Lisboa reúne 78 mil eleitores brasileiros em votação de domingo
Os votos serão distribuídos por 207 seções em três prédios da Universidade de Lisboa, após as filas de até cinco horas registradas no pleito de 2022.
Resumo em 30 segundos
A Universidade de Lisboa receberá 78.833 eleitores brasileiros neste domingo, em 207 seções distribuídas por três prédios. A estrutura foi ampliada após as longas filas de 2022. Lisboa lidera entre as cidades estrangeiras em número de eleitores brasileiros registrados, à frente de Boston, nos Estados Unidos.
A Universidade de Lisboa receberá neste domingo (4) 78.833 eleitores brasileiros, distribuídos por 207 seções em três prédios do campus, na maior concentração de votantes fora do Brasil. O consulado ampliou e reorganizou os locais de votação para evitar filas como as registradas na eleição de 2022, quando a espera chegou a cinco horas. Os brasileiros residentes no exterior votam apenas para presidente da República.
As seções funcionarão na Reitoria e nas faculdades de Direito e de Letras, edifícios próximos uns dos outros, ao redor da praça central da universidade. O eleitor poderá consultar seu local por meio de um QR Code, e uma equipe estará disponível para orientar quem tiver dúvidas. Em 2022, havia apenas um ponto de votação para 45.273 eleitores registrados em Lisboa, e as filas se estenderam diante da Faculdade de Direito.
O número de eleitores registrados na capital portuguesa cresceu 74% entre 2022 e 2026. Lisboa já era o maior colégio eleitoral brasileiro no exterior na eleição passada, mas agora tem uma vantagem de cerca de 25 mil inscritos sobre Boston, nos Estados Unidos, que ocupa o segundo lugar. Em 2022, a diferença entre Lisboa e Miami, então vice-líder, era de aproximadamente cinco mil.
Portugal soma 134.797 eleitores brasileiros registrados. O país é atendido pelo quarto maior consulado brasileiro em população, atrás das representações de Nova York, Boston e Miami, todas nos Estados Unidos. Ainda assim, Lisboa concentra mais votantes do que qualquer outra cidade estrangeira.
O cônsul brasileiro em Lisboa, embaixador Alessandro Candeas, atribui a diferença, como hipótese, a uma maior conexão da comunidade brasileira em Portugal com o país de origem. Ele afirmou que o consulado se preparou para oferecer mais organização e conforto aos eleitores depois dos problemas enfrentados em 2022.
Segundo o Instituto Nacional de Estatística de Portugal, vivem no país 574.195 brasileiros. O consulado estima que a população seja maior: Candeas calcula entre 700 mil e 800 mil pessoas, e diz que o total poderia chegar a um milhão se fossem incluídos os brasileiros com dupla cidadania. A comunidade reúne trabalhadores de setores como turismo e construção civil, além de profissionais liberais, aposentados, empreendedores e empresários.
A disputa presidencial também mobiliza apoiadores de diferentes candidaturas entre os brasileiros em Portugal. Militantes do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do Partido dos Trabalhadores (PT), têm promovido atos de rua. No domingo passado (27), apoiadores organizaram uma manifestação na praça do Rossio, em Lisboa.
Pedro Prola, coordenador do núcleo do PT na capital portuguesa, afirmou que os políticos brasileiros devem considerar as reivindicações dos imigrantes. O partido mantém núcleos em outras cidades europeias, entre elas Roma e Madri.
O Partido Liberal (PL) não tem representação em Portugal. Marcelo Rabello, apoiador do senador Flávio Bolsonaro e fundador do Instituto Veritas Liberat, afirmou que divulga seu apoio em vídeos nas redes sociais. Ele também disse que parte dos conservadores brasileiros que viviam no país retornou ao Brasil ou se aproximou do partido português Chega.
Nas duas eleições presidenciais mais recentes, o resultado entre os brasileiros em Portugal coincidiu com o resultado nacional: Jair Bolsonaro venceu no país em 2018, e Lula, em 2022. Em 2014, houve diferença: Dilma Rousseff foi eleita presidente no Brasil, enquanto Aécio Neves obteve a maioria dos votos da comunidade brasileira em Portugal.