Lula é reeleito presidente e promete regular plataformas digitais
Com 99,99% das urnas apuradas, o petista obteve 51,78% dos votos válidos e anunciou que pretende regulamentar as plataformas digitais.
Resumo em 30 segundos
Lula derrotou Flávio Bolsonaro no segundo turno e garantiu um quarto mandato, com 51,78% dos votos válidos. Na primeira coletiva após a vitória, prometeu regulamentar plataformas digitais e criticou a atuação das empresas de tecnologia na eleição. O comparecimento às urnas aumentou em relação ao primeiro turno.
Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito presidente do Brasil neste domingo, 25 de outubro, ao derrotar o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no segundo turno. Com 99,99% das urnas apuradas, Lula tinha 51,78% dos votos válidos e garantiu um quarto mandato no Palácio do Planalto.
Na primeira entrevista coletiva depois da vitória, o presidente prometeu regulamentar as plataformas digitais. Ele acusou empresas de tecnologia de tentar influenciar o resultado eleitoral e defendeu que crimes cometidos na internet sejam tratados como crimes fora dela.
“Esta foi uma eleição em que tivemos de vencer a intromissão vinda de fora para dentro, por meio das plataformas digitais, que nós vamos ter de regular”, afirmou. Lula também criticou as grandes empresas de tecnologia por, segundo ele, não pagarem impostos no Brasil e tentarem direcionar o voto.
A regulação das plataformas é uma pauta antiga do governo petista. O Projeto de Lei 2.630, conhecido como PL das Fake News, foi aprovado pelo Senado em 2020, mas não avançou na Câmara dos Deputados e foi engavetado em 2024.
Em junho de 2025, o Supremo Tribunal Federal (STF) ampliou a responsabilidade das plataformas por conteúdos ilegais publicados por usuários, ao alterar a interpretação de um artigo do Marco Civil da Internet. Também em 2025, entrou em vigor o ECA Digital, lei que prevê regras de proteção de crianças e adolescentes no ambiente virtual.
Lula classificou a eleição como uma derrota do negacionismo e da mentira. Durante a coletiva, criticou o adversário e disse que se sentiu constrangido nos debates do segundo turno. Flávio Bolsonaro e integrantes de sua família negam ligação com milícias, grupos criminosos armados que controlam territórios no Rio de Janeiro.
“Esta eleição foi uma derrota do negacionismo, foi uma derrota da mentira”, declarou o presidente. Em seguida, comparou os debates a reuniões com líderes do G20, do Brics e do G7, fóruns e grupos que reúnem países de diferentes regiões e economias.
A votação deste domingo mudou a ordem do primeiro turno, realizado em 4 de outubro. Naquela etapa, Flávio obteve 47,03% dos votos válidos, ante 45,16% de Lula, uma diferença de cerca de 2,2 milhões de votos. No segundo turno, o petista somou aproximadamente 10,4 milhões de votos a mais do que na primeira rodada.
O comparecimento às urnas também aumentou: passou de 78,92% no primeiro turno para 80,79% neste domingo, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Lula agradeceu aos eleitores e destacou a participação de jovens, idosos e pessoas doentes. No Brasil, o voto é facultativo para maiores de 70 anos, analfabetos e jovens de 16 e 17 anos.
“Quero agradecer às pessoas idosas. Vi muitas cenas hoje de pessoas sendo carregadas pelos netos para votar”, disse Lula, ao mencionar eleitores com dificuldades de locomoção e pessoas com câncer ou outras doenças. Ele também atribuiu a vitória à população e aos partidos que participaram da campanha.
O presidente citou ainda o ato realizado no sábado, 24 de outubro, na Avenida Paulista, em São Paulo. Disse que a mobilização e o entusiasmo do público o fizeram lembrar as manifestações das Diretas Já, movimento que, entre 1983 e 1984, defendeu a retomada da eleição direta para presidente.
Ao recordar o momento em que o público cantou o Hino da Independência, Lula afirmou que a cena demonstrou que o país “não aceita ser quintal de ninguém”. O presidente também agradeceu ao vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), reeleito na chapa, e à juventude que participou das atividades de campanha.
Lula completa 81 anos na terça-feira, 27 de outubro, e se torna o primeiro presidente eleito quatro vezes pelo voto direto no Brasil. Ele já havia vencido as eleições presidenciais de 2002, 2006 e 2022. O novo mandato começa em 5 de janeiro de 2027, data estabelecida pela Emenda Constitucional 111, que alterou o dia da posse presidencial.