetos voltados a aplicações em baterias estão em desenvolvimento no país, conduzidos pela Atlas Critical Minerals, pela South Star Battery Metals, na Mina Santa Cruz, na Bahia, e pela Graph+.

A expansão do setor também ocorre após a criação, neste ano, da Política Nacional de Minerais Críticos. Miguel Nery, gerente executivo da Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa Mineral e Mineração, afirmou que o país precisa aproveitar o ambiente favorável à atividade. Projeções apresentadas pela BloombergNEF em outubro apontam que, em 2050, uma parcela expressiva da demanda por grafite estará ligada à transição energética.

Fontes: Estadão

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