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Quinta-feira, 5 de novembro de 2026

Jovens latinos “no sabo” impulsionam vitórias democratas nos EUA

Nas eleições de meio de mandato, eleitores latinos ajudaram a eleger Gina Hinojosa no Texas e Xavier Becerra na Califórnia, em meio à oposição às ações do ICE.

Por Redação Plantão Paulista 2 min de leitura
Imagem gerada por IA: Jovens latinos conversam diante de um local de votação no Texas. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Jovens latinos conversam diante de um local de votação no Texas.
Resumo em 30 segundos

Jovens latinos nascidos nos Estados Unidos, chamados de “no sabo” por terem dificuldade com algumas conjugações em espanhol, participaram das eleições de meio de mandato. A mobilização ocorreu em meio a protestos contra operações de imigração do ICE. Eleitores latinos apoiaram candidatos democratas no Texas e na Califórnia, segundo pesquisas e estimativas citadas.

Jovens latinos nascidos nos Estados Unidos, chamados por algumas famílias de “no sabo”, participaram de forma expressiva das eleições de meio de mandato e ajudaram a impulsionar vitórias democratas no Texas e na Califórnia. O apelido significa “não sei”, em referência a quem tem dificuldade com algumas conjugações em espanhol; muitos desses eleitores foram às urnas na terça-feira, após protestos contra operações de imigração promovidas pelo governo de Donald Trump.

O crescimento da participação latina foi associado à oposição às ações do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE), órgão federal responsável pela aplicação das leis de imigração. Jovens relataram que atuaram como porta-vozes de familiares e buscaram informações sobre detenções e assistência jurídica. A mexicana Katia Marroquin, que mantém a conta de Instagram “Qué Hacer en Austin”, com 432 mil seguidores, disse ter recebido pedidos de orientação e, por isso, incentivou seus seguidores a votar.

Os votos latinos contribuíram para a eleição de Gina Hinojosa como governadora do Texas. A vitória encerrou três décadas de domínio republicano no estado. Hinojosa, criada em uma família mexicana católica, afirmou que a conquista também pertence às mulheres latinas que cresceram ouvindo conselhos de suas mães e avós para não desistir.

No Texas, o cantor tex-mex Bobby Pulido também venceu uma disputa por uma cadeira na Câmara dos Representantes que antes era ocupada por um republicano. Ele agradeceu aos eleitores e disse que uma geração antes pouco envolvida na política agora terá influência sobre a escolha de seus representantes. O estado tem 40% de população latina.

Na Califórnia, Xavier Becerra, de raízes mexicanas, foi eleito governador. A presidente do México, Claudia Sheinbaum, comemorou as vitórias de Hinojosa e Becerra e afirmou que mexicanos-americanos receberam reconhecimento.

Pesquisas e estimativas indicam apoio expressivo a candidatos democratas entre latinos. Segundo a pesquisa pós-eleitoral AP Voter Poll, seis em cada dez eleitores latinos apoiaram James Talarico na eleição para o Senado pelo Texas. Entre latinos de 18 a 29 anos, 70% votaram em candidatos democratas para a Câmara, de acordo com estimativas do CIRCLE, centro de pesquisa da Universidade Tufts.

A presidente da UnidosUS, Janet Murguía, disse que a participação latina deve ser a maior já registrada em uma eleição de meio de mandato nos Estados Unidos. A organização defende direitos dos latinos e se opõe às deportações em massa e às táticas atribuídas ao ICE.

O voto também refletiu uma mudança em relação à eleição anterior. Parte do eleitorado latino havia apoiado Trump acreditando que ele melhoraria a economia, mas muitos se afastaram dos republicanos neste pleito. Em estados como a Flórida, candidatos republicanos resistiram à onda democrata, embora por margens estreitas.

“Os ‘no sabo kids’ foram votar; muitos têm menos de 30 anos”, disse Marroquin. Yadira Sánchez, diretora executiva da organização Poder LatinX, descreveu os jovens como uma geração que participa da vida política. Víctor Bucio, texano de 34 anos e filho de pais mexicanos, afirmou que, mesmo sem dominar o espanhol, esses jovens compreendem a importância do voto.

Fontes: Zero Hora

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