Instagram sinaliza post de Mariana Brito sobre fala de Lula
O Instagram passou a exibir um alerta de “informação falsa” em publicação de Mariana Brito que criticava uma fala de Lula sobre mulheres e exames de toque.
Resumo em 30 segundos
O Instagram passou a exibir um aviso de “informação falsa” em publicação de Mariana Brito que criticava comentário de Lula sobre mulheres aprenderem a “tomar toque desde pequenas”. A plataforma vinculou o alerta a uma checagem da Agência Lupa. A controvérsia também envolveu críticas de Nikolas Ferreira e uma decisão provisória do TSE sobre uma publicação do deputado.
O Instagram passou a exibir um aviso de “informação falsa” em uma publicação da influenciadora Mariana Brito que criticava uma declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre mulheres aprenderem a “tomar toque desde pequenas”. A postagem foi publicada na terça-feira (29), após o comentário de Lula em Belém, no Pará, durante um anúncio de operações de próstata robotizadas, na segunda-feira (28).
O alerta do Instagram informa que o conteúdo foi checado pela Agência Lupa e apresenta um link para uma explicação com o título “Entenda”. A checagem afirma que “Lula não defendeu nem normalizou a pedofilia em discurso no Pará”. A publicação original continua acessível depois que o usuário passa pelo aviso, mas a plataforma embaça sua imagem.
Brito afirmou, em outro vídeo, que a postagem havia alcançado quase 30 milhões de pessoas antes de receber a classificação e que seu alcance caiu depois disso. Ela também caracterizou a medida como censura. A influenciadora tem mais de meio milhão de seguidores.
Na publicação criticada, Lula disse que homens não gostam de fazer o exame de próstata porque não gostam de “toque” e acrescentou que mulheres aprendem “a tomar toque desde quando é pequena”. Brito contestou a afirmação e escreveu que meninas não aprendem a ser tocadas desde cedo. “O que eu aprendi é que ‘tocar’ uma criança é crime e normalizar isso em uma fala como essa é uma das coisas mais abjetas que alguém pode fazer”, afirmou.
Em vídeo sobre o alerta, a influenciadora questionou se a fala se referia a exames ginecológicos e sustentou que crianças não fazem exame interno de rotina. Ela também disse que tocar partes íntimas de uma criança é crime. Na legenda do conteúdo criticado, classificou a declaração de Lula como “misógina” e pediu que pessoas que defendem os direitos das mulheres se manifestassem.
O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) também criticou a fala do presidente nas redes sociais. Ele afirmou que “menina pequena não aprende a tomar toque nenhum” e mencionou recomendações sobre exames ginecológicos para adolescentes e rastreamento do câncer do colo do útero. Em resposta à publicação do parlamentar, a coligação Brasil Pronto Pra Mais, que apoia a reeleição de Lula, apresentou representação ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), alegando propaganda eleitoral negativa irregular e descontextualização.
Na quarta-feira (30), a ministra Estela Aranha, do TSE, determinou que uma das publicações de Nikolas fosse removida em até 24 horas e proibiu o deputado de republicar conteúdo semelhante. A decisão é provisória e ainda deve ser analisada pelo plenário do tribunal.
Também na quarta-feira, durante comício em Salvador, Lula comentou o vídeo de Nikolas e chamou o deputado de “canalha”. O presidente disse que, em Belém, pretendia fazer uma comparação para mostrar que as mulheres são corajosas ao realizar exames que os homens temem. Ele descreveu a fala como “uma palavra ou uma frase errada”.
A Meta, responsável pelo Instagram, não havia se manifestado até a publicação da matéria de origem. O espaço foi mantido aberto para manifestação.
Quem é quem
- Luiz Inácio Lula da Silva
- Político brasileiro do Partido dos Trabalhadores (PT) e presidente da República. A declaração sobre exames de próstata e mulheres aprenderem a receber toque desde pequenas provocou críticas e discussão pública.
- Tribunal Superior Eleitoral
- Órgão máximo da Justiça Eleitoral brasileira. No caso citado, a ministra Estela Aranha determinou provisoriamente a remoção de uma publicação do deputado Nikolas Ferreira e proibiu a republicação de conteúdo semelhante.
- Plataforma de rede social pertencente à Meta. No episódio, passou a exibir um aviso de informação falsa em uma publicação crítica à fala de Lula e indicou uma checagem da Agência Lupa.