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Segunda-feira, 2 de novembro de 2026

Karl Bushby se aproxima do fim de volta ao mundo a pé após 28 anos

Após atravessar a nado o Canal da Mancha em outubro, o britânico planeja chegar nesta semana à casa da mãe, em Hull, na Inglaterra.

Por Redação Plantão Paulista 4 min de leitura
Imagem gerada por IA: Karl Bushby caminha por uma estrada rural inglesa com seu carrinho de viagem. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Karl Bushby caminha por uma estrada rural inglesa com seu carrinho de viagem.
Resumo em 30 segundos

Karl Bushby iniciou a caminhada em Punta Arenas, no Chile, em novembro de 1998, com o objetivo de voltar a pé para casa. Depois de cruzar quatro continentes e enfrentar longas interrupções, chegou ao Reino Unido a nado pelo Canal da Mancha. Restam algumas centenas de quilômetros até Hull.

Karl Bushby, britânico de 57 anos, está perto de concluir uma caminhada ao redor do mundo iniciada em novembro de 1998, em Punta Arenas, no sul do Chile. Depois de quase 28 anos e de percorrer milhares de quilômetros por quatro continentes, ele atravessou a nado o Canal da Mancha em outubro e planeja chegar nesta semana à casa da mãe, em Hull, na Inglaterra.

Bushby tinha 29 anos quando começou a jornada. A ideia surgiu em meados da década de 1990, quando ele servia como paraquedista no Exército britânico e procurava um desafio de resistência que envolvesse caminhar a maior distância possível. O pai sugeriu que tentasse cruzar a pé o Estreito de Bering, entre o Alasca e a Rússia, durante o inverno, quando o mar congela.

A partir da sugestão, Bushby traçou num mapa um percurso que sairia da Inglaterra, cruzaria a Europa e a Ásia, passaria pelo estreito até a América do Norte e seguiria até o extremo sul da América do Sul. Ele decidiu começar no sentido inverso: voou até a América do Sul e iniciou a caminhada de volta para casa.

Desde a partida, o viajante manteve duas regras: não usar transporte para avançar pelo trajeto e não pisar em solo britânico antes de terminar a expedição. A segunda decisão dificultou o contato com a família, especialmente com o filho, Adam, que tinha oito anos quando o pai partiu. Bushby se separou da mãe do menino antes do início da caminhada.

Adam, hoje com 36 anos, disse que não entendia a ausência do pai quando era criança. Em 2004, aos 14 anos, reencontrou Bushby no Alasca pela primeira vez desde o começo da viagem e decidiu apoiar a escolha dele. O filho aguarda a chegada do pai e quer apresentá-lo a Harley, sua filha de 12 anos, que Bushby ainda não conhece.

A expedição levou Bushby por ambientes como a selva do Darién e a tundra da Sibéria. Ele enfrentou detenções, deportações, falta de dinheiro e períodos em que se perdeu ou foi dado como desaparecido. Guerras, crises econômicas e a pandemia também interromperam o percurso; quando precisava parar, costumava se refugiar no México até encontrar uma forma de retomar a caminhada.

No início, em Punta Arenas, Bushby tinha cerca de US$ 500 e um carrinho de golfe adaptado, apelidado de “A Besta”, com equipamento de acampamento, roupas, comida, água e itens de higiene. Em dias comuns, tentava caminhar cerca de 29 quilômetros antes de procurar onde dormir. Mais tarde, passou a empurrar o carrinho, em vez de puxá-lo, depois de perceber que assim era mais fácil.

A travessia do Estreito de Bering foi um dos trechos mais arriscados. Em março de 2006, Bushby e o aventureiro franco-americano Dimitri Kieffer cruzaram a área congelada do Alasca à Rússia. Durante duas semanas, precisaram procurar blocos de gelo grandes o bastante para acampar. Em uma noite, deixaram a barraca quando o gelo começou a se partir sob eles.

Ao chegar à Rússia, os dois foram detidos por não terem se registrado junto às autoridades locais e ficaram presos por quase dois meses. Os guardas de fronteira, segundo Bushby, não acreditavam que eles tivessem atravessado o estreito a pé. A passagem entre o Alasca e a Rússia pelo gelo era parte do plano original, mas as condições instáveis tornavam o trajeto particularmente perigoso.

Nos Estados Unidos, onde entrou em 2002, Bushby conta que passou a ser visto com desconfiança e frequentemente era confundido com uma pessoa em situação de rua. Policiais o impediam de caminhar em rodovias, pediam que mudasse a barraca de lugar ou o retiravam de espaços públicos. No Canadá, em 2003, obteve patrocínios de uma empresa de hospedagem de sites e de uma marca de palmilhas, que lhe rendiam algumas centenas de dólares por mês.

A caminhada também teve períodos de pausa, às vezes de semanas ou meses, para descanso. Bushby descreveu a rotina na estrada como tediosa e desgastante, apesar do caráter de aventura dos primeiros anos. Ao longo do caminho, pessoas que souberam da expedição ofereceram comida, dinheiro, abrigo e ajuda. Ele diz que a receptividade de desconhecidos, em diferentes países, foi uma das surpresas mais marcantes da viagem.

A conclusão se aproxima depois de Bushby nadar pelo Canal da Mancha e chegar ao Reino Unido em outubro. Com apenas algumas centenas de quilômetros restantes, ele disse ter acordado no dia seguinte à travessia com uma sensação de perda, por não saber o que fará quando a jornada terminar. Entre as possibilidades que considera está trabalhar como educador na área de ciências; durante a caminhada, também falou a estudantes sobre sua experiência.

Fontes: Estadão, Folha de S.Paulo

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