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Terça-feira, 20 de outubro de 2026

Justiça nega medida protetiva a mulher morta em Sapucaia do Sul

Kimberli Neves Gomes havia pedido proteção dois dias antes de ser morta; decisão também determinou apuração de ligações feitas pelo ex-companheiro da prisão.

Por Redação Plantão Paulista 3 min de leitura
Imagem gerada por IA: Rua residencial isolada por fita policial durante a investigação de um feminicídio. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Rua residencial isolada por fita policial durante a investigação de um feminicídio.
Resumo em 30 segundos

Kimberli Neves Gomes, de 32 anos, foi morta a tiros em Sapucaia do Sul dois dias depois de registrar uma ocorrência contra o ex-companheiro e pedir medidas protetivas. A Justiça não proibiu contato e aproximação porque ele já estava preso, mas determinou que fossem apuradas possíveis ligações. A Polícia Civil investiga o caso como feminicídio.

Kimberli Neves Gomes, de 32 anos, foi morta a tiros na madrugada de domingo (18), em frente à própria casa, em Sapucaia do Sul, na Região Metropolitana de Porto Alegre. Dois dias antes, ela havia registrado uma ocorrência contra o ex-companheiro, Adrian Rian Dornelles Farias, e pedido medidas protetivas; a Justiça negou naquele momento as proibições de contato e aproximação porque ele já estava preso. A Polícia Civil investiga o caso como feminicídio e aponta Adrian como suspeito de mandar executar o crime.

Na sexta-feira (16), Kimberli procurou a Polícia Civil e relatou que viveu em união estável com Adrian por quatro anos. Os dois estavam separados havia cerca de quatro meses. Segundo o registro policial, ele telefonava para ela da prisão e dizia aceitar o fim da relação, mas queria o carro que estava registrado no nome dela.

A vítima também contou que, naquele dia, um vizinho a avisou de que um casal em uma motocicleta fotografava sua casa. Ela suspeitou que os dois agissem a mando do ex-companheiro e, por isso, foi à polícia. A ocorrência foi registrada como violência psicológica contra a mulher, e o pedido de proteção foi encaminhado ao Judiciário.

Às 18h55 de sexta-feira, a juíza Flavia Maciel Pinheiro Giora, de Esteio, decidiu não determinar as medidas de proibição de contato e aproximação. O Judiciário afirmou que considerou o fato de Adrian já estar recolhido ao sistema prisional. A decisão, porém, ordenou que a administração da prisão fosse consultada sobre eventual autorização para uso de telefone pelo detento e que fossem adotadas providências para apurar e, se necessário, interromper as ligações à vítima.

O Judiciário informou que também determinou uma busca na cela para localizar e apreender, se encontrado, um aparelho telefônico. A Polícia Penal disse que a ordem judicial chegou à casa prisional nesta terça-feira (20). Segundo a corporação, agentes já haviam feito, na segunda-feira, uma busca na galeria em que Adrian estava preso, por iniciativa própria, para procurar celulares. Depois do crime, ele foi transferido para outra unidade prisional.

A medida protetiva de urgência é uma decisão judicial destinada a reduzir o risco de violência, com determinações como impedir contato ou aproximação entre as partes. O fato de o suspeito estar preso foi a razão apontada pelo Judiciário para não conceder aquelas duas restrições naquele momento; ainda assim, a decisão previu a verificação de possível comunicação por telefone.

O delegado regional Cristiano Reschke afirmou que a investigação considera Adrian suspeito de ser o mandante e que a polícia tenta identificar quem executou os disparos. Até o momento, nenhum executor havia sido preso. Segundo o delegado, familiares relataram à polícia, depois do assassinato, que Kimberli vinha recebendo ameaças de morte e estava com medo. Ele disse que esse tipo de informação não apareceu no registro feito pela vítima, que mencionou uma disputa por bens e a suspeita de que pessoas estivessem observando sua casa.

De acordo com a reconstrução policial, um veículo parou diante da residência durante a madrugada. Kimberli reconheceu o carro, que já havia sido dela e, segundo o delegado, fora retirado por Adrian. Ela foi até o veículo, onde estavam alguns indivíduos, e houve uma discussão. A polícia afirma que ela foi baleada e executada.

A Brigada Militar encontrou Kimberli caída, com diversas perfurações, e a levou ainda viva ao Hospital Getúlio Vargas, em Sapucaia do Sul. Ela morreu durante o atendimento. Os policiais apreenderam uma pistola que estava na cintura da vítima, travada e municiada; a arma estava registrada em nome de outra pessoa.

A investigação ainda busca esclarecer a participação de cada suspeito e identificar os autores dos disparos. Adrian é investigado, mas não há informação de condenação pelo caso. A defesa dele não havia se manifestado até terça-feira.

Para entender

Medida protetiva de urgência
Decisão judicial prevista na Lei Maria da Penha para prevenir ou interromper situações de violência doméstica e familiar contra a mulher. Pode estabelecer restrições como afastamento do lar, proibição de contato ou de aproximação, conforme a avaliação do caso.

Fontes: Zero Hora

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