Mensagens ligam Vorcaro a negociações por Oncoclínicas e Dasa
Mensagens extraídas pela Polícia Federal do celular de Daniel Vorcaro mostram negociações e desentendimentos sobre Oncoclínicas, Dasa, Alliança e Amil.
Resumo em 30 segundos
Mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro pela Polícia Federal registram negociações de Vorcaro, Maurício Quadrado e Nelson Tanure envolvendo Oncoclínicas, Dasa, Alliança e Amil. As conversas mostram divergências sobre acordos e ações, além de detalhes do aporte do Master na Oncoclínicas e de conflitos que continuaram durante a crise do banco, liquidado pelo Banco Central em novembro de 2025.
Mensagens extraídas pela Polícia Federal (PF) do celular de Daniel Vorcaro mostram que o ex-banqueiro, seu antigo sócio Maurício Quadrado e o empresário Nelson Tanure discutiram investimentos e possíveis transações envolvendo Oncoclínicas, Dasa, Alliança e Amil entre 2023 e 2024. As conversas também registram divergências entre eles que persistiram até 2025, em meio à crise do Banco Master.
Tanure era dono da Alliança desde 2021 e planejava, segundo as mensagens, combinar a rede de medicina diagnóstica com a Oncoclínicas. Vorcaro e Quadrado tinham outros planos para a companhia. Em novembro de 2023, Quadrado disse ao ex-banqueiro que havia convencido Tanure a aceitar uma proposta para a Oncoclínicas, desde que houvesse um documento garantindo uma fusão com a Alliança no ano seguinte. Vorcaro respondeu que isso era “impossível” e afirmou que a garantia seria Bruno Ferrari, então presidente da empresa.
Em fevereiro de 2024, Vorcaro escreveu que estava fechando uma operação na Oncoclínicas que, segundo ele, seria a maior do mercado de capitais naquele ano. Disse que seria possível movimentar de R$ 10 bilhões a R$ 15 bilhões rapidamente, mas que precisariam de caixa. Em meados daquele ano, o Master colocou R$ 1 bilhão na empresa por meio de aumento de capital e emprestou R$ 500 milhões a Ferrari para acompanhar a transação.
O aporte de R$ 1,5 bilhão tinha como objetivo declarado reduzir o endividamento da Oncoclínicas, mas o dinheiro acabou usado na compra de Certificados de Depósito Bancário (CDBs) do próprio Master, segundo a matéria de origem. O banco chegou a deter 20% da empresa. Depois, 11,34% das ações foram tomadas pelo Banco de Brasília (BRB), após Vorcaro repassar ao banco uma carteira de crédito sem lastro.
As mensagens também mostram que Tanure pretendia apresentar uma proposta pela Dasa em junho de 2024, quando a companhia buscava um sócio para obter capital e estava perto de fechar um acordo com a Amil para reunir hospitais. Quadrado informou que Tanure enviaria uma proposta envolvendo a fusão da Alliança e R$ 2,5 bilhões, a R$ 10 por ação, com a intenção de alcançar 40% da Dasa, participação equivalente à de Dulce Bueno. A Dasa comunicou ao mercado a transação com a Amil em 14 de junho.
O grupo também avaliou a compra da Amil antes de José Seripieri Filho, conhecido como Junior, concluir a aquisição em dezembro de 2024. Em outubro de 2023, Quadrado escreveu que enviariam uma proposta firme de R$ 1,5 bilhão pela operadora, por meio da Alliança. Em abril de 2024, Vorcaro contou que passara a tarde na sede da Amil.
No fim de 2024 e no começo de 2025, Quadrado relatou a Vorcaro que Tanure cobrava soluções e que havia risco de disputa judicial por causa de memorandos de entendimento assinados. Vorcaro respondeu que Tanure queria alterar acordos e que a negociação para a Oncoclínicas havia sido interrompida. Em outra mensagem, afirmou que Tanure não queria ações da empresa porque considerava baixo o preço do papel. Também mencionou divergências sobre Ligga e Alliança.
Em janeiro de 2025, Quadrado voltou a tratar das exigências de Tanure e sugeriu trocar um saldo relacionado à Prio por mais ações da Ligga e da Alliança, além de transferir a Oncoclínicas para o empresário. Vorcaro questionou o que receberia em troca. Já em novembro, às vésperas da liquidação do Master, as conversas trataram de alternativas para dívidas da Emae e da possibilidade de entregar ações da Alliança ou da Ligga.
Em mensagem de 6 de novembro de 2025, Vorcaro disse que o banco caminharia para um default caso não entregasse ações ao BRB, e mencionou o risco de o Banco Central intervir. Doze dias depois, o BC anunciou a liquidação extrajudicial do Master. Em março deste ano, credores tomaram a Alliança, cujas ações haviam sido dadas como garantia em empréstimos para a compra da Ligga.
Tanure afirmou não ter conhecimento das mensagens atribuídas aos interlocutores. Disse que investe em empresas com potencial de crescimento e geração de valor e que a aquisição da Alliança ocorreu em operação aprovada por órgãos regulatórios. Também declarou que sua relação com o Master e outras gestoras sempre foi na condição de cliente. A Oncoclínicas informou que não comentaria.
Quem é quem
- Banco Master
- Instituição financeira brasileira associada a Daniel Vorcaro. O banco foi alvo de liquidação extrajudicial anunciada pelo Banco Central em novembro de 2025, após enfrentar problemas de liquidez.
- Oncoclínicas
- Empresa brasileira do setor de saúde especializada em tratamento oncológico. Foi citada em conversas sobre aporte do Banco Master, redução de endividamento e possíveis negociações com a Alliança.
- Alliança Saúde
- Empresa brasileira de medicina diagnóstica que pertencia a Nelson Tanure desde 2021, conforme a matéria. Suas ações foram usadas como garantia em empréstimos relacionados à compra da Ligga.