Flávio Bolsonaro deixa o Brasil após derrota na eleição presidencial
Aliados confirmaram a saída nesta terça-feira, mas o destino do senador não foi informado; ele havia sido proibido de deixar o país por Alexandre de Moraes.
Resumo em 30 segundos
Aliados confirmaram que Flávio Bolsonaro deixou o Brasil dois dias após perder a eleição presidencial para Luiz Inácio Lula da Silva. O destino do senador não foi informado, e há divergências sobre o trajeto. A saída ocorreu após Alexandre de Moraes determinar a entrega de seus passaportes e proibi-lo de deixar o país.
O senador Flávio Bolsonaro deixou o Brasil nesta terça-feira (27), dois dias depois de perder a eleição presidencial para Luiz Inácio Lula da Silva (PT), segundo aliados. A saída ocorreu após o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes determinar que ele entregasse os passaportes à Polícia Federal (PF) e o proibisse de deixar o país.
A ordem foi dada na segunda-feira (26), no âmbito de uma investigação que envolve Flávio e o advogado Willer Tomaz. A PF apura se o senador teria sido beneficiário de recursos da Alcazar Holdings, empresa sediada na Ilha da Madeira, em Portugal. Tomaz é investigado por suspeita de lavagem de dinheiro em negócios ligados a apostas on-line, e Moraes determinou o bloqueio de até R$ 6 bilhões do advogado.
Flávio relatou nas redes sociais que foi intimado a entregar os documentos ao sair da casa do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Ele contestou a decisão e disse que ela teria sido motivada por declarações do irmão, Eduardo Bolsonaro, que está nos Estados Unidos. Até esta terça-feira, Flávio não havia se manifestado sobre a saída do país.
Informações sobre o trajeto divergiram. A cidade argentina de Puerto Iguazú foi apontada como possível ponto de partida de um voo para os Estados Unidos, mas o controle migratório argentino afirmou não ter registro da entrada do senador. Um porta-voz do presidente Javier Milei também negou que ele tivesse entrado na Argentina. Aliados, por sua vez, confirmaram que Flávio deixou o Brasil, sem detalhar o destino.
A saída ocorre em meio à disputa sobre o resultado eleitoral. Após a derrota, Flávio criticou uma decisão do ministro do STF Cristiano Zanin que prorrogou a votação por duas horas e afirmou que recorreria à Justiça para pedir a anulação da eleição. Ele alegou que houve mudança nas regras durante a votação e disse que não reconheceria o resultado.
O episódio também altera o cenário da oposição ao governo Lula. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, reeleito no primeiro turno, publicou nesta terça-feira um vídeo em que reconheceu o resultado presidencial e defendeu a unidade dos opositores. A movimentação pode abrir espaço para que ele assuma maior protagonismo, enquanto Flávio e Eduardo estão fora do país.
A família Bolsonaro mantém representantes com mandatos, entre eles Michelle Bolsonaro, senadora pelo Distrito Federal, e Carlos e Jair Renan, eleitos por Santa Catarina. A disputa pelo comando da oposição, porém, passa a ocorrer com Flávio ausente do país e Tarcísio sinalizando uma atuação conjunta dos adversários de Lula.